Pregão






Os acontecimentos dos últimos dois dias tinham tudo para ''colar'' o pregão doméstico ao de Nova York ontem. Mas não foi isso o que aconteceu na Bovespa: o comportamento das ações da Petrobras acabou fazendo o principal índice acionário operar em vários momentos na contramão das Bolsas norte-americanas, em queda. As incertezas em torno da capitalização da Petrobras e a indefinição sobre o marco regulatório do pré-sal voltaram a afugentar investidores deste papel. No final, a inversão para baixo de Vale também ajudou a reforçar a queda do índice.

Ibovespa


O Ibovespa fechou em queda de 0,35%, aos 67.597,43 pontos. Na mínima, registrou 67.210 pontos (-0,92%) e, na máxima, os 67.935 pontos (+0,15%). No mês, sobe 3,36% e, no ano, cai 1,44%. Na semana, a Bolsa avançou 2,64%. O giro financeiro somou R$ 5,291 bilhões.

Petrobras


As ações da Petrobras fecharam em queda, na contramão do petróleo. A Câmara dos Deputados pretende retomar na próxima semana as votações dos projetos de lei que formam o marco regulatório para a exploração do pré-sal. O primeiro projeto a ser apreciado será o que estabelece o Fundo Social, seguindo cronograma estabelecido pela base aliada e a oposição.


Defasagem


Segundo Fausto Gouveia, economista da Legan Asset, havia expectativa de que a votação ficaria para o próximo ano, por causa das eleições, e isso poderia ajudar os papéis a se recuperarem. Eles vêm exibindo uma defasagem em relação, por exemplo, aos da Vale, outra blue chip. Mas o noticiário volta a jogar lenha na fogueira e a ampliar o escopo do que pode ser feito. As ações ON da estatal terminaram ontem em queda de 0,26% e as PN, em baixa de 0,98%. Na Nymex, o contrato do petróleo para março subiu 0,95%, a US$ 79,81 o barril.

Federal Reserve


No geral, o mercado financeiro amanheceu ontem sob os efeitos da decisão de anteontem à noite do Federal Reserve (Fed) de, inesperadamente, elevar a taxa de redesconto em 0,25 ponto porcentual, para 0,75% ao ano. Essa taxa, cobrada do BC nos empréstimos que faz aos bancos, vinha sendo mantida em patamares baixos por causa da crise financeira que prejudicou a saúde de muitas instituições financeiras do país e sua elevação foi um sinal dado pela autoridade monetária de que a situação não está assim já tão ruim.

Câmbio


O dólar registrou ontem seu terceiro pregão consecutivo de depreciação ante o real, numa demonstração de que os investidores assimilaram a decisão do Fed de elevar a taxa de redesconto dos bancos e acompanharam a alta das bolsas internacionais. No segmento à vista, o pronto da BM&F fechou com recuo de 0,88%, a R$ 1,8050, mesma cotação da moeda no balcão, onde a queda foi de 0,93%. Esta foi a menor cotação desde 21 de janeiro, quando o dólar fechou a R$ 1,8000. Ontem a divisa oscilou entre a máxima de R$ 1,8230 e a mínima de R$ 1,8040 e, na semana, acumulou perdas de 3,11%. O giro financeiro projetado para as operações com liquidação em dois dias (D+2) foi de US$ 2,115 bilhões, mais fraco que os US$ 2,45 bilhões de anteontem.

Taxa


''A medida do Fed tem um impacto positivo para o dólar, mas só no curto prazo, pode acabar na segunda-feira'', afirmou Ricardo Della Santina Torres, economista e professor de MBA Executivo da BBS. Segundo ele, a alta na taxa de redesconto ''não significa que os bancos vão aumentar a oferta de crédito'' e a divisa brasileira, a seu ver, continua muito mais atrativa, tanto pela maior taxa de juros como pelo potencial de crescimento da economia.

Euro


Depois de chegar a operar abaixo dos US$ 1,35, o euro retomou esse piso na parte da tarde, enquanto as bolsas da região apagaram as perdas que registravam no começo do dia e fecharam em alta pelo quinto pregão consecutivo ontem. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA e seu núcleo em janeiro ante dezembro mais baixos do que o esperado contribuíram para acalmar os receios de aperto monetário gerados pela decisão do Federal Reserve. Às 16h45, o euro era negociado a US$ 1,3591, com alta de 0,79%, enquanto o dólar estava perto da estabilidade, a 91,73 ienes.

Juros


O mercado de juros manteve o desenho da curva traçado nos últimos dias, com pressão de alta nos contratos de curto prazo e correspondente alívio nos vencimentos longos. O noticiário tanto aqui quanto no exterior deu sustentação à ideia de que o ciclo de alta na Selic deve ser inaugurado até a reunião do Copom em abril, com a salgada segunda prévia do IGP-M de fevereiro e a decisão do Federal Reserve anteontem de elevar a taxa de redesconto dos bancos.


BM&F,


Ao término da negociação normal da BM&F, o DI janeiro de 2011 (212.430 contratos) projetava 10,27%, de 10,25% no ajuste de anteontem. O DI julho de 2010 (117.300 contratos) estava em 9,18% (máxima), de 9,15% anteontem. O DI janeiro de 2012 (104.295 contratos) marcava 11,40%, estável.

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