MERCADO FINANCEIRO
Em evidência
A Petrobras roubou a cena na Bovespa ontem: as ações movimentaram 25% do giro financeiro e turbinaram os ganhos do índice, que superou em muito as altas vistas nas Bolsas norte-americanas - suas principais referências - e chegou a flertar com os 70 mil pontos. O investidor estrangeiro voltou com apetite revigorado ontem e, além da estatal do petróleo, sobraram para outros papéis, tanto que apenas sete ações recuaram ontem no índice.
Em alta
O Ibovespa subiu 1,46%, aos 69.576,38 pontos, maior nível desde os 69.908,59 pontos de 19 de janeiro. Na mínima, registrou 68.255 pontos (-0,47%) e, na máxima, os 70.144 pontos (+2,29%). No mês, acumula ganho de 4,62% e, no ano, de 1,44%. O giro financeiro totalizou R$ 10,008 bilhões, o maior do ano, dos quais R$ 2,484 bilhões foram movimentados apenas por Petrobras PN.
Reflexos
Segundo profissionais do mercado, uma das principais razões para esse volume inflado dos papéis da estatal decorre de uma operação direta. Mas, depois, as ações contaram com o ímpeto comprador dos estrangeiros, que aproveitaram a agenda vazia e o clima mais ameno no exterior para se posicionarem na compra. Como os papéis estavam atrasados em relação, por exemplo, à outra blue chip Vale, isso atraiu mais negócios. Outra explicação é que há vencimento de opções sobre ações na próxima semana, onde Vale e Petrobras são as estrelas. Também foi citado o plano de investimentos da estatal, de R$ 79,5 bilhões este ano.
Estrela
As ações ON da Petrobras subiram 1,85% e as PN, 2,24%. Na Nymex, o petróleo fechou no sentido contrário, ou seja, recuou 0,50%, a US$ 81,50 o barril no contrato para abril. Com tal desempenho, a Petrobras acabou tirando um pouco do brilho dos papéis ON da CSN, que subiram 3,93%, e lideraram os ganhos do Ibovespa em boa parte do dia. A ação, que já havia se destacado segunda-feira após o Itaú Unibanco a colocar como Top Pick, caiu no gosto do investidor ontem depois que o presidente da empresa, Benjamin Steinbruch, ter anunciado que o IPO da mina Casa de Pedra pode sair até o final do semestre.
Tímida
No exterior, as Bolsas norte-americanas operaram praticamente a sessão toda em alta, bem mais tímida do que a vista aqui, e chegaram a perder fôlego na hora final. Dow Jones terminou em alta de 0,11%, aos 10.564,38 pontos, S&P avançou 0,17%, aos 1.140,44 pontos, e Nasdaq ganhou 0,36%, aos 2.340,68 pontos. Já as bolsas europeias marcaram o aniversário de um ano do piso da crise com um final de sessão estável. O FTSE-100 da Bolsa de Londres caiu 0,08% para 5.602,30 pontos, o índice DAX da Bolsa de Frankfurt avançou 0,17% para 5.885,89 pontos e o índice CAC-40 da Bolsa de Paris ganhou 0,17% para 3.910,01 pontos. O índice IBEX-35 da Bolsa de Madri recuou 0,68% para 11.002,80 pontos.
Outro foco
O apetite dos investidores se voltou ontem para as ações, tirando força da alta do dólar que se desenhava pela manhã ante o real. Ao final do pregão, o pronto na BM&F teve queda de 0,61%, a R$ 1,7790, enquanto a moeda no balcão recuou 0,45%, a R$ 1,7800 - menor cotação desde 20 de janeiro (de R$ 1,792) -, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,8010 e a mínima de R$ 1,7770. O giro financeiro das operações em D+2 foi de US$ 3,4 bilhões, ante os US$ 3,319 bilhões de segunda-feira.
Refúgio
Divisas como o euro e a libra sofreram em parte do dia as consequências de um alerta das agências de classificação de risco sobre a deterioração da qualidade do crédito na Europa, levando os investidores a se refugiarem no dólar e no iene. Perto das 16h40, o euro era negociado a US$ 1,3606, ante os US$ 1,3566 no final da tarde de segunda-feira. A libra caía para US$ 1,4998, de US$ 1,4975. Já o dólar valia 90 ienes, ante 90,26 de segunda-feira. O BC voltou a comprar dólares no mercado à vista essa tarde e fixou a taxa de corte em R$ 1,7805.
Juros
O mercado de juros continuou oscilando entre bandas estreitas ontem em que a divulgação do IPC-Fipe da primeira quadrissemana de março figurou como único evento relevante da agenda doméstica, sem, no entanto, ter motivado ajustes firmes nas taxas futuras.
Movimento
O volume negociado recuperou-se em relação ao que foi visto segunda-feira. Ao término da sessão normal da BM&F, o DI janeiro de 2011 (361.390 contratos) projetava 10,42%, de 10,41% de segunda-feira; o DI abril de 2010 (236.770 contratos) estava em 8,751%, de 8,75% de segunda-feira. O DI julho de 2010 (156.525 contratos), estável, marcava 9,25%. Os contratos mais longos tiveram uma manhã de queda, mas zeravam o recuo na hora final da negociação normal. O DI janeiro de 2012 (165.020 contratos) projetava 11,53%, mesmo patamar do ajuste de segunda-feira.
Das agências





