MERCADO FINANCEIRO
Bovespa subiu
Juros futuros desceu
Em alta
O investidor estrangeiro garantiu que a Bovespa fincasse pé nos 70 mil pontos, marca alcançada no primeiro pregão de 2010 e que não era atingida desde o início de junho de 2008. Para alguns operadores, a alta deste segundo pregão de 2010 poderia até ter sido maior, não fosse a queda nas ações da Petrobras, uma das blue chips da bolsa brasileira. O principal índice da bolsa doméstica subiu ontem 0,28%, aos 70.239,82 pontos, depois de oscilar entre a máxima de 70.594,55 e a mínima de 69.927,80 pontos. O giro subiu para R$ 7,11 bilhões, ante os R$ 5,25 bilhões registrados segunda-feira.
Estrelas
Enquanto a Petrobras impediu a bolsa de avançar mais, os papéis da Vale foram as estrelas destes dois primeiros dias de negociação no mercado doméstico. Para Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, desde segunda-feira a entrada de estrangeiros na Bolsa tem sido forte e a preferência desse investidor tem sido pelas ações da Vale, que tem boas perspectivas neste ano. ''O cenário é muito positivo para a Vale'', afirma, ao citar que o preço do minério de ferro no mercado spot é hoje por volta de US$ 130 a tonelada, cerca de 60% mais alto que no ano passado, ''o que dá mais força às mineradoras nas negociações'', citou.
Avaliação
No caso da Petrobras, por sua vez, um operador avalia que ''o mercado vai segurar o papel até que a capitalização da empresa seja definida'' e isso explica a discrepância cada vez maior entre os preços de Petrobras e Vale, as duas ações com maior peso na bolsa local. Segundo ele, ''a presença do estrangeiro surpreendeu segunda-feira e ontem'', mas esse investidor tem preferido as ações da Vale, enquanto detalhes importantes do futuro da estatal de petróleo permanecem em suspense, como o modelo de exploração na camada do pré-sal. Petrobras ON perdeu ontem 0,60%, a R$ 41,40, enquanto a ação preferencial teve queda de 0,86%, para R$ 37,00. Já a ordinária da Vale avançou 0,93%, para R$ 51,97, enquanto a ação PNA subiu 1,40% (R$ 44,13).
Apetite
O apetite do estrangeiro já pôde ser medido nos números de 2009, segundo dados informados ontem pela bolsa. A Bovespa encerrou o ano passado com superávit de R$ 20,596 bilhões em capital externo, com a entrada de R$ 146,061 milhões no último dia útil do ano, 30 de dezembro. O resultado, além de representar um recorde, marca o retorno dos estrangeiros à Bolsa após dois anos consecutivos de saldos negativos, de R$ 4,235 bilhões em 2007 e de R$ 24,629 bilhões (recorde histórico) em 2008. O recorde anterior é de 2003, primeiro ano do governo Lula, quando foi apurado superávit de R$ 7,495 bilhões em recursos estrangeiros.
Recorde
As negociações no mercado de ações também atingiram volume financeiro recorde de R$ 6,840 bilhões na média diária no quarto trimestre. O valor ficou 3,34% acima da marca anterior, de R$ 6,618 bilhões, apurada no quarto trimestre de 2007. O resultado também superou em 31,19% o volume médio diário do terceiro trimestre de 2009, de R$ 5,214 bilhões. Segundo comunicado da Bovespa, a participação dos investidores estrangeiros no volume negociado foi de 31,7%, seguido pelas pessoas físicas (29,1%), investidores institucionais (27,1%), instituições financeiras (9,8%) e outros (0,06%).
Descolada
A disposição do investidor garantiu, inclusive, que a Bovespa operasse descolada das bolsas de Nova York, onde indicadores sem consenso afetaram o humor dos mercados. Perto das 18h20, o índice Dow Jones tinha recuo de 0,32%, enquanto o S&P 500 subia 0,10% e o Nasdaq sofria retração de 0,14%.
Volatilidade
O mercado de câmbio doméstico acompanhou a volatilidade externa do dólar e reforçou as compras da divisa durante à tarde, o que amparou o avanço das cotações. O ajuste de posições compradas refletiu expectativas sobre a agenda norte-americana da semana e fatores internos. No fechamento, o dólar à vista subiu 0,64%, a R$ 1,7310 no balcão, e avançou 0,53%, a R$ 1,7307 na BM&F. O volume de negócios ontem melhorou em relação à véspera e foi registrado pela manhã um fluxo cambial positivo, embora ainda fraco. O Banco Central realizou seu leilão diário de compra à tarde, quando fixou a taxa de corte em R$ 1,7295. Em Nova York às 16h53, o euro caía para US$ 1,4363, de US$ 1,4412 segunda-feira, enquanto o dólar recuava para 91,56 ienes, de 92,59 ienes segunda-feira.
Juros futuros
O mercado de juros deu sequência ao movimento de queda das taxas iniciado segunda-feira, em uma sessão de volume firme de contratos negociados. Mesmo diante de uma agenda doméstica esvaziada, os investidores mantiveram a disposição para as ordens de vendas, sobretudo nos vencimentos de curto prazo, nesta véspera da divulgação do resultado da produção industrial de novembro. Ao término da negociação normal da BM&F, o DI janeiro de 2011 (231.535 contratos) projetava 10,43%, ante 10,46% no ajuste de segunda-feira. O DI julho de 2010 (128.395 contratos) apontava 9,17%, de 9,18% segunda-feira. O DI janeiro de 2012 (72.175 contratos) estava na mínima de 11,77%, de 11,80% no ajuste de segunda-feira.
Das agências





