Novo sistema


As ações da Vale roubaram a cena na Bovespa, sustentando o índice à vista em alta praticamente toda a sessão. Os investidores se avolumaram nas compras depois da notícia de que a mineradora teria adotado um novo sistema de precificação do minério de ferro, que resultaria num reajuste de até 114%. Como o porcentual supera as já gordas estimativas, que atingem até 90%, os papéis brilharam na sessão, liderando as compras e espalhando o efeito positivo também para o setor siderúrgico.

Ibovespa

O Ibovespa terminou o dia com elevação de 0,50%, aos 69.386,72 pontos. Na mínima, registrou 68.913 pontos (-0,19%) e, na máxima, os 69.613 pontos (+0,83%). No mês, a Bolsa sobe 4,34%, e, no ano, 1,16%. O giro financeiro totalizou R$ 5,895 bilhões.

Clientes

A notícia que movimentou o mercado foi a de que a mineradora teria enviado um documento a seus clientes mundiais informando que reajustaria o minério de ferro em 114%, a partir de abril, com adoção de novo sistema de preços. No começo da tarde, no entanto, a Vale disse que ''não fez qualquer novo comunicado ao mercado de capitais sobre preços de seus produtos'', mas reiterou que ''nos últimos tempos'' implementou uma nova política comercial, mais flexível quanto à forma de venda. Segundo a Vale, ''tal política reflete a realidade de mercado e as necessidades específicas de cada cliente''.

Papéis


Fato ou boato, os investidores passaram a se posicionar na ponta comprada dos papéis, que subiram 3,54% na ação ON - prova de maior presença de estrangeiros - e de 2,60% na PNA. Esta última ação movimentou, sozinha, R$ 1,078 bilhão. O desempenho da Vale também acabou ecoando sobre as ações da MMX, que subiram 5,56% na ON - maior alta do Ibovespa - e nos papéis de CSN ON (+4,28%) e Usiminas PNA (+2,10%), que detêm ativos em mineração. Gerdau PN subiu 0,30% e Metalúrgica Gerdau PN, 0,12%.

Petrobras


Segundo os analistas, muitos investidores se desfizeram de Petrobras para se posicionar em Vale, em razão do horizonte mais nebuloso sobre a empresa petrolífera. O maior endividamento e a capitalização dentro do marco do pré-sal foram citados como pontos negativos aos papéis da estatal. Petrobras ON perdeu 1,60% e PN, 1,16%. Na Nymex, o contrato para maio avançou 0,38%, a US$ 81,91.

Dow Jones


O comportamento dos papéis da mineradora acabou dando brilho a um pregão que tinha tudo para ser novamente arrastado, uma vez que os investidores ainda não estão encontrando justificativas para empurrar o Ibovespa de volta aos 70 mil pontos e para uma nova máxima de 2010. A Bovespa subiu menos que as norte-americanas. O Dow Jones terminou com alta de 0,95%, aos 10.888,83 pontos, o S&P avançou 0,72%, aos 1.174,17 pontos. Os dois índices terminaram no maior nível desde 26 de setembro de 2008.

Nasdaq


O Nasdaq subiu 0,83%, aos 2.415,24 pontos. Dois índices foram conhecidos hoje, o de atividade regional do setor de manufatura, que subiu para +6 em março, de +2 em fevereiro, segundo o Federal Reserve de Richmond, e o dado de vendas de imóveis residenciais usados, que caíram 0,6% em fevereiro, ante previsão de - 2%.

Câmbio


O dólar valorizou-se ante boa parte das moedas ontem, mas teve forte queda ante o real, em um movimento visto por especialistas como reflexo da atuação dos bancos para apreciar a moeda nacional, depois de terem revertido sua posição de comprados para vendidos. Outros operadores citam a possível entrada dos recursos para a oferta da OSX ou mesmo a perspectiva de fechamento do preço da oferta da Gafisa. O fato é que o pronto na BM&F fechou ontem com queda de 1,08%, a R$ 1,7805, enquanto no balcão a moeda recuou 1,28%, a R$ 1,7770, na mínima do dia (a máxima foi de R$ 1,7920). O giro financeiro projetado pela Renascença Corretora para as operações em D+2 era de US$ 3,3 bilhões, superior aos US$ 2,7 bilhões de anteontem.

Banco Central


Anteontem, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, informou que os bancos inverteram sua posição no mercado cambial nas últimas semanas. Em 18 de março, as instituições financeiras estavam vendidas em US$ 3,356 bilhões, enquanto no fim de fevereiro os bancos estavam comprados em US$ 2,070 bilhões.

Juros


Os juros futuros terminaram a negociação normal da BM&F próximos dos níveis de ajuste da véspera nos contratos de curto e médio prazos, enquanto os vencimentos longos apresentaram leve baixa. O IPCA-15 de março não confirmou as expectativas fomentadas ontem no final do pregão de que viria perto do piso das previsões (0,50%) ao ficar em linha com a mediana da pesquisa AE Projeções, de 0,55%, mas chegou a colocar as taxas em rota de queda na primeira parte dos negócios. Os dados de crédito referentes a fevereiro foram positivos, mostrando expansão dos empréstimos, acompanhada de queda nos juros, nos spreads e na taxa de inadimplência.

(Agência Estado)

mockup