Na contramão
  Depois de subir 1,40% na quinta-feira, a Bovespa passou ontem por uma realização de lucros. Mas o movimento foi comedido, uma vez que as Bolsas norte-americanas seguiram a trajetória de alta da véspera e os temores referentes à situação grega arrefeceram. Os investidores promoveram vendas bastante espalhadas de papéis, mas a construção civil foi um dos setores que mais sentiram. Petrobras também pressionou o principal índice à vista para baixo, mas as vendas não foram fortes a ponto de levar o Ibovespa a perder o patamar de 71 mil pontos.


Em queda
  A Bolsa paulista terminou o dia em queda de 0,51%, aos 71.417,27 pontos. Na mínima, registrou 71.307 pontos (-0,67%) e, na máxima, 71.989 pontos (0,28%). Na semana, acumulou alta de 0,40%, no mês, de 1,49%, e, no ano, de 4,13%. O giro financeiro totalizou R$ 5,874 bilhões. O movimento na Bolsa paulista ontem foi contrário ao de quinta-feira: abriu em alta, mas virou para baixo logo em seguida. O sinal externo ontem, no entanto, era favorável, com as bolsas internacionais tendo terminado no azul já a partir da Ásia. Lá, compras de ocasião favoreceram os ganhos, enquanto, na Europa, a sinalização, ontem, foi a de que a situação grega estaria sob controle, já que cresceu a percepção de que o país terá mesmo de recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), com um pacote de ajuda que conta com o aval da União Europeia (UE).


Bons ares
  Nos EUA, além do clima melhor na Europa, também favoreceram a manutenção dos índices em alta pelo segundo dia consecutivo os dados de estoques divulgados ontem. Os números mostraram aumento de 0,6% em fevereiro, para US$ 393,48 bilhões, enquanto as vendas dos atacadistas norte-americanos aumentaram 0,8%, para o valor sazonalmente ajustado de US$ 338,66 bilhões, segundo o Departamento do Comércio do país. O resultado do mês passado foi o maior ganho porcentual desde novembro do ano passado e atribuído ao fato de as empresas estarem reabastecendo as prateleiras para atender à crescente demanda dos consumidores. Dow Jones terminou em alta de 0,64%, aos 10.997,35 pontos, S&P terminou em elevação de 0,67%, aos 1.194,37 pontos, e Nasdaq com ganho de 0,71%, aos 2.454,05 pontos.

Apetite
  A melhora da percepção sobre a situação grega proporcionou alta do euro ante o dólar, num apetite ao risco que influenciou também a elevação dos metais. Esse desempenho ajudou a conter as vendas de Vale. A ação ON terminou em baixa de 0,19% e a PNA em alta de 0,18%. Petrobras terminou em queda de 1,19% na ON e de 1,62% na PN. Na Nymex, o contrato do petróleo para maio recuou 0,55%, a US$ 84,92.

Perdas
  O setor de construção civil, que passou por uma recuperação nessa semana, esteve entre as maiores quedas do Ibovespa ontem. MRV ON liderou as perdas, com -3,51%, seguida por Gafisa ON (-2,48%) e MMX ON (-2,41%). Na quarta colocação, PDG ON perdeu 2,36%.

Consecutivo
  O dólar fechou ontem seu terceiro pregão de queda da semana, em um dia em que a divisa americana perdeu de boa parte dos seus pares, mas a baixa ante o real foi bem mais leve que sobre o Euro. Enquanto o pronto da BM&F avançou 0,03%, perto da estabilidade, a R$ 1,7745, no balcão a moeda recuou 0,22%, a R$ 1,7740, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,7760 e a mínima de R$ 1,7690. Na semana, o dólar teve apreciação de 0,28%, mas em 2010 acumula alta de 1,78%. O giro financeiro foi inferior ao de quinta-feira de US$ 2,770 bilhões nas operações com liquidação em dois dias, ante os US$ 4,283 bilhões de quinta-feira.


Tensão
  O mercado de juros encerrou a semana de forma tensa, com as taxas em alta firme, volume robusto e alguns contratos atingindo níveis de stop loss, como por exemplo, o DI janeiro de 2012. Ao término da negociação normal da BM&F, os principais vencimentos estavam nas máximas do dia. O DI julho de 2010 (202.670 contratos) subia a 9,30%, de 9,27% quinta-feira; o DI janeiro de 2011 (434.435 contratos) avançava de 10,46% para 10,52%; o DI janeiro de 2012 (270.050 contratos) estava em 11,79%, de 11,70% no ajuste de ontem.


Bolsa de Tóquio
  A Bolsa de Tóquio fechou em alta ontem, com previsões otimistas para os ganhos das varejistas Fast Retailing e Seven & i Holdings ajudando a compensar as contínuas realizações de lucros e as correções das ações do setor de tecnologia. O índice Nikkei 225 registrou alta de 36,14 pontos, ou 0,3%, e fechou aos 11.204,34 pontos. O volume foi relativamente forte, totalizando mais de 2,2 bilhões de ações, superando a marca de 2 bilhões pela oitava vez nas últimas nove sessões. Na semana, o Nikkei recuou 0,7%. No ano, registra alta de 6,2%. Os recentes movimentos do mercado podem prenunciar uma negociação mais fraca nos próximos dias, informou o gerente-geral da Nikko Cordial Securities, Hiroichi Nishi.

Das agências

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