MERCADO FINANCEIRO
Dólar sobe
Bolsas caem
Bolsas perdem
A valorização do dólar no exterior incentivou a alta de 0,63% da moeda americana em relação ao real, que fechou cotada a R$ 1,7530. Os temores sobre a saúde do sistema financeiro na Áustria e a alta de 1,8% do índice de inflação ao produtor (PPI) norte-americano em novembro, acima da estimativa dos economistas (+1%) impulsionaram a alta da moeda americana. A aceleração da inflação no atacado renovou o sentimento de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) pode ser levado a subir o juro antes do esperado. Com a aversão ao risco, as bolsas perderam. O Dow Jones e a Nasdaq caíram 0,47% e 0,50%, respectivamente. Já o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) conseguiu se manter praticamente estável, com uma queda pequena de 0,06%, com ajuda dos papéis da Petrobras.
Cotações
Um operador de tesouraria de um banco estrangeiro afirmou que houve também saída financeira pela manhã de cerca de US$ 350 milhões, que ajudou a impulsionar as cotações, já sustentadas naquele momento pelo avanço externo do dólar, principalmente em relação ao euro. Nas máximas, o preço à vista subiu até R$ 1,7660 (+1,38%) no balcão, enquanto no mercado futuro o vencimento de dólar janeiro de 2010 alcançou até R$ 1,7725 (+1,23%). No fechamento, o dólar futuro para janeiro fechou em alta de 0,31%, a R$ 1,7565.
Exportadores
Nesses níveis, de acordo com a mesma fonte, o dólar à vista atingiu um ''preço de oportunidade de venda''. Exportadores, entre outros players, foram atraídos a ofertar moeda, garantindo um fluxo pontual favorável, afirmou. Em consequência, as cotações devolveram gradativamente parte dos ganhos exibidos. O Banco Central fez o leilão diário das 12h04 às 12h14 e adquiriu moeda à taxa de corte de R$ 1,7600. Depois dessa atuação, o dólar à vista renovou várias vezes as mínimas intraday durante a tarde.
Sinais de alerta
Na Áustria, o governo estatizou anteontem seu sexto maior banco em ativos, o Hypo Group Alpe Adria, depois de concordar com um pacote de socorro à instituição no valor de quase 5,5 bilhões de euros. O acordo exigiu a intervenção pessoal do presidente do Banco Central Europeu (BCE) Jean-Claude Trichet.
Cautela
Por ser véspera do encerramento da reunião de dois dias do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, os investidores também adotaram certa cautela, buscando proteção no dólar. O anúncio da decisão sobre a taxa de juro de referência e do comunicado sobre a economia são esperados para ao redor das 17h15 de hoje. Como a aposta majoritária para as taxas dos Fed Funds é de manutenção na faixa de zero a 0,25%, o mercado focará no comunicado. No encontro anterior, realizado em 4 de novembro, a autoridade monetária listou as ''condições econômicas'' que garantem a manutenção do juro próximo de zero: baixa utilização de recursos, tendência de inflação contida e expectativa de inflação estável.
Petrobras
A Bolsa doméstica interrompeu hoje quatro sessões consecutivas de ganhos e a queda, pautada pelas bolsas externas, foi contida pelo ganho das ações da Petrobras. Os indicadores contraditórios no exterior adicionaram cautela aos negócios e os investidores preferiram não ousar na véspera da reunião do Fomc. ''É normal que depois de um ano forte como esse os investidores não queiram correr riscos'', disse o gerente de operações da corretora Um Investimentos, Rodrigo Cunha da Silveira, para justificar o ritmo apático do mercado ontem. Segundo ele, a Bovespa teve um pregão bastante parecido com o da véspera, com a diferença de que ontem o sinal que predominou foi o negativo.
Dados positivos
No Brasil, a agenda reservou dados positivos, mas que já estavam precificados nas ações domésticas. O IBGE anunciou alta de 1,4% nas vendas do varejo em outubro ante setembro e de 8,4% ante outubro do ano passado. O destaque da sessão foi Petrobras, que subiu ajudada pelo desempenho do petróleo. Após cair por nove sessões consecutivas e fechar o pregão de anteontem no menor nível desde 29 de setembro, a commodity teve recuperação técnica, segundo analistas. Na Nymex, o contrato para janeiro avançou 1,70%, a US$ 70,69. Petrobras ON aumentou 0,98% e PN, 0,26%.
Metais
Os metais exibiram o mesmo comportamento dos indicadores: contraditório. Fecharam sem trajetória uniforme, assim como Vale e siderúrgicas. Vale ON, -0,12%, Vale PNA, +0,05%, Gerdau PN, +0,14%, Metalúrgica Gerdau PN, +0,62%, Usiminas PNA, -0,08%, CSN ON, -0,65%. BB ON fechou estável. O presidente da instituição, Aldemir Bendine, confirmou que o banco mantém conversas com o Banco Patagônia, da Argentina, para uma eventual associação.





