Queda



A fuga de capital externo fez com que a Bovespa encerrasse janeiro em queda, o que não acontecia desde junho do ano passado, quando também houve saída de recursos estrangeiros. Naquele mês, a conta ficou negativa em R$ 1,093 bilhão e fez com que o índice recuasse 3,2%. Já a baixa em janeiro de 2010 foi um pouco maior, de 4,65%, enquanto o balanço parcial indica que os estrangeiros retiraram R$ 1,985 bilhão no mês até o dia 27. Segundo operadores, os resultados dos dias 28 e 29 também foram negativos.

Giro financeiro

O desempenho visto no fechamento se mostrou muito melhor em outros momentos do dia. No final do dia fechou em leve queda de 0,28%. Na máxima da sessão, o Ibovespa atingiu 66.576 pontos (+1,51%), mas foi diminuindo os ganhos até pisar no negativo, aos 65.140 pontos (-0,68%), acompanhando a piora em Nova York. O giro financeiro ontem totalizou R$ 6,279 bilhões. Os indicadores divulgados lá, ao contrário de anteontem, surpreenderam positivamente e até deram um gás ao movimento de compra.

PIB


O clima no mercado já havia amanhecido melhor, em razão dos balanços positivos da Microsoft e Amazon.com, além da confirmação de Ben Bernanke à frente do Federal Reserve para um segundo mandato, aprovada anteontem pelo Senado. A esse clima se somaram a primeira prévia do PIB do quarto trimestre, que exibiu expansão de 5,7% ante projeção de +4,8%; o índice de atividade dos gerentes de compras de Chicago, que subiu para 61,5 em janeiro, melhor do que a queda para 57,2 esperada; e o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, com alta para 74,4 em janeiro, acima dos 73,0 previstos.

Wall Street


Mesmo com os ventos a favor, os investidores se fiaram na releitura. E ela indica que os dados ainda não apagam as apreensões dos últimos dias, como a situação frágil de algumas economias desenvolvidas - Grécia e Espanha, por exemplo. Há ainda o temor de aperto monetário na China. As bolsas em Wall Street viraram e, às 18h25, o Dow Jones recuava 0,50%, o S&P caía 0,94%, e o Nasdaq perdia 1,60%.

Câmbio


O dólar devolveu a queda inicial ante o real durante a sessão e fechou em alta no mercado doméstico - pela nona sessão consecutiva -, pressionado pela valorização externa da divisa ante várias moedas. Os indicadores dos EUA divulgados ontem animaram os investidores e deram impulso ao dólar lá fora, sobretudo, os dados que mostraram um crescimento maior do que o esperado da economia no quarto trimestre. No entanto, prevaleceu a cautela diante do fim de semana e de preocupações com a economia europeia.

Negócios


A inversão de sinal do dólar à vista para alta também refletiu, em parte, a disputa em torno da formação da taxa Ptax de fim de mês, que ajudou a elevar expressivamente o volume de negócios à vista. A Ptax de ontem, a ser divulgada pelo Banco Central após o fechamento dos mercados futuros, será usada na segunda-feira para a liquidação do dólar fevereiro na BM&F.


Mercado futuro


No mercado futuro da BM&F, com as rolagens de contratos reforçadas, a liquidez passou a se concentrar no vencimento de dólar para 1º de março de 2010, que movimentou cerca de US$ 19,845 bilhões do total registrado com seis vencimentos, de US$ 22,094 bilhões. O dólar fevereiro de 2010, que vence na segunda-feira, registrou um volume financeiro de US$ 2,225 bilhões. Às 16h49, o dólar março/2010 projetava alta de 0,82%, a R$ 1,8965; e o dólar fevereiro de 2010, ganho de 0,05%, a R$ 1,8735.

EUA


No mercado de moedas, o euro acentuou o declínio em relação ao dólar após os dados favoráveis de crescimento da economia norte-americana dos EUA no quarto trimestre, apesar de o PIB de 2009 dos EUA ter caído 2,4% - a maior baixa desde 1946. A moeda europeia chegou a recuar para abaixo de US$ 1,39 e atingiu o menor nível desde julho de 2009. Às 16h45, o euro era negociado em US$ 1,3883, de US$ 1,3980 na tarde de anteontem. O dólar estava em 90,37 ienes, de 89,88 ienes na quinta-feira.

Juros


Os juros futuros mantiveram a trajetória de queda engatada anteontem, sob a percepção de que a retirada de alguns estímulos fiscais anunciada pelo governo pode tornar mais brando o ciclo de aperto monetário no Brasil. Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2011 (355.810 contratos) cedia a 10,32%, de 10,34% no ajuste de anteontem. O DI abril de 2010 (115.555 contratos) projetava 8,677%, de 8,69% ontem no ajuste. Nos longos, o DI janeiro de 2012 (105.505 contratos) caía de 11,75% para 11,70%.

(Agência Estado)

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