MERCADO FINANCEIRO
BOVESPA EM ALTA
NASDAQ EM BAIXA
69 mil pontos
A Bovespa finalmente desencantou: depois de dias de flerte, conseguiu fechar no patamar de 69 mil pontos - o que não acontecia desde junho de 2008 -, graças aos indicadores chineses e norte-americanos. Mas esses últimos, apesar de bons, acabaram freando o ritmo de alta da Bolsa doméstica ao conterem as compras de commodities em razão da valorização do dólar ante as principais moedas globais.
Indicadores
O Ibovespa terminou o dia em alta de 0,78%, aos 69.267,47 pontos - novo pico do ano e maior nível desde 9 de junho do ano passado (69.281,20 pontos). Na semana, acumulou ganhos de 2,46%, no mês, de 3,32%, e, no ano, de 84,47%. Na mínima, registrou 68.750 pontos (+0,03%) e, na máxima, aos 69.502 pontos (+1,13%). O dólar fechou em queda de 0,62%, a R$ 1,7550. Dow Jones fechou em alta de 0,63%, mas Nasdaq caiu 0,03%.
Impulso
Os indicadores mais aguardados pelos investidores em Bovespa eram os da China, um dos principais parceiros comerciais do Brasil e responsável por dar impulso principalmente ao setor de matérias-primas doméstico. E os números não desapontaram. A produção industrial em novembro cresceu 19,2%, em base anualizada, acima da média projetada pelos analistas, de 18,3%, e também do resultado de outubro, 16,1%.
Recuperação
As vendas do setor varejista ficaram abaixo do mês anterior, mas subiram consideráveis 15,8%. Estes dados já serviam para dar estímulo às ações domésticas, mas os Estados Unidos contribuíram com outros índices igualmente favoráveis, que voltaram a colocar na mira dos investidores a percepção de que a maior economia do planeta está mostrando recuperação.
Varejo
O Departamento do Comércio anunciou que as vendas no varejo dos EUA aumentaram 1,3% em novembro, acima da previsão de + 0,7%. Já o índice de sentimento do consumidor preliminar de dezembro, divulgado pela Universidade de Michigan e Reuters, subiu de 67,4 em novembro para 73,4, superando a previsão de alta para 68,8.
Commodities
Com esses dados em mãos, os investidores deixaram as commodities um pouco de lado e voltaram a se fortalecer em dólar, daí a justificativa para a Bovespa, por exemplo, não ter avançado tanto na sessão de ontem. Os metais ainda conseguiram fechar majoritariamente em alta, mas o petróleo manteve sua trajetória de baixa dos últimos dias.
Petróleo
Na Nymex, o contrato para janeiro recuou 0,95%, a US$ 69,87 o barril. Os preços do petróleo encerraram em queda pela oitava vez consecutiva. O barril de West Texas Intermediate (designação do ''light sweet crude'' negociado nos EUA) para entrega em janeiro encerrou a 69,87 dólares, em baixa de 67 centavos. O WTI registra assim uma queda acumulada de quase 11% em pouco mais de uma semana, negociado abaixo dos 70 dólares no fechamento pela primeira vez desde 7 de outubro.
Europa
A alta nos EUA estimulou o resultado das Bolsas europeias, que também terminaram o dia com ganhos. As ações das mineradoras foram destaque, em razão da esperança de aumento na demanda por metais após os dados da China. Em Londres, o FT-100 subiu 0,33%, e fechou com 5.261,57 pontos; em Paris, o índice CAC-40 avançou 0,14%, para 3.803,72 pontos; em Frankfurt, o índice Dax-30 ganhou 0,83%, aos 5.756,29 pontos.
Papéis
No Brasil, as ações da Embraer lideraram os ganhos do Ibovespa, depois que a empresa assinou acordo com o chinês CDB Leasing Co. Ltd. no valor de até US$ 2,2 bilhões para o financiamento e leasing de aeronaves nos próximos três anos. A ação ON subiu 8,99%. A segunda maior alta foi TAM PN (5,64%) e a terceira, All unit (+4,08%). Na outra ponta, Eletrobrás PNB caiu 2,71% e liderou as perdas do Ibovespa, seguida por Braskem PNA (-2,27%) e por Eletrobrás ON (-1,50%). Petrobras ON caiu 0,71% e PN subiu 0,11%. Vale ON terminou em alta de 0,82% e PNA, de 0,97%.
Cotação
O dólar comercial foi vendido ontem por R$ 1,757, em um recuo de 0,50%, nas últimas operações. As taxas oscilaram entre R$ 1,768 e R$ 1,747. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,870, em um recuo de 0,53%. O Banco Central entrou no mercado de câmbio às 15h52 (hora de Brasília) e aceitou ofertas por R$ 1,7593 (taxa de corte). Até quinta-feira, as reservas internacionais somavam US$ 239,118 bilhões.
Juros futuros
O mercado de juros futuros, que sinaliza o custo do dinheiro para os bancos, manteve as taxas projetadas nos contratos de prazo mais longo. No contrato que aponta os juros para outubro de 2010, a taxa prevista permaneceu em 9,78% ao ano, enquanto no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada continuou em 10,34%. Nesse semana, a frustração com o crescimento do PIB no trimestre passado fez muitos analistas revisarem suas projeções de um aumento da taxa Selic (8,75%) logo no primeiro semestre de 2010.
(Das agências)





