BOVESPA EM ALTA
DÓLAR EM QUEDA

Ganhos
A Bovespa aproveitou o humor melhor do mercado externo e teve mais uma sessão de ganhos, ontem bem diferente da véspera, já que trabalhou o dia todo no azul. A ausência de notícias negativas no exterior e a divulgação do PIB no Brasil ajudaram a dar sustentação às ações e a Vale novamente deu importante suporte ao principal índice à vista. O Ibovespa terminou em alta de 1,05%, aos 68.728,29 pontos, maior nível desde os 69.281,20 pontos de 9 de junho de 2008. Dow Jones e Nasdaq também subiram 0,67% e 0,33%, respectivamente. Já o dólar caiu 0,28%, a R$ 1,7660.

Trégua
A agenda externa não estava cheia ontem e o noticiário deu uma trégua, trazendo muitos investidores de volta à ponta compradora. O Brasil, que continua se beneficiando do fluxo externo de recursos, contou ontem com os dados do PIB para garantir mais uma sessão de ganhos. No geral, os dados desapontaram, mas, na abertura dos números, os investidores encontraram justificativas para manterem suas decisões de compras.

PIB
Segundo o IBGE, a economia brasileira avançou 1,3% no terceiro trimestre ante o segundo, abaixo da mediana esperada pelo mercado, de 1,95% - resultado de um intervalo de 1,6% a 2,9%. Mas como o rumo era para cima, os investidores se fiaram nos números da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que entregaram aumento de 6,5%, a maior alta ante o trimestre imediatamente anterior apurada pelo IBGE desde o primeiro trimestre de 2006.

Ajuda
A Bovespa contou ainda com a ajuda do cenário externo ontem. Nos Estados Unidos, os indicadores não prejudicaram as ações, que também trabalharam o dia todo em alta. O número de pedidos semanais de auxílio-desemprego divulgado aumentou 17 mil na semana passada, ante previsão de alta de 8 mil. Embora muito pior que as previsões, o dado foi anulado pela queda da média móvel de pedidos feitos em quatro semanas. Esse dado, calculado para suavizar a volatilidade, recuou 7.750, para 473.750, o menor nível desde 27 de setembro de 2008. Também foi bem recebida a redução do deficit comercial dos EUA em outubro, para US$ 32,94 bilhões, ante US$ 35,65 bilhões. Analistas esperavam que o deficit fosse subir dos US$ 35,65 bilhões em setembro para US$ 37 bilhões.

Vale
Na Bovespa, a alta teve forte influência das ações da Vale, que subiram com vigor durante toda a sessão, impedindo uma queda mais modesta nos momentos em que os investidores economizaram nas compras. Os metais não deram pitaco no desempenho dos papéis, já que fecharam majoritariamente em baixa. A influência veio das perspectivas favoráveis em relação às negociações envolvendo o preço do minério de ferro e também da elevação da recomendação do banco JPMorgan para as ações ON da mineradora, de ''neutro'' para ''overweight''. Vale ON subiu 1,66% e PNA, 1,88%.

Petrobras
Petrobras conseguiu garantir a alta no final da tarde, depois de sofrer o dia todo com a queda do petróleo no mercado externo. Na Nymex, a commodity recuou 0,18%, para US$ 70,54 o barril, mas o preço chegou a ficar abaixo de US$ 70 ao longo da sessão. A queda, segundo especialistas, decorre das continuadas preocupações sobre o excesso de oferta. Aqui, Petrobras ON subiu 0,50% e PN, 0,45%.

Dólar
O preço da moeda americana subiu ao longo de toda a tarde, mas encerrou o expediente devolvendo parte da alta dos últimos dias. Na quarta-feira, a taxa de câmbio bateu seu maior valor desde o início de outubro, a reboque do nervosismo do mercado com os ''ratings'' (notas de risco de crédito) de Grécia e Espanha. Nas últimas operações de ontem, o dólar comercial foi negociado por R$ 1,766, em queda de 0,28%. As taxas oscilaram entre R$ 1,775 e R$ 1,752. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi vendido por R$ 1,880 (estável).

Leilão
O Banco Central promoveu um de seus leilões para compra de moeda mais tardios: a autoridade monetária entrou no mercado às 15h51 (hora de Brasília) e aceitou ofertas por R$ 1,771 (taxa de corte). Profissionais de mercado ressaltam a ação de agentes financeiros, que apostam por meio do mercado futuro na alta do dólar, para puxar as cotações nos últimos dias, num momento de baixo giro de negócios no segmento à vista.

Juros futuros
No mercado de juros futuros, que sinaliza o custo do dinheiro para os bancos, as taxas projetadas tiveram forte queda nos contratos de prazo mais longo. No contrato que aponta os juros para outubro de 2010, a taxa prevista recuou de 9,92% ao ano para 9,81%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada caiu de 10,45% para 10,35%. Esses números são preliminares e podem sofrer ajustes.

(Das agências)

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