MERCADO FINANCEIRO
Volátil
A Bovespa teve um pregão extremamente volátil ontem, a despeito de as bolsas norte-americanas operarem em alta. O volume mais fraco contribuiu para o mercado acionário doméstico - já dividido entre o otimismo em torno do reajuste do minério de ferro e a cautela decorrente das dúvidas com os problemas da Grécia - ficar à deriva.
Ibovespa
O Ibovespa terminou ontem em alta de 0,26%, aos 67.814,71 pontos. Na mínima, registrou 66.924 pontos (-1,06%) e, na máxima, os 68.198 pontos (+0,82%). No mês, a Bolsa sobe 1,97% e, no ano, cai 1,13%. O giro financeiro foi bem mais magro que o de anteontem e somou R$ 5,561 bilhões.
Giro
Os sinais emitidos ontem pelo mercado externo foram contraditórios e, nesse game, a Bovespa acabou sofrendo principalmente porque o giro foi menor, o que significa dizer que as operações são amplificadas e têm maior poder para conduzir o índice. Embora Nova York tenha subido o dia todo, a Bovespa foi penalizada pelo recuo das commodities. À tarde, no entanto, a notícia de que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) aprovou a aquisição de 25% de bloco da Petrobras pela Vale estimulou os papéis das duas empresas e fez o Ibovespa voltar a trabalhar em alta. Ao longo do dia, as ações da mineradora já foram destaque de resistência, não em razão dos metais, que caíram, mas por causa do noticiário em torno do reajuste do minério de ferro. Os porcentuais que surgem são robustos e chegam a 80%. Vale subiu 1,39% na ação ON e 1,46% na PNA.
Petrobras
Petrobras fechou sem uniformidade. A ação ON perdeu 0,56% e a PN subiu 0,14%. Na Nymex, o contrato do petróleo para abril recuou 0,82%, a US$ 80,21. Anteontem, a Câmara aprovou o uso de recursos do FGTS na capitalização da estatal, mas apenas para os cotistas que já são acionistas da empresa, no limite de 30% do saldo que possuem atualmente no fundo. A proposta poderá ser modificada quando for votada no Senado. A Caixa informou ontem que o impacto no FGTS deve ser de até R$ 1 bilhão.
Estados Unidos
Os pedidos de auxílio-desemprego na semana passada nos Estados Unidos amplificaram os dados melhores do que o esperado da ADP, anteontem, mesmo o governo já tendo alertado que os números do payroll, hoje, não devem ser bons por causa da nevasca que atingiu o país neste inverno rigoroso. De posse desses números, os investidores relativizaram outros dados, bem piores, para irem às compras. O Dow Jones terminou o dia em alta de 0,46%, aos 10.444,14 pontos, o S&P avançou 0,37%, aos 1.122,97 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,51%, aos 2.292,31 pontos. Esse desempenho também se sobrepôs os temores com a Grécia, que, apesar de ter anunciado um pacote mais ousado de arrocho fiscal anteontem, ainda tem futuro incerto.
Altas
As maiores altas do Ibovespa foram CCR ON (+3,57%), Eletrobrás PNB (+2,84%) e MMX ON (+2,31%). As maiores quedas foram Pão de Açúcar PNA (-3,31%), Cosan ON (-2,87%) e Cesp PNB (-2,74%).
Câmbio
O dólar voltou a subir no mercado doméstico de câmbio ontem, dia em que a divisa americana avança também ante o iene e o euro. Ao final da sessão, depois de passar a tarde toda perto da estabilidade, o dólar pronto na BM&F fechou a R$ 1,7909, com alta de 0,67%, enquanto a moeda no balcão subiu 0,11%, a R$ 1,7920, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,7950 e a mínima de R$ 1,7840. Já o contrato de abril 2010 de dólar futuro estava às 16h40 no patamar de R$ 1,80 visto pelo mercado como ponto de resistência da moeda, estável ante o dia anterior. O giro financeiro em D+2 projetado no momento era de US$ 1,8 bilhão, inferior ante US$ 2,675 bilhões de anteontem.
Euro
O euro ficou ainda mais pressionado ontem depois que a agência de classificação de risco Moody's decidiu rebaixar a nota para depósitos de longo prazo e dívida sênior do Deutsche Bank para Aa3, de Aa1, e o rating de solidez financeira do banco para C+, de B. O euro cedia para US$ 1,3567 perto das 16h40, ante o patamar de US$ 1,3703 no fim da tarde de anteontem. Já o dólar avançava a 89,15 ienes, de 88,43 ienes anteontem. No mercado local, o Banco Central, que desde 8 de maio do ano passado faz intervenções diárias no mercado à vista, ontem comprou moeda em leilão até 12h31 e fixou a taxa de corte a R$ 1,7929.
Juros
O mercado de juros teve um noticiário farto para se inspirar ontem, mas as taxas continuaram oscilando entre margens estreitas e encerraram a negociação normal da BM&F perto da estabilidade. Pela manhã, as informações sobre indústria provocaram um alívio moderado nos contratos futuros, que poderia ter sido maior não fosse a expectativa em torno do IPCA de fevereiro, que sai hoje. As especulações a respeito do indicador, à tarde, acabaram levando à recomposição dos prêmios devolvidos na sessão matutina.
(Agência Estado)





