MERCADO FINANCEIRO
Bolsas sobem
Dólar cai
Bovespa
A Bovespa teve um pregão para lá de monótono ontem e, não fossem as boas notícias no mercado externo, também teria sido meramente técnico. As notícias de Dubai e do Citi Group serviram para dar um pouco de alento aos negócios nesta segunda-feira de agenda esvaziada e volume estreito. Mas como o índice já se encontrava no nível recorde de 2009, qualquer ganho significava renovar esse patamar. E foi o que aconteceu. A Bolsa doméstica subiu apenas 0,12%, aos 69.349,40 pontos, a maior pontuação desde 6 de junho de 2008 (69.785,90 pontos). O dólar fechou em queda de 0,74%, aos R$ 1,7420.
Dubai
A principal notícia do dia e fio condutor das Bolsas pelo mundo ontem foi a de que a Dubai World recebeu do governo de Abu Dabi uma ajuda financeira de US$ 10 bilhões. O dinheiro seria usado, entre outras coisas, para pagar a dívida de US$ 3,52 bilhões em ''bônus islâmicos'' (sukuks) da incorporadora imobiliária Nakheel, que venceu ontem.
Citigroup
Além disso, o governo de Dubai anunciou o arcabouço legal para a concordata do Dubai World, caso o conglomerado não consiga chegar a um acordo com os credores para reestruturar o equivalente a US$ 26 bilhões em dívidas. O noticiário abriu espaço para um sentimento positivo nos mercados, também reforçado pelo acordo entre o Citigroup e o governo norte-americano para reembolsar os US$ 20 bilhões recebidos dentro do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp).
Capital novo
Mas, ao contrário dos outros bancos que pagaram de volta a ajuda até agora, o Citi terá que substituir totalmente esses recursos devolvidos com capital novo, por meio da emissão de US$ 20,5 bilhões em ações e dívidas. Parte do otimismo com essas notícias, entretanto, foi anulada pela cautela em relação à Grécia, que teve seu rating rebaixado na última semana. O primeiro-ministro do país, George Papandreou, fez um discurso ontem à tarde no qual disse que vai reduzir o gigantesco déficit orçamentário dos atuais 12,7% projetados para este ano para abaixo do teto de 3% exigido pela UE dentro de 4 anos.
Posição fiscal
Ele também traçou uma série de medidas com objetivo de tranquilizar os investidores sobre a posição fiscal do país. Embora aguardadas, as declarações de Papandreou não fizeram preço nos ativos nos Estados Unidos - e por tabela, no Brasil -, mas os investidores seguem monitorando os desdobramentos.
Bolsas
Em Nova York, as bolsas operaram em alta durante todo o dia. Dow Jones e Nasdaq fecharam em alta de 0,28% e 0,99%, respectivamente. A Exxon Mobil limitaram a alta do índice Dow Jones. As ações da empresa caíam 4,68%, após a Exxon anunciar um acordo para comprar a XTO Energy por US$ 31 bilhões em ações. Com isso, aumentará a presença da gigante do petróleo no setor de gás natural. Citigroup perdia 6,58%. No Brasil, a Bovespa passou a oscilar entre altas e baixas no final da sessão, com destaque para a alta das ações da Vale. Os ganhos dos metais ajudaram os papéis a subirem. Vale ON terminou em +1,78% e PNA, 1,15%.
Petróleo
O preço do petróleo manteve sua trajetória de baixa e fechou ontem a US$ 69,51 o barril, em queda de 0,52%. Os papéis da Petrobras sofreram este impacto, mas fecharam em sentidos contrários: o ON caiu 0,90% e o PN subiu 0,26%.
Eletrobrás
As maiores altas do Ibovespa foram TIM Par ON (+5,93%), TIM Par PN (+5,91%) e Vivo PN (+5,47%). As maiores quedas foram Eletrobrás ON (-6,24%), Eletrobrás PNB (-5,12%) e Embraer ON (-3,09%). JBS ON caiu 3,08%. A companhia anunciou as condições da incorporação do Bertin. A relação de troca estabelecida no negócio foi de 1 ação do Bertin para cada 32,45518835 do Friboi, o equivalente a uma proporção de 40%/60%.
Mercado imobiliário
O megainvestidor americano Sam Zell deu ontem mais uma demonstração de seu apetite pelo mercado imobiliário brasileiro. A sua empresa de investimentos Equity International comprou 8,52% de participação na Brazilian Finance & Real Estate (BRRE), especializada em financiamento imobiliário para pessoas físicas e empresas. Trata-se da sexta empresa brasileira do setor no portfólio de Zell. O investidor já era acionista relevante na Gafisa, Tenda, BRMalls, Bracor e AGV.
Boom do crédito
Há quatro meses, o sócio de Zell, Gary Garrabant, já havia antecipado ao Grupo Estado a existência de negociações com uma empresa de financiamento imobiliário. A ideia era aproveitar o possível boom do crédito no País, com a queda na taxa básica de juros (Selic), e do crescimento da demanda por imóveis populares. Essa operação é estratégica para ambos, de acordo com o diretor-geral da BFRE, Fabio Nogueira.





