Dólar subiu

Bovespa desceu


Dólar


A eliminação de 11 mil vagas de trabalho nos EUA em novembro, abaixo da queda esperada de 125 mil e apresentando o melhor resultado desde dezembro de 2007, combinada com a queda da taxa de desemprego para 10%, fez crescer a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) possa antecipar o início do ciclo de aperto da taxa de juros, o que por sua vez favoreceu o dólar. O comercial fechou em alta de 0,94%, a R$ 1,7250.

Bolsas

Em contrapartida, os preços dos contratos futuros de metais e petróleo caíram e tiraram força das Bolsas. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou em queda de 1,04%, a 67.603,52 pontos. Mas Dow Jones e Nasdaq resistiram, e fecharam em alta de 021% e 0,98%, respectivamente. Além dos dados de desemprego, o mercado acionário doméstico foi agitado ontem pelo anúncio da compra da Casas Bahia pelo Grupo Pão de Açúcar. Apesar dos dados positivos, que levaram o índice a subir até 1,53%, a bolsa acabou fechando no vermelho.

Pão de Açúcar

O Ibovespa manteve na abertura de ontem o sinal negativo do fechamento de ontem, na expectativa do que seria divulgado pelo Departamento do Trabalho norte-americano no final da manhã. Mas a espera não foi enfadonha: a notícia de que o Pão de Açúcar comprou a Casas Bahia animou os negócios, fazendo disparar as ações da rede supermercadista e também da Globex, sua controlada. Pelo anúncio feito pelas empresas, o Pão de Açúcar assumirá a Casas Bahia por meio da Globex, controladora da rede Ponto Frio, adquirida por ela recentemente, e ficará com 50% mais uma ação, enquanto a Casas Bahia terá, por enquanto, 47,84% das ONs e 2,21% das PNs.

Sociedades

A intenção de ambas, segundo comunicado, é que a Casas Bahia atinja uma participação de 49% no capital votante da Globex. Na associação, também serão consolidados, em uma ou mais sociedades, os negócios de comércio eletrônico de bens duráveis na Nova PontoCom, que hoje são explorados por Globex, Casas Bahia e Pão de Açúcar. Isso acabou pesando sobre as ações da sua principal concorrente do setor: B2W ON perdeu 4,77%, na maior queda do índice, enquanto Pão de Açúcar PNA liderou as altas, com 9,73%. Globex ON disparou 28,36%.


Mercado de trabalho

Apesar dos números gigantes da operação, este negócio não teve força para conduzir o Ibovespa, que apesar dos números bastante favoráveis sobre o mercado de trabalho norte-americano, voltou a cair no início da tarde e seguiu assim até o final. Com dados favoráveis do mercado de trabalho dos EUA em mãos, indício de que a economia está se recuperando mais rápido do que o previsto, os investidores anteciparam a expectativa do início do ciclo de aperto da taxa de juros. O dólar também passou a se fortalecer diante dos fatos. E, na troca de ativos, as commodities é que foram para a fogueira.

Petróleo

Daí a fraqueza do Ibovespa, que virou puxado pelas blue chips, embora a queda depois tenha se espalhando numa oportuna realização dos lucros acumulados. Na Nymex, o contrato do petróleo para janeiro terminou em baixa de 1,29%, a US$ 75,47 o barril. Petrobras ON perdeu 2,02% e PN, 2,29%. Vale ON recuou 1,84% e PNA, 2,25%. O setor siderúrgico caiu em bloco: Gerdau PN, -1,04%, Metalúrgica Gerdau PN, -0,28%, Usiminas PNA, -0,49%, e CSN, -1,03%. Além de Pão de Açúcar na liderança, as maiores altas do Ibovespa também ficaram com Cesp PNB (+3,16%) e TAM PN (+2,55%). Na outra ponta, B2W foi a maior perda, seguida Celesc PNB (-4,37%) e Redecard ON (-3,45%).


Juros futuros

O mercado de juros futuros, que sinaliza o custo do dinheiro para os bancos, ajustou para cima, novamente, as taxas projetadas nos contratos de prazo mais longo. No contrato que aponta os juros para outubro de 2010, a taxa prevista avançou de 9,89% ao ano para 9,92%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada passou de 10,41% para 10,45%. Esses números são preliminares e podem sofrer ajustes.

Cartões

A abertura do mercado de cartões de crédito no Brasil deverá fazer surgir 20 novos adquirentes (''emissores'' de cartões) nos próximos cinco anos -hoje dois deles detêm mais de 90% do mercado. A abertura também diminuirá as margens de lucro e dobrará o faturamento do setor até 2013, além de reduzir os custos para os lojistas. Nos próximos quatro anos, as transações comerciais por cartão de crédito devem movimentar R$ 758 bilhões, alta de 152%. A receita líquida do setor dobrará, atingindo R$ 15,5 bilhões, e o lucro líquido - que hoje é de R$ 3,7 bilhões-atingirá R$ 7,4 bilhões. As margens de lucro deverão atingir 30% ao ano contra os 50% atuais. Essas previsões foram apresentadas ontem pela CSU Card System, líder do mercado na oferta de soluções tecnológicas para as transações comerciais por cartão de crédito.

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