MERCADO FINANCEIRO
Notícias ruins
Ontem o dia foi um desfile de notícias ruins e o investidor não se fez de rogado: na sua reação habitual a dias assim, se desfez de ativos de risco à procura de outros mais 'fortes'. O resultado foi o tombo das Bolsas ao redor do globo, imputando à Bovespa perdas superiores a 4%. Numa só tacada, o índice caiu dos 67 mil pontos recém reconquistados na quarta-feira para os 63 mil. Nenhuma ação do índice fechou em alta e o giro engrossou em relação aos últimos dias.
Queda
O Ibovespa terminou o dia em queda de 4,73%, a maior desde a perda de 4,75% de 28 de outubro do ano passado. Encerrou aos 63.934,01 pontos, menor nível desde 4 de novembro de 2009 (63.912,57 pontos) Na mínima, registrou 63.750 pontos (-5,01%) e, na máxima, 67.100 pontos (-0,01%). No mês, passou a acumular perdas, de 2,24%, e, no ano, a queda atinge 6,79%. O volume negociado totalizou R$ 7,959 bilhões. Os dados são preliminares.
Temor
O azedume dos investidores tem origem na Europa, onde crescem os temores de que Grécia, Portugal e Espanha tenham problemas no financiamento de seus deficits orçamentários, apesar de a Comissão Europeia ter aprovado ontem a o plano orçamentário da Grécia. Essas preocupações elevaram os custos de proteção contra um eventual default da dívida soberana desses países.
Bolsas
As Bolsas europeias fecharam em baixa: Madri, o índice Ibex-35 caiu 5,94%; em Lisboa, o índice PSI-20 recuou 4,98%; em Londres, o índice FT-100 caiu 2,17%; em Paris, o índice CAC-40 recuou 2,75%; em Frankfurt, o índice Dax-30 perdeu 2,45%; em Milão, o índice FTSE-MIB recuou 3,45%.
Ibovespa
Ontem, nenhuma ação do Ibovespa fechou em alta. Vale ON perdeu 5,41% e PNA recuou 5,22%. Petrobras ON terminou em baixa de 4,81% e PN, de 5,11%. Na Nymex, o contrato do petróleo para março perdeu 4,98%, para US$ 73,14.
Câmbio
As preocupações com a dívida soberana da Grécia se estenderam ontem para a situação fiscal de nações de maior peso no bloco, como Espanha e Portugal, e levaram o dólar a uma segunda rodada de ganho frente a outras divisas, ainda que a situação americana não seja confortável, na avaliação dos economistas. No mercado à vista ante o real, a moeda americana atingiu R$ 1,8830 (+2,17%) no balcão - maior alta porcentual desde 17 de dezembro - e na BM&F (+2,06%). Na máxima do dia, chegou bem perto dos R$ 1,90 - R$ 1,8970 - enquanto na mínima recuou a R$ 1,8600. O giro financeiro projetado até agora nas operações com liquidação em dois dias (D+2) é mais que o dobro de ontem: US$ 1,8 bilhão ante os US$ 754 milhões da quarta-feira.
Moedas
O euro chegou a bater a menor cotação desde 15 de junho de 2009, que foi de US$ 1,3748, já que nem mesmo as declarações do presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet, conseguiram dissipar as dúvidas sobre os riscos fiscais de algumas nações do bloco hoje cedo, quando o banco manteve inalterada a taxa de juros local. O euro caiu 0,90% sobre o fechamento da Comstock, que considera a meia-noite de Nova York, a US$ 1,3764. Já o dólar registrou recuo de 2,03%, a 89,06 ienes.
Juros
Os juros futuros encerraram o dia em queda firme e com um volume explosivo de contratos negociados, ajustando os prognósticos para a política monetária após a divulgação da ata do Copom, dos números da Anfavea e da decisão do Ministério da Fazenda, quarta, de reduzir a Cide sobre a gasolina. Ao término da negociação normal da BM&F, o DI janeiro de 2011 (819.015 contratos) recuou a 10,25%, de 10,35% no ajuste de quarta. O DI abril de 2010 (104.480 contratos) cedeu a 8,676%, de 8,70% quarta. O DI julho de 2010 (176.550 contratos) caiu de 9,18% para 9,12%. O DI janeiro de 2012 (208.645 contratos) projetou 11,53%, de 11,60% no ajuste anterior.
Ásia I
A maior parte das bolsas asiáticas fechou em queda ontem, pressionada pela cautela antes da divulgação dos dados sobre o mercado de trabalho dos EUA, na sexta-feira, e pelo recuo nos preços das commodities. A Bolsa de Hong Kong caiu com as realizações de lucros nas ações das companhias da China continental. Os declínios foram liderados pelos bancos estatais, em meio às seguidas preocupações com levantamento de capital e limites aos empréstimos. O índice Hang Seng baixou 1,8%, e fechou aos 20.341,64 pontos.
Ásia II
A principal bolsa da China fechou em queda, também puxada pela realização de lucros em ações de bancos, com o desapontamento pelo fato de que o governo não vai injetar capital em três grandes bancos comerciais, e de mineradoras, com os preços declinantes das commodities globais. O Xangai Composto, que acompanha as ações A e B, fechou em baixa de 0,3%, e encerrou aos 2.995,31 pontos. O Shenzhen Composto subiu 0,3% e terminou aos 1.119,77 pontos.
(Das agências)





