Ibovespa cai
dólar sobe


Bovespa
O clima de aversão a risco que tomou conta do mercado internacional ontem foi bastante sentido pela Bovespa, que além de não se aproximar dos 70 mil pontos ainda perdeu os patamares de 68 mil e 67 mil pontos na sessão - este último temporariamente. Os investidores reagiram às notícias ruins da véspera, entre elas o rebaixamento da Grécia, e adicionaram mais algumas, como os dados fracos de pedidos de auxílio-desemprego divulgados nos Estados Unidos. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 2,27%, fechando aos 67.067,96 pontos.

Dólar
O dólar disparou 2,29% ontem, cotado a R$ 1,7900. No mercado local a moeda norte-americana operou sob forte pressão refletindo fluxo cambial negativo, ajustes de posições compradas no mercado futuro e a valorização externa da divisa norte-americana. O dólar com vencimento em janeiro fechou em alta de 1,48%, a R$ 1,7865.

Análise
Para o economista Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora de Câmbio, o mercado cambial ganhou expressivo volume financeiro nos últimos dias, por causa de compras destinadas a remessas de lucros e dividendos ao exterior dada a proximidade do encerramento do ano e também de empresas importadoras, que querem aproveitar o preço atual uma vez que há expectativa de ajuste de alta da moeda no começo de 2010. ''Os players no mercado futuro estão reforçando as apostas no avanço do dólar porque há percepção no mercado de que o real, que foi a estrela entre as moedas de países emergentes em 2009, começa a se fragilizar como divisa para especulação.''

Superavit
Segundo Nehme, a perda de atratividade do real deve estar relacionada à avaliação no mercado de que as projeções do Banco Central para o superavit comercial e Investimentos Estrangeiros Diretor (IED) em 2010 estão muito otimistas. ''Enquanto o BC prevê um superavit comercial no próximo ano de US$ 19 bilhões, o mercado estima que ficará em apenas cerca de US$ 11,3 bilhões; e para o IED o BC projeta um ingresso de US$ 45 bilhões, enquanto o mercado estima que ficará em US$ 35 bilhões'', comparou. Além disso, o real teve forte valorização em 2009 (de 30,56% no ano até hoje ante o dólar ptax) em relação a moedas de outros países emergentes, mas o desempenho do risco Brasil e dos títulos soberanos do governo não foi tão bom como em outros emergentes.

Repercussão
O mercado repercutiu também a decisão da Standard & Poor's, que seguiu anteontem a decisão tomada na semana passada pela Fitch e rebaixou o rating de crédito soberano de longo prazo da Grécia. A decisão refletiu a avaliação de que as medidas anunciadas recentemente pelas autoridades gregas para reduzir o elevado déficit fiscal não devem levar a uma redução sustentável dos encargos da dívida pública. Embora seja notícia velha, ela se juntou a um caldeirão de aumento da aversão ao risco, uma vez que estão ganhando força as preocupações sobre o déficit fiscais dos países, sobretudo na zona do euro.

Bolsa doméstica
Os investidores que colocaram dinheiro na Bolsa doméstica em 2009 não tiveram por que reclamar, já que os ganhos ultrapassam os 70%. Assim, a perspectiva de alta dos juros nos EUA é um chamariz forte para levá-los a realizar lucros, embolsando o que já ganharam aqui parar rumarem a um porto mais seguro. O próprio ganho no ano, no entanto, já é por si só uma justificativa para a realização, já que, às portas de 2010, são poucos os investidores que vão arriscar a rentabilidade conquistada.

Aversão
O clima de aversão ao risco lá fora também contou com a contribuição dos dados de pedidos de auxílio-desemprego na última semana nos Estados Unidos, que surpreendentemente apresentaram alta de 7 mil, ante previsão de queda de 9 mil. O que amenizou um pouco o número ruim foi o recuo, pela 15 queda consecutiva, quando se considera a média móvel em quatro semanas. Dow Jones fechou em queda de 1,27% e o Nasdaq, 1,22%.

Commodities
No Brasil, a queda da Bovespa foi generalizada, com perdas fortes das blue chips e ações de primeira linha, também por causa do recuo das commodities metálicas e do petróleo. Na Nymex, o contrato para janeiro terminou praticamente estável, em baixa de apenas 0,01%, a US$ 72,65. Petrobras ON, -2,33%, PN, -2,61%, Gerdau PN, -2,07%, Metalúrgica Gerdau PN, -2,46%, Usiminas PNA, -0,97%, CSN ON, -0,91%, Bradesco PN, -2,45%, Itaú Unibanco PN, -2,73%, BB ON, -3,92%. Vale ON, -3,10%, PNA, -3,42%. Fleury ON terminou em +14,06%. Os papéis estrearam ontem na Bolsa, após um IPO que movimentou R$ 630,233 milhões, com o preço de R$ 16,00 por ação no IPO, no centro da faixa indicativa - que variava entre R$ 15 e R$ 17.

Asiáticas
As principais bolsas asiáticas voltaram a apresentar sinal negativo ontem. Mais uma vez, os investidores da região se pautaram pelas notícias vindas da China. A queda na Bolsa de Xangai influiu diretamente nos resultados da Bolsa de Hong Kong, que também sofreu com a saída de fundos. O Hang Seng caiu 264,11 pontos, ou 1,2%, e terminou aos 21.347,63 pontos, no terceiro pregão consecutivo de perdas. Os bancos chineses lideraram a baixa. China Construction Bank recuou 1,7%, Bank of China teve declínio de 1,5% e Bank of Communications deslizou 1,8%. Já a companhia de equipamentos de telecomunicações MOBI Development despencou 9,8% em sua estreia.
(Das agências)

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