MERCADO FINANCEIRO
Para cima
A Bovespa, ontem, ameaçou pela manhã ampliar a queda de 0,7% acumulada nas duas sessões anteriores, ao acompanhar o desempenho negativo nos mercados internacionais. Mas o ingresso de recursos externos levou a uma inversão para cima, ainda antes do almoço, do principal índice à vista, que depois teve os ganhos elevados com a melhora das bolsas norte-americanas. Vale continuou como uma das principais contribuições de alta ao índice, hoje com a ajuda do setor financeiro e de construção civil.
Giro
O Ibovespa terminou o dia em alta de 1,40%, aos 71.784,78 pontos, maior patamar de 2010 e maior nível desde os 71.897,2 pontos de 2 de junho de 2008. Na mínima do dia, registrou 70.462 pontos (-0,47%) e, na máxima, os 71.805 pontos (+1,43%). No mês, acumula alta de 2,01% e, no ano, de 4,66%. O giro financeiro totalizou R$ 6,781 bilhões.
EUA
Além dos recursos estrangeiros, também contribuíram para o desempenho doméstico os dados do varejo conhecidos nos EUA, que levaram os índices norte-americanos a subir. De acordo com a Thomson Reuters, as vendas no conceito mesmas lojas subiram 9,1% no mês passado, o melhor resultado mensal desde que a instituição começou a acompanhar os dados, há uma década.
Fusão
Foi citada ainda a notícia sobre uma potencial fusão entre a US Airways e a UAL - controladora da United Airlines. Se confirmado, o negócio vai criar a segunda maior companhia aérea dos Estados Unidos. Dow Jones terminou em alta de 0,27%, aos 10.927,07 pontos, S&P avançou 0,34%, aos 1.186,43 pontos, e Nasdaq subiu 0,23%, aos 2.436,81 pontos.
Auxílio-desemprego
Mais cedo, os dados de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na semana até 3 de abril não vieram bons e reforçaram o clima negativo que já predominava na Europa. Segundo o Departamento de Trabalho norte-americano, o número de trabalhadores que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego subiu 18 mil, ante expectativa dos economistas de queda de 1 mil pedidos.
Europa
Na Europa, as bolsas recuaram com os incessantes temores a respeito da saúde financeira da Grécia. A Bolsa de Atenas chegou a despencar mais de 5% durante a sessão, com os temores de que o país não consiga cumprir suas obrigações com dívida diante dos elevados custos atuais para tomada de empréstimo e rumores de fuga de capital dos bancos.
Atenas
A Bolsa de Atenas acabou fechando em queda menor, de 3,1%, aos 1.925,82 pontos, com as ações de bancos entre as maiores baixas, depois que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, declarou que um calote da Grécia não está em questão e pelos números melhores do que o esperado sobre o déficit orçamentário do país do primeiro trimestre.
Bancos
No Brasil, os bancos também foram destaque, mas de ganho. Itaú Unibanco PN esteve entre as maiores altas, ao subir 3,58%. A instituição captou US$ 1 bilhão através de uma emissão de bônus de 10 anos, oferecendo um yield (taxa de retorno) de 6,261%, segundo uma fonte próxima à operação. Bradesco PN subiu 3,14% e Banco do Brasil ON, 2,60%.
Vale
A Vale seguiu em alta, com destaque para as ações ON, que avançaram 2,29%. As PNA subiram 1,49%. Os investidores continuam repercutindo a nova sistemática de preços - trimestral - que deve ser bastante positiva à mineradora. Petrobras caiu 0,52% na ON e subiu 0,03% na PN. Na Nymex, o contrato do petróleo para maio recuou 0,57%, a US$ 85,39 o barril.
BM&F
A divisa abriu em alta, mas passou a cair no período da tarde, na medida em que as bolsas norte-americanas também invertiam o sinal e a brasileira passava a avançar mais de 1%. Ao final do pregão, o pronto da BM&F fechou a R$ 1,7740, queda de 0,29%, enquanto no balcão a moeda fechou em ligeira alta, de 0,11%, a R$ 1,7780. O giro financeiro das operações em D+2 também foi mais robusto que ontem: US$ 4,4 bilhões, segundo a Renascença Corretora, ante os US$ 3,2 bilhões de anteontem. No segmento futuro, o contrato para maio, mais líquido, caía 0,20%, a R$ 1,7855.
Tesouro nacional
Segundo os operadores, o cenário continua favorável à depreciação do dólar no mercado local, mas o piso de R$ 1,75 não deve ser rompido, já que nele o mercado teme a intervenção federal, via Tesouro Nacional ou Banco Central. Ontem, o BC realizou leilão de compra no mercado à vista até 12h07 e fixou a taxa de corte em R$ 1,7828.
Câmbio
O IPCA de março teve forte desaceleração em relação a fevereiro, conforme previsto, e trouxe alguns dos núcleos comportados, o que, no entanto, não foi suficiente para trazer alívio aos juros futuros no término da negociação normal da BM&F. Os vencimentos de curto e médio prazos encerraram levemente pressionados e os longos, a partir de 2012, em alta, influenciados adicionalmente pelas operações relacionadas ao leilão de prefixados do Tesouro.
(Agência Estado)





