MERCADO FINANCEIRO
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Ontem foi um desfile de más notícias para o mercado financeiro. Sobretudo na Europa e Estados Unidos pipocaram informações que levaram os investidores a fugir do risco, com impacto direto no preço das ações. As commodities fecharam em queda, penalizando duplamente a Bovespa, que recuou pela terceira sessão consecutiva.
Giro financeiro
O Ibovespa cedeu 1,60%, aos 66.108,33 pontos. Na mínima do dia, o índice atingiu 65.660 pontos (-2,27%) e, na máxima, os 67.179 pontos (-0,01%). Nestes três dias no vermelho, perdeu 2,54%. No mês, acumula alta de 1,08% e, no ano, recua 3,62%. O giro financeiro totalizou R$ 5,989 bilhões.
Europa
Na Europa, o destaque negativo foi a confiança das companhias alemãs. O índice Ifo de ambiente para os negócios caiu inesperadamente em fevereiro, pela primeira vez em 11 meses, para 95,2, de 95,8 em janeiro, abaixo da previsão dos analistas de 96,4. Também merece ser destacada a queda dos gastos com consumo na França, de 2,7% em janeiro, derrubando o aumento dos últimos 12 meses para 1,5%.
Frágil
O noticiário também não reservou informações muito animadoras: o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, disse que a recuperação da economia mundial é frágil e que a da zona do euro parece paralisada. E o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, disse que a redução do deficit orçamentário na Europa será ''extremamente dolorosa'' e vai demorar até 20 anos. Na Grécia, a Fitch rebaixou os ratings dos quatro maiores bancos daquele país, afirmando que o aperto fiscal do governo terá ''um efeito significativo na economia real''.
Bolsas europeias
Com tudo isso, as bolsas europeias caíram: Frankfurt, -1,48%, Paris, -1,32%, Londres, -0,69%, e Madri, -2,44%. Nos EUA, o Dow Jones perdeu 0,97%, o S&P recuou 1,21% e o Nasdaq terminou em baixa de 1,28%. O dado de confiança do consumidor foi o pior dado do dia e fio condutor dos negócios. O índice medido pelo Conference Board caiu de 56,5 em janeiro para 46,0 em fevereiro, bem abaixo da previsão média de analistas, de queda para 54,8.
Impacto
No Brasil, o mau humor externo teve impacto quase generalizado sobre o Ibovespa e apenas cinco ações fecharam no azul. Petrobras ON terminou em -1,88% e PN em -1,33%. Vale ON caiu 1,53% e PNA, 1,35%. Na Nymex, o contrato do petróleo para abril recuou 1,81%, para US$ 78,86.
Câmbio
A tensão externa empurrou o investidor ontem para longe dos ativos de risco. Com isso, no mercado doméstico, o dólar completou a segunda sessão consecutiva de alta ante o real. Na BM&F, o pronto fechou a R$ 1,8272, com alta de 1,00%, enquanto no balcão a divisa teve salto de 0,94%, a R$ 1,8260, oscilando entre a máxima de R$ 1,8290 e a mínima de R$ 1,8150. Nesses dois dias, a moeda teve valorização de 1,16%. O giro financeiro das operações com liquidação em dois dias (D+2) projetado para ontem era de US$ 2,1 bilhões, superior em relação aos US$ 1,787 bilhão de anteontem.
Euro
O índice Ifo também contribuiu para a queda do euro, que segue pressionado pelas incertezas com a Grécia. Perto das 16h40, a moeda europeia era negociada a US$ 1,3519, queda de 0,79%, enquanto o dólar perdia 1,03% ante a divisa japonesa, negociado a 90,11 ienes (dados em relação ao fechamento da Comstock, que tem por base a meia-noite em Nova York).
Transações
Internamente, o Banco Central informou ontem que o mês de janeiro terminou com deficit em transações correntes de US$ 3,841 bilhões. O resultado ficou dentro do esperado pelos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que previam deficit entre US$ 3,1 bilhões e US$ 5,7 bilhões, mas foi menor que a mediana projetada pelos analistas, que era de deficit de US$ 4,5 bilhões. Já o Investimento Estrangeiro Direto (IED) direcionado ao País apresentou no mês passado o pior janeiro em quase 15 anos. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o IED do mês passado somou US$ 789 milhões. Na comparação com o resultado de janeiro de 2009, o resultado obtido no mês passado foi 59,1% menor.
Juros
Após terem devolvido prêmios ao longo da sessão, os contratos de juros de curto e médio prazos perderam força de queda ontem à tarde e fecharam com leve viés de alta, nas máximas, mas perto da estabilidade, a negociação normal da BM&F. Operadores atribuíram o movimento final à divulgação do resultado robusto da arrecadação da Receita em janeiro (R$ 73,027 bilhões, recorde para meses de janeiro) e também à redução de posições por parte de estrangeiros dada a piora do cenário externo. Até então, davam o tom aos negócios o IPCA-15 de fevereiro, que, como o mercado já esperava, veio bastante acima dos níveis anteriores, e a queda surpreendente nas vendas do varejo em dezembro ante novembro, apurada pelo IBGE.
(Agência Estado)





