Desempenho coroado

O desempenho da Bovespa ontem coroou o ótimo desempenho da semana, onde o principal índice subiu em quatro das cinco sessões. Por causa dos dados do mercado de trabalho norte-americano, das notícias a respeito do reajuste do minério de ferro e o clima melhor na Europa, o Ibovespa retomou os 68 mil pontos, nível em que pisou pela última vez em janeiro. Vale foi o principal destaque do pregão, assim como na véspera, mas Petrobras também não desapontou, principalmente por causa do retorno, em peso, dos recursos de investidores estrangeiros.

Ibovespa

O Ibovespa terminou o dia em alta de 1,52%, aos 68.846,50 pontos, maior nível desde os 69.908,59 pontos de 19 de janeiro. No desempenho da semana, que coincide com o do mês, acumulou alta de 3,52%. No ano, voltou a acumular ganho, de 0,38%, o que não acontecia também desde 19 de janeiro (quando a alta acumulada atingia 1,93%). Na mínima do dia, registrou 67.823 pontos (+0,01%) e, na máxima, os 68.930 pontos (+1,65%). Engordado pelo fluxo externo, o giro financeiro totalizou R$ 8,037 bilhões, bem acima da média diária de fevereiro, de R$ 6,558 bilhões, e também da de março até ontem (R$ 6,259 bilhões, segundo o site da BM&FBovespa).

Reação favorável

Tudo ontem conspirou a favor do mercado acionário, mas o dado mais relevante do dia foi proporcionado pelo Departamento de Trabalho norte-americano, que anunciou corte de 36 mil vagas em fevereiro, menos da metade que as 75 mil previstas pelos economistas. A reação imediata foi a busca por ativos de risco, e isso inclui as commodities, que ainda se esbaldaram com as declarações do primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, no discurso anual de abertura do Congresso Nacional do Povo. O premiê previu que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá em torno de 8% neste ano.

Finanças gregas

O último componente a favorecer as Bolsas, no geral, e a Bovespa, no particular, foi a menor tensão com as finanças públicas gregas. O Parlamento da Grécia aprovou ontem o pacote de austeridade de 4,8 bilhões de euros, anunciado pelo governo na última quarta-feira. As bolsas europeias fecharam em alta, assim como as americanas. O Dow Jones subiu 1,17%, aos 10.566,20 pontos, o S&P avançou 1,40%, aos 1.138,69 pontos, e o Nasdaq ganhou 1,48%, aos 2.326,35 pontos.

Ações da Vale

De volta ao Brasil, Vale continua concentrando as atenções, uma vez que ganham força as discussões para o reajuste dos preços do minério de ferro. Os porcentuais citados são bastante robustos e chegam a até 80%. Vale ON terminou em alta de 3,23%, mais do que a PNA (2,93%), por causa dos estrangeiros, que se concentram nas ações ordinárias. Mas foi a preferencial que liderou o giro individual do Ibovespa ontem, com R$ 1,293 bilhão. Petrobras ON subiu 2,04% e PN, 1,73%. Na Nymex, o contrato do petróleo para abril subiu 1,61%, a US$ 81,50 o barril.

Câmbio

Depois de duas altas nos últimos dias e de uma semana de bastante volatilidade, o dólar caiu ontem ante a moeda local. O pronto da BM&F fechou a R$ 1,7843, queda de 0,37%, enquanto a divisa no balcão caiu 0,33%, a R$ 1,7860, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,7900 e a mínima de R$ 1,7770. Na semana, o dólar caiu 1,10%, mas no ano ainda acumula alta de 2,47%. O giro financeiro das operações com liquidação em dois dias (D+2) foi de US$ 1,7 bilhão, ante os US$ 1,753 bilhão de anteontem. O euro era negociado a US$ 1,3615 perto das 16h45, abaixo dos US$ 1,3576 no final da tarde de ontem em Nova York.

Juros

O IPCA de fevereiro abaixo da mediana das previsões abriu espaço para que os juros futuros devolvessem prêmios, resultando em queda firme para as taxas. Na quinta-feira, o mercado hesitou nas ordens de venda, mesmo com os números considerados tranquilos sobre a indústria, à espera do que poderia trazer o índice de inflação de anteontem.

Contratos

O mercado teve um volume exuberante de contratos negociados e, ao término da negociação normal da BM&F, o DI janeiro de 2011 (553.900 contratos) caía a 10,41%, de 10,48% no ajuste de ontem. O DI abril de 2010 (353.335 contratos) projetava 8,75%, de 8,76% no ajuste de ontem; o DI julho de 2010 (213.435 contratos) recuava a 9,25%, de 9,33% no ajuste de ontem; e o DI janeiro de 2012 (154.665 contratos) cedia de 11,62% para 11,58%.

Inflação

O IPCA de fevereiro, de 0,78%, ficou levemente acima do resultado de janeiro (0,75%), mas registrou importante desaceleração em comparação com o IPCA-15 de fevereiro, de 0,94%. Segundo pesquisa AE Projeções, o intervalo das estimativas para o IPCA de fevereiro ia de 0,70% a 0,85%, com mediana de 0,81%. No acumulado em 12 meses, o índice acumulou alta de 4,83% até o mês passado. Operadores comentaram que ontem foram montadas muitas posições tomadas que contavam com um indicador acima de 0,80%.

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