MERCADO FINANCEIRO
Risco global
Depois de um breve intervalo anteontem, a aversão a risco global voltou a diminuir ontem e as Bolsas globais retomaram a trajetória de alta. A ajuda ao Dubai World e declarações do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, aliviaram os temores sobre a Grécia, enquanto o dado de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA reforçou as compras de ações em Wall Street. Aqui, a Bovespa acompanhou essa trajetória até o meio da tarde, mas o ritmo foi perdendo fôlego e o índice passou a cair, seguindo Nova York. Ao contrário de anteontem, as ações da Petrobras recuaram e, na hora final, esse movimento ganhou reforço de papéis de peso, como Vale e siderúrgicas.
Ibovespa
O Ibovespa terminou em baixa de 0,68%, aos 68.441,66 pontos - menor nível desde 4 de março (67.814,71 pontos). Na mínima, registrou 68.377 pontos (-0,78%) e, na máxima, os 69.572 pontos (+0,96%). No mês, a Bolsa sobe 2,92%, mas, no ano, voltou a cair, 0,21%. O giro financeiro totalizou R$ 5,476 bilhões.
Dubai
O governo de Dubai anunciou ontem que decidiu injetar US$ 9,5 bilhões no Dubai World, o que alimenta a esperança de que também a Grécia terá uma solução caseira. Na Europa, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, afirmou que a instituição vai continuar aceitando bônus com rating BBB - como colateral no próximo ano - o que beneficia os títulos gregos. A notícia ganha relevância à medida que cresce a pressão externa para uma solução ao país europeu. As Bolsas da região subiram.
EUA
Nos EUA, o dado de pedidos de auxílio-desemprego e declarações do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, foram benéficos, mas, no final, as Bolsas viraram, principalmente porque se aproximaram de pontos importantes de resistência, sem força para ultrapassá-los. O Dow Jones ainda conseguiu sustentar uma alta tímida, de 0,05%, aos 10.841,21 pontos, o S&P caiu 0,17%, aos 1.165,73 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,06%, aos 2.397,41pontos.
Petrobras
No Brasil, as ações da Petrobras já vinham operando em baixa, com vendas de estrangeiros, e ampliaram a queda no final. O petróleo também recuou, mas as perdas foram muito menores, de apenas 0,10% no contrato para maio, a US$ 80,53 o barril. Petrobras ON caiu 2,11% e PN, 2,47%.
Vale
A Vale, que operou o dia todo em alta, acabou também perdendo o ritmo no final e caiu, embora a maioria dos preços das commodities metálicas tenha subido. A ação ON recuou 0,72% e a PNA, 0,68%. O Goldman Sachs elevou ontem sua previsão de alta para o minério de ferro em 2010 de 35% para 60% e do aumento no carvão metalúrgico de 40% para 55%. Nas siderúrgicas, apenas Usiminas PNA não caiu: fechou estável. Gerdau PN terminou em baixa de 1,01%, Metalúrgica Gerdau PN, de 0,88%, e CSN ON, de 1,58%.
Câmbio
Enquanto digere as medidas anunciadas na noite de anteontem pelo Banco Central para desburocratizar e modernizar as operações de câmbio, o investidor aproveitou o ambiente hostil no exterior para detonar processos de compra à moeda americana, que marcou ontem nova alta ante o real. Há quem acredite que a expectativa de maior fluxo com as medidas liberalizantes de anteontem também possa ter contribuído.
BM&F
O pronto da BM&F fechou em alta de 0,48%, a R$ 1,8091, enquanto no balcão a moeda teve apreciação de 0,50%, a R$ 1,8090, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,8100 e a mínima de R$ 1,7920. Entre anteontem e ontem, a moeda americana acumula alta de 1,80% e, em 2010, +3,79%. O volume financeiro projetado pela Renascença Corretora do mercado à vista era de US$ 1 bilhão para operações em D+2, inferior ante os US$ 2,257 bilhões de anteontem. Entre os contratos futuros, o de abril (mais líquido) subia 0,75%, a R$ 1,8165 no final da tarde de ontem.
Euro
O euro aprofundou as perdas, que já haviam sido fortes anteontem com o rebaixamento de uma das notas de Portugal, depois que, na manhã de ontem, o vice-presidente do Banco do Povo da China, Zhu Min, disse em uma palestra em Hong Kong que ''a Grécia não é o único caso, só deve ser a ponta do iceberg'' e que ontem as maiores preocupações estavam em Espanha e Itália. Perto das 16h40, o euro era negociado a US$ 1,3289, de US$ 1,3324 no final da tarde de anteontem em Nova York, enquanto o dólar avançava a 92,81 ienes, de 90,14 ienes anteontem.
Juros
A ata do Copom confirmou a expectativa do mercado ao praticamente explicitar que a Selic subirá em abril e os juros de curto e médio prazos tiveram ligeiro avanço, enquanto os vencimentos longos cederam. Ao término da negociação normal da BM&F, o DI junho de 2010 (71.545 contratos) subia de 8,91% para 8,93%; o DI julho de 2010 (391.370 contratos) projetava 9,16%, de 9,14% no ajuste de anteontem; o DI janeiro de 2011 (528.125 contratos) estava em 10,36%, de 10,32% anteontem; o DI janeiro de 2012 (156.810 contratos) passava de 11,69% para 11,70%; e o DI janeiro de 2014 (25.000 contratos) estava em 12,11%, de 12,19% anteontem.
(Agência Estado)





