Lucros
A Bovespa operou mais uma vez na contramão de Wall Street, pressionada pela volatilidade decorrente do vencimento de opções sobre ações na próxima segunda-feira, pela perspectiva da alta da taxa de juros no Brasil e por uma realização de lucros. Petrobras e Vale tiveram giro bastante elevados e engordaram o movimento financeiro geral, que foi o maior de abril - desconsiderando-se o de anteontem, quando houve exercício de opções sobre Ibovespa.


Giro financeiro
O principal índice à vista caiu 0,72%, aos 70.524,35 pontos. Na mínima, registrou 70.429 pontos (-0,85%) e, na máxima, os 71.066 pontos (+0,04%). No mês, a Bolsa acumula alta de 0,22% e, no ano, de 2,82%. O giro financeiro totalizou R$ 8,582 bilhões, dos quais R$ 2,059 bilhões referem-se apenas à negociação com Vale PNA e R$ 1,474 bilhão, Petrobras PN. Um operador explicou que esse volume forte nas blue chips mais líquidas decorreu de operações casadas de papel com opções e vice-versa, por conta justamente do vencimento de segunda.


Negativo
Pela manhã, a Bovespa acompanhou o sinal negativo vindo de fora, com a volta de temores em relação à Grécia e dados ruins de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, além de uma realização de lucros no mercado acionário de lá depois de os índices renovarem as máximas do ano nas últimas sessões. No início da tarde, entretanto, Wall Street passou a subir, num movimento que não foi acompanhado pelo Ibovespa.


Emergentes
Na avaliação do gestor da Yield Capital Hersz Ferman, o recuo da Bovespa decorreu de uma aversão a risco em relação a Bolsas emergentes, como China e Brasil, com o temor de uma alta de juros iminente. A China divulgou ontem uma série de indicadores que mostraram a robustez da sua economia. E, embora os dados de inflação tenham mostrado que os preços estão sob controle, os investidores estão preocupados com um aperto monetário no país.


EUA
Nos EUA, os indicadores ontem tiveram trajetórias divergentes. Logo cedo, não agradaram os números de pedidos de auxílio-desemprego e a produção industrial, mas outros compensaram e as Bolsas subiram. O Dow Jones terminou em alta de 0,19%, aos 11.144,57 pontos. O S&P avançou 0,08%, aos 1.211,67 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,43%, aos 2.515,69 pontos.


Petrobras
No Brasil, Vale e Petrobras roubaram a cena, com volumes robustos. Os papéis continuam reagindo, respectivamente, ao reajuste do minério de ferro e ao imbróglio sobre a capitalização por causa do petróleo do pré-sal. Petrobras ON caiu 1,76% e PN, 1,90%. Na Nymex, o contrato para maio recuou 0,38%, para US$ 85,51. Vale ON recuou 0,12% e PNA subiu 0,57%.


Câmbio
O Banco Central surpreendeu o mercado ontem ao realizar dois leilões de compra de dólares no segmento spot, algo que não acontecia desde 13 de julho de 2007, segundo o próprio BC. A autoridade monetária passou a comprar dólares diariamente desde 8 de maio do ano passado, mas manteve desde então a prática de realizar apenas um leilão. Para os operadores, entretanto, a segunda atuação foi correta porque a primeira compra de ontem, feita até 12h52, ''não fez absolutamente nada'' na liquidez existente, segundo um profissional. Por isso, a alternativa foi voltar às compras, no leilão realizado até 15h19. No primeiro, a taxa de corte foi fixada em R$ 1,7424 e, no segundo, em R$ 1,744.


Intervenção
Após a segunda intervenção, a moeda, que caiu em boa parte da manhã e início da tarde, inverteu o sinal, passou a subir e voltou ao patamar de R$ 1,75, piso abandonado anteontem. Ontem, a divisa operou, inclusive, em R$ 1,7340, na mínima do dia (a máxima foi de R$ 1,7540). Ao final do pregão de ontem, o pronto da BM&F subiu 0,07%, a R$ 1,7499, enquanto a moeda no balcão teve apreciação de 0,34%, a R$ 1,7530.


Euro
No segmento de moedas, o euro era negociado a US$ 1,3567 perto das 16h40, ante os US$ 1,3657 do final da tarde de anteontem em Nova York, voltando a cair por pressões da Grécia.


Juros
Os dados vigorosos do Caged em março e no primeiro trimestre revelaram mais uma face do pulso da demanda doméstica e não deu outra: os juros futuros mantiveram-se em alta. E, pelo lado da inflação, o IGP-10 de abril não desacelerou a contento.


BM&F
Ao término da negociação normal da BM&F, o DI junho de 2010 - um dos que melhor reflete as apostas para a decisão do Copom em abril - projetava 9,105%, de 9,09% no ajuste de anteontem, com 273.325 contratos negociados; o DI julho de 2010 (426.010 contratos) estava em 9,39%, de 9,37% ontem; e o DI janeiro de 2011 (421.000 contratos), na máxima, avançava a 10,71%, de 10,66% no ajuste anterior. Nos longos, o DI janeiro de 2012 (243.390 contratos) avançava a 11,97% (máxima), de 11,89% anteontem; e o DI janeiro de 2014 (14.050 contratos), também na máxima, marcava 12,61%, de 12,43% anteontem.
(Agência Estado)

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