Para baixo
Os detalhes da ajuda que a zona do euro dará à Grécia, acertados anteontem, não se transformaram num pregão de ganhos à Bovespa. O mercado acionário doméstico descolou-se do internacional e passou por uma realização de lucros, pelo segundo pregão seguido. Embora a queda tenha sido generalizada, os papéis da Petrobras ajudaram a pressionar o índice para baixo, ao perderem mais de 2%.

Ibovespa
O Ibovespa terminou o dia ontem em baixa de 1,12%, aos 70.614,36. Na mínima, registrou 70.505 pontos (-1,28%) e, na máxima, os 71.607 pontos (+0,27%). No mês, sobe 0,35% e, no ano, 2,95%. O giro financeiro negociado totalizou R$ 5,868 bilhões.

Grécia
Ontem foi um dia tranquilo ao redor do globo, o que significa que o noticiário da Grécia tinha espaço para repercutir nos ativos. Mas seu impacto foi bastante limitado, já que os investidores já tinham precificado um acordo na semana passada. E o que se soube do final de semana ainda não põe um fim às preocupações com a economia grega - embora seja um grande passo para reduzir o contágio.

Zona do euro
Ficou acertado em encontro no final de semana entre os ministros de finanças da zona do euro 30 bilhões de euros aos gregos, apenas no primeiro ano do programa. E o juro que será pago no empréstimo é de 5% ao ano, aproximadamente, por três anos.

Confiança
Embora o anúncio do pacote tenha criado um clima de confiança entre os agentes, seu efeito recaiu principalmente sobre o euro. Os principais mercados de ações europeus fecharam perto da estabilidade ontem. Em Londres, o índice FTSE-100 avançou 6,67 pontos, ou 0,12%, fechando em 5.777,65 pontos. O índice Dax, da bolsa de valores de Frankfurt, ganhou 0,99 ponto, ou 0,02%, encerrando o pregão em 6.250,69 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 encerrou a sessão estável em 4.050,50 pontos.

Alcoa
Nos EUA, o sinal predominante na sessão foi positivo, parte por causa da Grécia, mas, sobretudo, por causa da expectativa de um balanço favorável da Alcoa, que saiu logo após o fechamento do mercado. Como ontem a agenda foi fraca e a semana terá eventos relevantes, como o CPI, o Livro Bege e depoimento de Bernanke, os investidores preferiram pisar no freio. O Dow Jones terminou o dia em alta de 0,08%, aos 11.005,97 pontos, pela primeira vez nesse patamar desde 26 setembro de 2008. O S&P avançou 0,18%, aos 1.196,48 pontos, e o Nasdaq subiu 0,16%, aos 2.457,87 pontos.

Vale
Na Bovespa, a realização de lucros foi generalizada. As mínimas foram se renovando à tarde e os papéis da Vale ON, que vinham se segurando em alta ainda repercutindo o noticiário do reajuste do minério de ferro e a mudança na sistemática de aumentos, de anual para trimestral, acabaram virando para baixo e ajudando a reforçar as perdas do índice. Vale ON terminou em baixa de 0,69% e Vale PNA, de 0,57%.

Petróleo
O petróleo, que até chegou a subir com a elevação da moeda europeia, acabou fechando em baixa de 0,68%, a US$ 84,34 o barril. A preocupação com os estoques elevados nos EUA acabou pesando sobre o ativo. O recuo da commodity refletiu nas ações da Petrobras, que, no entanto, sofreu um baque mais forte de declarações do presidente da empresa, Sérgio Gabrielli, sobre a capitalização. Ele demonstrou preocupação com o processo, que se encontra em discussões no Congresso. Porém, disse que a estatal não pretende apresentar nenhuma alternativa à capitalização com cessão onerosa até o fim do prazo estipulado. Petrobras ON recuou 2,92% e PN, 2,38%.

Câmbio
Ao mesmo tempo em que o pacote de ajuda à Grécia afasta os temores mais prementes de um default daquela nação, a fragilidade dos países da zona do euro contribui para fortalecer divisas como o real, o que fez com que o mercado doméstico vivesse ontem uma nova sessão de queda da moeda americana ante a brasileira (na semana passada, o dólar caiu em três das cinco sessões).

Recuo
Ao final deste primeiro pregão da semana, o pronto da BM&F fechou a R$ 1,7582, com recuo de 0,92%, enquanto a divisa no balcão fechou a R$ 1,7570, queda de 0,96% - maior recuo porcentual desde 29 de março. Ao longo do dia, a cotação máxima foi de R$ 1,7690 e a mínima, de R$ 1,7560. Problemas técnicos no site da Clearing de Câmbio impediam uma visualização correta do giro financeiro, mas, segundo a assessoria de imprensa da BM&F, ele era de US$ 3,230 bilhões perto das 16h15, similar ao volume de sexta-feira.

Piso
O pacote de ajuda à Grécia impulsionou a moeda do bloco. O euro chegou a se aproximar dos US$ 1,38 após o anúncio. Ainda que reine um viés de apreciação do real, o piso de R$ 1,75 parece ainda ser mantido diante dos temores de uma intervenção mais forte por parte do governo federal. Ontem, o Banco Central comprou moeda no mercado à vista - como faz diariamente desde 8 de maio do ano passado - até 15h48 e fixou a taxa de corte em R$ 1,7581.
(Agência Estado)

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