MERCADO FINANCEIRO
Auxílio
A Bovespa conseguiu amenizar, parcialmente, o clima negativo predominante no exterior ontem. Abriu em queda, acompanhando as Bolsas externas, que reagiram aos temores com a Grécia e aos índices frágeis norte-americanos. No meio da tarde, porém, conseguiu virar para cima e descolar-se de Nova York. Manteve-se no azul nas duas horas restantes e fechou em alta, interrompendo uma sequência de quadro dias seguidos de queda. As ações das siderúrgicas foram destaque de ganhos na sessão.
Ibovespa
O Ibovespa avançou 0,50%, aos 66.121,04 pontos. Na mínima, registrou 64.429 pontos (-2,08%) e, na máxima, atingiu os 66.325 pontos (+0,81%). No mês, sobe 1,10% e, no ano, acumula perdas de 3,60%. O giro financeiro totalizou R$ 6,219 bilhões. A inversão para cima da Bovespa gerou dúvidas nos investidores, que atribuíram ao ingresso de recursos de estrangeiros à tarde; às perdas registradas mais cedo - o índice recuou abaixo de 65 mil pontos -, que acabaram abrindo um ponto de compra, estimulado por um movimento de final de mês; e ao fato de a Bovespa ter se antecipado à melhora das Bolsas norte-americanas - o Dow Jones chegou a cair 1,81% na mínima - no meio da tarde. Uma outra justificativa também citada: a sinalização dada pela Moody's de elevação do rating brasileiro no próximo ano.
Siderúrgicas
O desempenho de ontem teve grande contribuição do setor siderúrgico, depois que balanços estimularam ordens de compras de Gerdau, Metalúrgica Gerdau e Usiminas. CSN também subiu, mas menos. Usiminas teve lucro líquido de R$ 633 milhões no quarto trimestre, com queda de 32% ante o mesmo período do ano anterior. Gerdau lucrou R$ 643,5 milhões no quarto trimestre, ante R$ 311 milhões. Gerdau PN, +4,02%, Metalúrgica Gerdau PN, +4,61%, Usiminas PNA, +5,18%, CSN ON, +2,02%.
Compulsórios
Os bancos foram, em grande parte da sessão, destaque de baixa, em reação às alterações nos compulsórios anunciadas ontem pelo Banco Central. Mas conseguiram diminuir as perdas à tarde. Bradesco PN caiu 0,16%, Itaú Unibanco PN recuou 0,03% e BB ON perdeu 1,48%. O BB anunciou lucro contábil de R$ 10,148 bilhões em 2009, alta de 15,3% na comparação com igual período do ano anterior.
Mercado externo
No mercado externo, o sinal das Bolsas foi negativo, com o aumento dos novos pedidos de auxílio-desemprego, que reforçou os holofotes sobre o ritmo da recuperação da economia dos EUA, e também por causa do possível rebaixamento da nota da dívida soberana grega. A Moody's repetiu o que fez anteontem a S&P e alertou que poderia rebaixar a classificação da dívida grega ao nível junk. As bolsas europeias caíram e também as norte-americanas. O Dow Jones perdeu 0,51%, aos 10.321,03 pontos, o S&P recuou 0,21%, aos 1.102,93 pontos, e o Nasdaq terminou em baixa de 0,08%, aos 2.234,22 pontos.
Dólar
No mercado à vista, o dólar pronto na BM&F encerrou o dia a R$ 1,8300, com alta de 0,30%, enquanto no balcão a moeda teve alta de 0,27%, a R$ 1,8310, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,8400 e a mínima de R$ 1,8280. Foi a maior cotação desde 12 de fevereiro, quando o dólar balcão ficou em R$ 1,863. O giro financeiro projetado perto das 16 horas nas operações em D+2 era de US$ 1,9 bilhão, bem inferior aos US$ 3,5 bilhões de anteontem. No mercado futuro, o contrato mais líquido (março de 2010) era negociado perto das 16h40 à R$ 1,8305, alta de 0,25%.
Juros
A decisão do Banco Central de alterar as regras de recolhimento dos depósitos compulsórios dos bancos, que resultará em um enxugamento da liquidez do sistema financeiro de R$ 71 bilhões, não conseguiu definir no mercado de juros um cenário mais claro para as apostas sobre o início do ciclo de aperto monetário. Inicialmente, as medidas até chegaram a enfraquecer as apostas de que os juros básicos seriam elevados já no mês que vem, mas o quadro não se sustentou, também porque o noticiário trouxe outros indicadores de peso como contraponto.
Contratos BM&F
A negociação normal da BM&F teve um volume intenso de contratos negociados e os DIs de curto e médio prazos encerraram com ligeira alta, enquanto os longos, que subiram muito anteontem, registraram leve queda. O DI janeiro de 2011 (462.590 contratos) apontava 10,41%, de 10,38% no ajuste da quarta-feira. O DI julho de 2010 (86.120 contratos) projetava 9,27%, de 9,26% anteontem. O DI janeiro de 2012 (152.620 contratos) tinha taxa de 11,57%, estável. O DI janeiro 2017 (25.710 contratos) recuava a 12,67%, de 12,72% anteontem.
Desemprego
O mercado teve de computar em suas operações a taxa de desemprego de 7,2% em janeiro, divulgada pelo IBGE, que foi a menor da série para o mês e veio abaixo do piso das previsões; a queda do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria paulista para 81,7%, de 82,4% no mês anterior; e a disparada do IGP-M, que fechou em fevereiro em 1,18%, a maior taxa desde julho de 2008.
(Agência Estado)





