MERCADO FINANCEIRO
Fraude
Ontem foi um dia pautado por uma onda de aversão a risco depois que a SEC, a CVM norte-americana, acusou o Goldman Sachs de fraude. Os investidores trataram de vender commodities e ações para se refugiar nos Treasuries norte-americanos, e as Bolsas terminaram o dia em queda. A Bovespa chegou bem perto de perder os 69 mil pontos no pior momento da sessão, mas conseguiu esboçar recuperação - não a ponto de retomar os 70 mil pontos.
Ibovespa
Na mínima de ontem, na hora do almoço, o Ibovespa registrou 69.013 pontos (-2,14%), mas conseguiu encerrar em baixa de 1,56%, ainda abaixo dos 70 mil pontos, aos 69.421,35 pontos - menor nível desde os 69.959,58 pontos de 30 de março de 2010. Na máxima, o índice operou estável, aos 70.522 pontos (estabilidade). No mês, a Bolsa passou a acumular perdas, de 1,35%, mas, no ano, ainda sobe, 1,22%. O giro financeiro totalizou R$ 7,697 bilhões
SEC
A SEC acusou o Goldman Sachs e um de seus vice-presidentes de fraudarem investidores ao declarar falsamente e omitir fatos-chave sobre um produto financeiro ligado a hipotecas subprime quando o mercado de moradia dos EUA estava começando a apresentar problemas. O Goldman Sachs rebateu as acusações e afirmou que elas são infundadas, mas isso não impediu que seus papéis despencassem em Wall Street (-12,79%).
Dow Jones
O Dow Jones acabou em baixa de 1,13%, aos 11.018,66 pontos, o S&P recuou 1,61%, aos 1.192,13 pontos, e o Nasdaq perdeu 1,37%, aos 2.481,26 pontos. Antes do Goldman, as bolsas já vinham operando em baixa, em reação aos balanços do Google e AMD, além dos indicadores fracos divulgados nos EUA, entre os quais o número de obras de imóveis residenciais iniciadas nos EUA em março (+1,6%, abaixo da previsão de +6,1%) e o índice de sentimento do consumidor preliminar de abril da pesquisa Reuters/Universidade de Michigan (69,5, de 73,6 em março e ante previsão de 75). A Grécia também continuava na mira dos investidores.
Petróleo
A fuga dos ativos de risco em direção aos Treasuries norte-americanos causou um congestionamento no mercado de petróleo, que teve os negócios interrompidos temporariamente na Nymex. No final, o contrato para maio recuou 2,65%, a US$ 83,24 o barril. O recuo desta commodity ajudou a pressionar para baixo as ações da Petrobras, que ainda sentiram a movimentação em torno do vencimento de opções sobre ações na próxima segunda-feira, além do imbróglio envolvendo a capitalização da estatal por causa do pré-sal. Petrobras ON terminou em baixa de 2,37% e PN, de 1,93%. Vale também sentiu a aversão a risco global, com a queda dos metais, e o vencimento de segunda-feira e recuou. A ON perdeu 1,38% e a PNA, 1,23%
Dólar
A ordem do dia de ontem foi buscar refúgio em ativos mais seguros. O dólar passou, então, a se valorizar ante o real e o euro, ainda que esteja em queda ante o iene, outra divisa considerada segura em momentos como esse.
No mercado à vista, o pronto da BM&F fechou ontem a R$ 1,7615, alta de 0,66%, enquanto a moeda no balcão subiu 0,40%, a R$ 1,7600, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,7660 e a mínima de R$ 1,7460. Na semana, o dólar acumulou recuo de 0,78% ante a divisa brasileira e, em abril, a depreciação é de 1,18% até o momento. Entre os contratos futuros, o de maio/2010, mais líquido, era negociado há pouco a R$ 1,7630, alta de 0,54%.
Banco Central
Com a moeda em alta, o Banco Central realizou apenas um leilão, depois de ter surpreendido os investidores com duas intervenções no mercado à vista ontem (algo que não acontecia desde julho de 2007). Para Knauer, ''dificilmente o BC voltará a ser tão agressivo como ontem se o dólar se mantiver acima de R$ 1,75''. O leilão de ontem aconteceu entre 12h24 e 12h34 e a taxa de corte foi fixada em R$ 1,7598.
Outras moedas
Entre as demais moedas, o euro era negociado a US$ 1,3507 perto das 16h55, de US$ 1,3577 no final da tarde de ontem em Nova York.
Juros
O mercado de juros encerrou ontem com as taxas perto dos ajustes anteriores. A sessão foi marcada por forte volatilidade, volume robusto de negócios e fatores técnicos a balizar os vencimentos, uma vez que a agenda doméstica trouxe somente o IPC-S da quadrissemana encerrada em 15 de abril. Ao término da negociação normal da BM&F, o DI junho de 2010 (119.290 contratos) projetava 9,11%, estável; o DI julho de 2010 (320.110 contratos) marcava 9,394%, de 9,39% ontem; o DI janeiro de 2011 (451.510 contratos) estava em 10,70%, de 10,71% no ajuste ontem. Nos longos, o DI janeiro de 2012 (298.690 contratos) passava de 11,97% para 11,96%; o DI janeiro de 2014 (24.610 contratos) tinha taxa de 12,59%, de 12,61% ontem.
A abertura dos negócios foi logo marcada pela continuidade da pressão nos DIs, sobretudo os longos, que bateram níveis de stop loss - o DI janeiro de 2012 chegou a romper a marca de 12% no intraday -, mas no meio da manhã o mercado passou a corrigir os exageros e as taxas caíram com força. Os prêmios elevados tornaram-se atrativos os vendedores, mas a queda arrefeceu à tarde.





