MERCADO FINANCEIRO
Ajustes
O movimento de correção visto quarta-feira na Bovespa prosseguiu ontem, levando em dois dias 5,4% da pontuação do índice. O consenso entre os operadores, no entanto, é que o ajuste deve continuar no curto prazo, diante da clareza de que a China vai conter as bolhas especulativas com mais medidas de restrição monetária e que a bolsa brasileira esticou demais - nos últimos 12 meses, por exemplo, a alta acumulada é de quase 72%. Além disso, alguns indicadores americanos mostram que a maior economia do planeta ainda passa por uma recuperação frágil. O Ibovespa perdeu ontem 2,83%, aos 66.270,14 pontos, depois de oscilar entre a máxima de 68.458,40 pontos e a mínima de 65.996,26 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,61 bilhões, pouco acima do registrado ontem, de R$ 7,50 bilhões.
Mercado assustado
''O mercado está receoso, assustado, e isso tem fundamento'', avalia um operador. Segundo ele, as restrições monetárias na China devem surgir com mais força, na medida em que o gigante asiático se empenha para coibir as bolhas e ter maior controle sobre o crescimento. Como a demanda chinesa vinha estimulando o setor siderúrgico, a possibilidade de que o país fique mais contido derrubou as cotações da Vale, que tem na China seu maior cliente, assim como os papéis das siderúrgicas Gerdau, Usiminas e CSN. As ações ON da Vale, por exemplo, caíram 3,46%, a R$ 51,60, enquanto o papel PNA recuou 3,56%, para R$ 44,76.
Acompanhamento
Depois de divulgar um crescimento consistente em 2009 nessa madrugada, a China voltou a elevar os juros dos títulos, desta vez os de três meses, e quarta-feira sinalizou com medidas de restrição ao crédito. O Banco do Povo da China (PBOC, na sigla em inglês) já elevou, nos últimos dias, os juros dos bônus de 1 ano duas vezes. Petrobras, a outra blue chip da bolsa, acompanhou a queda generalizada na Bovespa enquanto as cotações do petróleo no mercado internacional também recuaram. Já as ações ordinárias da Petrobras recuaram 2,81%, a R$ 38,44, enquanto os papéis sem direito a voto tiveram retração de 3,16%, para R$ 34,33.
Desemprego
Nos Estados Unidos, o número de trabalhadores que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego aumentou 36 mil - maior alta dos últimos 8 meses -, para 482 mil, após ajustes sazonais, na semana até 16 de janeiro. Economistas ouvidos pela Dow Jones esperavam queda de 4 mil pedidos.
Agravante
O indicador contribuiu para a realização de lucros na Bovespa e a queda nos principais índices de Nova York. Outro fator que agravou as perdas nas bolsas americanas foi o detalhamento dos planos do presidente Barack Obama de impor novas restrições sobre os bancos. Obama propôs novos limites ao tamanho e ao risco assumido pelas maiores instituições financeiras do país. Perto das 18h20, o índice Dow Jones caía 2,04%, o S&P 500 perdia 1,85% e a bolsa eletrônica Nasdaq recuava 1,05%. As principais bolsas europeias também fecharam em baixa, após uma sessão volátil.
Escalada
Com um volume de negócios maior, o dólar à vista fechou em alta, pelo terceiro dia consecutivo, no patamar de R$ 1,80 - pela primeira vez desde 24 de setembro de 2009, quando encerrou em R$ 1,804. Ontem, o pronto subiu 0,69%, a R$ 1,8028 na BM&F, e avançou 0,45%, a R$ 1,80 no balcão. O giro em D+2 estimado por uma corretora até 16h28 mostrava aumento de 178% em relação ao anterior, para cerca de US$ 3,2 bilhões. No leilão vespertino, o Banco Central comprou moeda com taxa de corte de R$ 1,8024.
Projeções
No mercado futuro, o dólar para fevereiro de 2010 projetava às 16h38 alta de 0,42%, a R$ 1,7990, após atingir mais cedo a máxima de R$ 1,8095 (+1,0%). Este vencimento girou até às 16h21 cerca de US$ 18,407 bilhões, de um total de US$ 18,757 bilhões movimentados com três vencimentos, todos em alta. No mercado de moedas às 17 horas, o euro recuperava as perdas intraday e subia a US$ 1,4117, sendo que a mínima mais cedo foi de US$ 1,4026 e no fim da tarde de quarta-feira estava em US$ 1,4102. No mesmo horário, o dólar caía a 90,27 ienes por dólar, após ter subido pela manhã até 91,88 ienes por dólar e ter encerrado ontem em US$ 91,23 ienes por dólar.
Juros futuros
As taxas de juros fecharam em alta ontem. Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2011 (417.140 contratos) projetava 10,38%, de 10,33% no ajuste de quarta-feira. O DI janeiro de 2012 (120.855 contratos) subiu a 11,82% para 11,74% no ajuste da véspera. O DI de janeiro de 2013 (14.960 contratos) projetou 12.41% ante 12,31% quarta-feira. O DI julho de 2010 (111.5158 contratos) apontava 9,16% de 9,14% do ajuste anterior. O DI de abril de 2010 (110.180 contratos) projetava 8,70% de 8,69% de quarta-feira.
Das agências





