Negativo




A sexta-feira repleta de notícias corporativas agregou volatilidade à bolsa brasileira em um dia de agenda nula de indicadores no exterior e antes do feriado que vai manter a Bovespa fechada na próxima segunda-feira, por conta do aniversário de São Paulo. Depois de perder 5,4% nos últimos dois dias, a bolsa fechou ontem perto da estabilidade, mas ainda no campo negativo: em queda de 0,08%, aos 66.220,04 pontos. Na máxima, atingiu 66.660,15 pontos e na mínima chegou a 65.445,43 pontos. Na semana, o índice acumula perda de 4% e em janeiro, recuo de 3,45%. O giro financeiro caiu hoje para R$ 7 bilhões, ante os R$ 7,61 bilhões de ontem.

Acima da média


''Hoje o padrão de volatilidade ficou muito acima da média'', afirmou Roni Lacerda, gestor de renda variável da Mercatto Gestão de Recursos. Outro operador notou que ontem a bolsa não teve a pressão forte de venda de estrangeiros dos dois últimos dias, o que permitiu operação descolada do mercado internacional. Entre as notícias empresariais, a que mais movimentou a Bovespa foi o pagamento dos dividendos da Eletrobrás, assunto que se arrastava há 30 anos e que fez com que os papéis liderassem as altas pelo segundo dia consecutivo.

Dividendos

O conselho de administração da estatal aprovou ontem o pagamento dos dividendos retidos ao final da década de 1970 e início dos anos 1980. O pagamento será feito em quatro parcelas anuais, que vencem nos dias 30 de junho de 2010, 30 de junho de 2011, 30 de junho de 2012 e 30 de junho de 2013. Receberão os recursos as pessoas físicas e jurídicas que forem acionistas da Eletrobrás no dia 29 de janeiro. Nos cálculos da empresa, a dívida com os acionistas totaliza R$ 10,328 bilhões. Terão direito a receber o pagamento os acionistas detentores das ações ON, PNA e PNB.

Incorporação


Também foi acertada ontem a incorporação da Quattor pela Braskem, já amplamente aguardada (e precificada) pelo mercado, enquanto o Bradesco anunciou a compra da totalidade das ações do Ibi no México (o banco já é dono do Ibi no Brasil desde junho passado). Entre as blue chips, a queda na cotação de alguns metais básicos e as incertezas com a China afetaram os papéis da Vale mais uma vez. A ação ON caiu 2,11%, a R$ 50,51, enquanto o papel PNA teve recuo de 2,26%, a R$ 43,75.

Volátil


A Petrobras seguiu a volatilidade que predominou na bolsa, mas acabou subindo porque ''a Vale tinha mais gordura para queimar'', segundo um operador. A ação ordinária da estatal de petróleo teve alta de 0,23%, a R$ 38,53, enquanto a preferencial subiu 1,22%, a R$ 34,75, depois de três quedas consecutivas. É bom lembrar que a Petrobras ganhou poder decisório na Nova Braskem, onde deterá entre 32% e 36% do capital. Antes da transação, ela detinha 25% da empresa e não tinha participação na gestão. Já os contratos de petróleo para março na Nymex fecharam em queda de 2,02%, a US$ 74,54.

Ajustes


No cenário externo, o anúncio de medidas da gestão de Barack Obama para restringir a atuação dos grandes bancos serviu como ''uma bela ajustada'' nos mercados, segundo um operador, enquanto persistem as preocupações com o aperto monetário na China e com a deliciada situação financeira da Grécia. As principais bolsas europeias fecharam em baixa, ampliando as perdas da sessão anterior. Em Nova York também predominavam as quedas perto das 18h20 nos três principais índices.

Em alta


O dólar registrou a quarta alta consecutiva, encerrando a sessão à vista acima de R$ 1,81, e acumulou no período ganho de 2,69% no balcão. Impulsionado pelo fluxo cambial negativo em meio à apreensão dos investidores com medidas na China e EUA contra possível formação de bolhas especulativas e o sentimento de rápida deterioração da balança comercial brasileira, o dólar encerrou ontem com ganho de 0,83%, a R$ 1,8150 no balcão. No mês/ano, até o momento, a moeda no balcão saltou 4,13%. Na BM&F, o pronto terminou a R$ 1,8145 (+0,65%). No leilão no início da tarde, o Banco Central adquiriu moeda com taxa de corte de R$ 1,8265.

Perspectivas


No mercado futuro, os 12 vencimentos de dólar negociados até 16h16 projetavam taxas em alta, com um volume financeiro de US$ 16,073 bilhões - 23% inferior ao giro total nesse segmento quinta-feira. O contrato mais líquido, para fevereiro de 2010, concentrava US$ 15,976 bilhões desse total, e projetava às 16h43 taxa de R$ 1,8230 (+1,00%).

Juros futuros


As taxas de juros encerraram em direções distintas. Os DIs mais curtos subiram, enquanto os mais longos sinalizaram queda. Ao término da negociação normal da BM&F, o DI julho de 2010 (103.215 contratos) apontava 9,17%, ante 9,15%. O DI janeiro de 2011 (350.675 contratos) projetava 10,38%, igual ao ajuste de quinta-feira. O DI janeiro de 2012 (57.650 contratos) estava em 11,81%, de 11,83% no ajuste anterior. O DI de janeiro 2013 (5.870 contratos) estava em 12,40, de 12,42% na véspera.

Das agências

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