MERCADO FINANCEIRO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Das agências 
Repique
Os preços da moeda americana tiveram um forte repique ontem, em meio à expectativa geral pela divulgação do ''Livro Bege'', documento fundamental sobre a economia americana. O dólar comercial foi vendido por R$ 1,761, em um avanço de 0,74%, nas últimas operações registradas ontem. A taxa oscilou entre R$ 1,761 e R$ 1,739. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi mantido em R$ 1,850.
Preocupações
O Federal Reserve (banco central americano) revelaria o ''Livro Bege'', quando investidores e analistas sobre o ritmo de recuperação dos EUA. A principal preocupação dos mercados ontem estava em saber quando a autoridade monetária deve começar o ajuste dos juros básicos, mantidos perto de zero há um ano. O sentimento predominante de cautela teve impacto sobre o giro de negócios: a BM&F registrou um movimento de US$ 1,23 bilhão em sua roda de dólar pronto (mercado à vista), ante US$ 2,63 bilhões contabilizados na sessão de terça-feira.
Juros futuros
O mercado de juros futuros, que sinaliza o custo do dinheiro para os bancos, reduziu as taxas projetadas nos contratos de prazo mais longo. No contrato que aponta os juros para outubro de 2010, a taxa prevista recuou de 9,76% ao ano para 9,71%; no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada cedeu de 10,36% para 10,30%. Esses números ainda são preliminares e podem sofrer ajustes.
Negativo
O ano de 2010 começou com um fluxo cambial negativo no Brasil. Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram que o País perdeu US$ 1,768 bilhão no início de janeiro, em levantamento feito até o dia 8. Em igual período de janeiro de 2009, em meio à crise financeira, o Brasil havia perdido US$ 747 milhões.
Transferências
No início de janeiro de 2010, a maior parte dos dólares saiu pela conta financeira, que amargou déficit de US$ 1,012 bilhão no período, resultado de saídas de US$ 6,166 bilhões e ingresso de US$ 5,153 bilhões. Nessa conta, estão concentradas as transferências de recursos para negociação de ações e títulos, investimentos produtivos e remessas de lucros.
Comercial
No segmento comercial, o ano começou com a saída líquida de US$ 756 milhões, resultado de importações de US$ 2,692 bilhões e exportações de US$ 1,936 bilhão. Mesmo com a saída de dólares na semana, o BC continua a comprar dólares no mercado à vista. Neste período, as reservas internacionais aumentaram em US$ 783 milhões, para US$ 240,214 bilhões (posição de 8 de janeiro).
Em alta
As principais bolsas europeias tiveram um dia bastante volátil na sessão de ontem, enquanto os investidores operaram sob expectativa dos próximos balanços corporativos. A Bolsa de Londres teve baixa de 0,46%, indo para 5.473 pontos no índice FTSE 100; a Bolsa de Frankfurt teve ganho de 0,34% no índice DAX, para 5.963 pontos; a Bolsa de Zurique teve alta de 0,19%, indo para 6.554 pontos no índice Swiss Market; e a Bolsa de Paris ficou praticamente estável (leve avanço de 0,02%), com 4 mil pontos no índice Cac 40.
Contração
Entre as notícias mais importantes do dia, o governo alemão revelou que a economia do país teve uma contração de 5% no ano passado, a pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). No Reino Unido, o ONS (Escritório Nacional de Estatísticas, na sigla em inglês) apontou uma queda de 6% na produção industrial em novembro, na comparação com o mesmo mês de 2008.
Lançamentos
Um total de 24 empresas levantou R$ 45,90 bilhões no ano passado através do lançamento de ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O montante é o maior desde 2007, quando as captações atingiram R$ 70 bilhões (por 76 companhias). Somente a operação do banco Santander Brasil respondeu por R$ 13 bilhões desse montante. A segunda maior oferta pública de ações ficou por conta da Visanet, que captou R$ 8,39 bilhões, seguida pela operação da BR Foods (R$ 5,29 bilhões).
Estrangeiros
As operações do ano passado também foram caracterizadas pela forte participação de investidores estrangeiros: eles adquiriram 66% do total oferecido, enquanto investidores pessoa física abocanharam somente 8% do total. A operação da Redecard foi a oferta que contou com mais expressiva fatia de estrangeiros (87%), enquanto a oferta da BR Foods teve a participação mais modesta (32%).
Apetite
Após as turbulências de 2008, as estatísticas da Bolsa de Valores mostram que os chamados ''não-residentes'' voltaram com apetite aos mercados brasileiro de ações. No ano passado, além de participar dos IPOs (sigla em inglês para oferta pública de ações), os estrangeiros aplicaram R$ 20,45 bilhões na Bovespa, considerando compras e vendas de ações brasileiras por fundos de pensão e de hedge internacionais. No ano passado, o índice Ibovespa, que reflete as oscilações de preço das ações mais negociadas, teve uma valorização de 82,66%. Convertido para dólar, o ganho supera a casa dos 140%.


