MERCADO FINANCEIRO
Dólar
A cotação da moeda americana recuou para o seu menor nível desde 19 de janeiro, acumulando o seu quinto dia de queda somente neste mês. Profissionais do mercado apontam o ''retorno'' dos investidores estrangeiros à praça brasileira como um dos principais motivos que afetam a formação dos preços. O dólar comercial foi vendido por R$ 1,773, em queda de 0,50%, nas últimas operações de hoje. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,783 e R$ 1,767. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,880, em baixa de 0,52%.
Juros futuros
No mercado futuro de juros, que serve de referência para os juros bancários, as taxas projetadas voltaram a subir nos contratos mais negociados. A FGV (Fundação Getulio Vargas) apontou inflação de 0,95% no início de março, pela leitura do IGP-M, em sua primeira estimativa do mês. Na abertura de fevereiro, o mesmo índice teve variação de 0,98%. Nesta semana, todos os índices de preços já divulgados mostraram aceleração dos preços. No contrato que aponta os juros para outubro de 2010, a taxa prevista passou de 9,92% ao ano para 9,95%; no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada avançou de 10,43% para 10,46%. E no contrato de janeiro de 2012, a taxa projetada aumentou de 11,53% para 1,58%. Esses números são preliminares e podem sofrer ajustes.
Fluxo cambial
A saída de dólares superou a entrada no Brasil em março e o fluxo cambial ficou negativo em US$ 1,2 bilhão até o dia 5. De acordo com dados do Banco Central, somente no dia 1º houve uma saída no setor financeiro, que inclui aplicações, investimentos, gastos e remessas de lucros, de US$ 1,32 bilhão.
Em fevereiro, o fluxo cambial encerrou o mês negativo pela primeira vez em 11 meses, em US$ 399 milhões. No acumulado do ano, o fluxo cambial é negativo em US$ 530 milhões - no mesmo período do ano passado era negativo em US$ 2,85 bilhões.
Negativo
O setor financeiro registrou fluxo negativo de US$ 908 milhões em março, ou seja, entraram mais recursos do que saíram no país nessa conta. Também a área comercial, que registra as compras e vendas de produtos entre o Brasil e outros países, teve resultado negativo de US$ 297 milhões. No ano passado, o fluxo cambial foi positivo em US$ 28,7 bilhões. A grande entrada de dólares no Brasil contribuiu para derrubar a cotação da moeda norte-americana.
Reservas
O Banco Central divulgou também dados relativos às intervenções da autoridade monetária no mercado de dólar. Em março, a autoridade monetária comprou US$ 797 milhões no mercado de dólar à vista, valor que afeta os níveis das reservas internacionais, que até anteontem estavam em US$ 241,3 bilhões, segundo o BC.
Vale
A brasileira Vale propôs um aumento de mais de 90% no preço do minério de ferro nas negociações com siderúrgicas japonesas para o ano fiscal 2010, segundo informou a edição matutina de ontem do jornal The Nikkei. A Vale - maior produtora mundial de minério de ferro - fornece quase 30% de todo o minério de ferro transportado por mar. No ano fiscal 2009, a companhia vendeu a matéria prima a um preço ao redor de US$ 55 por tonelada. No passado, os preços eram negociados para anos fiscais completos, contudo, a proposta feita vale apenas para o trimestre abril/junho.
Alta
O setor atacadista americano apresentou em janeiro a décima alta seguida nas suas vendas, enquanto os estoques recuaram, informou o Departamento de Comércio dos EUA. Segundo os dados divulgados ontem, as vendas do setor tiveram uma alta de 1,3%, o maior avanço desde novembro do ano passado. Já os estoques recuaram 0,2% em janeiro, contra uma queda de 1% em dezembro.
O dado surpreendeu os analistas. Eles apostavam que os estoques teriam elevação de 0,2% no mês retrasado.
Recuperação
Para analistas, os dados sugerem que o setor comercial está se recuperando após a crise financeira global, mas os atacadistas seguem temerosos em refazer seus estoques. Eles acreditam que, quando isso ocorrer, a produção industrial mostrará melhor desempenho em seguida e completará o ciclo necessário para que a economia americana saia definitivamente da crise. Com a queda nos estoques em janeiro, a razão entre estoques e vendas recuou para 1,1. O que significa que é necessário 1,1 mês para que seja vendido o que está estocado.
Retaliação
O presidente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), Roque Pellizzaro Junior, disse ontem que a retaliação brasileira a produtos norte-americanos poderá levar a um aumento nas taxas de juros no Brasil. Segundo ele, a sobretaxa à importação de produtos dos Estados Unidos causará um aumento nos preços internos, o que pressiona a inflação e pode fazer com que o Banco Central aumente a taxa básica de juros (Selic).
Pressão
''Isso acontecendo pode haver uma pressão inflacionária e pode haver um aumento na taxa de juros. A gente espera que o governo brasileiro e americano se acertem e não haja essa necessidade'', afirmou Pellizzaro Júnior. Ele diz que o risco de aumento nos preços é maior em setores como o trigo, em que a dependência dos EUA é significativa. ''Não se apresentou substituto (para o fornecimento). Nesse momento não sei se seria a melhor alternativa'', completou.





