MERCADO FINANCEIRO
Dólar subiu
Bovespa caiu
Estável
O mercado de câmbio doméstico finalizou novembro em sua maior taxa do mês, mas praticamente estável (leve queda de 0,06%) no acumulado deste período. Embora analistas apontem ainda alguma preocupação com o episódio Dubai, alguns também lembram a tradicional disputa entre ''comprados'' (que ganham com alta) e ''vendidos'' (que ganham com a baixa) no último dia útil.
Movimentação
Assim, o dólar comercial foi vendido por R$ 1,754, alta de 0,57%, nas últimas operações de ontem. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,756 e R$ 1,734. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,860, alta de 0,54%. No mercado internacional, o dólar desvalorizou frente ao euro e uma cesta de moedas. Agências internacionais indicaram algum alívio com a perspectiva do banco central dos Emirados Árabes em garantir liquidez aos bancos mais afetados pelo ''default'' da Dubai World.
Influências
O mercado de câmbio doméstico foi afetado ainda por um fator interno: o vencimento dos contratos futuros de dólar na BM&F. No último dia útil do mês, agentes financeiros com posições nesses contratos costumam agir no mercado à vista para influenciar a formação dos preços da moeda americana conforme ganhem com a alta ou a baixa da cotação.
Previsões
O boletim Focus, do Banco Central, mostrou que a maioria dos economistas do setor financeiro elevou suas projeções para o IPCA de 2010 - de 4,43% para 4,45% (ainda abaixo da meta oficial, de 4,5%). A previsão para o crescimento do PIB deste ano foi levemente rebaixada, de 0,21% para 0,20%, enquanto a estimativa para 2010 foi mantida em 5%.
Juros futuros
O mercado de juros futuros, que sinaliza o custo do dinheiro nos bancos, elevou mais uma vez as taxas projetadas nos contratos de mais longo prazo. No contrato que aponta os juros para outubro de 2010, a taxa prevista passou de 9,76% ao ano para 9,78%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada subiu de 10,29% para 10,32%. Esses números são preliminares e podem sofrer ajustes.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) concluiu o último pregão do mês praticamente estável e mantendo um dos mais altos patamares do ano, em torno dos 67 mil pontos. O episódio Dubai ainda é monitorado pelos investidores, mas sem o nível de nervosismo da semana passada. O Ibovespa, termômetro dos negócios da Bolsa paulista, teve leve baixa 0,06%, aos 67.044 pontos. O giro financeiro foi de R$ 8,46 bilhões. Em novembro, a Bolsa acumulou valorização de 8,93%. A ação preferencial da Petrobras, ativo mais negociado da Bolsa, desvalorizou 0,25%, com movimento de R$ 630 milhões. Com giro de outros R$ 603 milhões, a ação de mesmo tipo da Vale teve recuo de 1,23%.
Lembrete
O economista-chefe do banco Schahin, Silvio Campos Neto, avalia que o ''episódio Dubai'' funcionou como um lembrete ao mercado sobre os possíveis ''rescaldos da crise financeira''. ''Desta forma, o viés é levemente negativo para os preços dos ativos domésticos nesta semana, com o aumento do risco não sendo compensado pela expectativa de retorno no curto prazo'', comentou, no relatório semanal do banco sobre as perspectivas do mercado financeiro.
'Livro Bege'
Analistas apontam ainda outros dois eventos que mexem com as expectativas dos investidores: o famoso ''Livro Bege'' (influente sumário da economia americana), na quarta, e o ''payroll'' (relatório sobre geração de empregos nos EUA), na sexta. Nos EUA, o ISM (Instituto de Gestão de Oferta, na sigla em inglês) reportou que a atividade no setor manufatureiro na região de Chicago (centro-norte dos EUA) teve expansão em novembro, em seu maior ritmo desde agosto de 2008.
PIB
No front doméstico, o boletim Focus, do Banco Central, mostrou que a maioria dos economistas do setor financeiro elevou suas projeções para o IPCA de 2010 -de 4,43% para 4,45% (ainda abaixo da meta oficial, de 4,5%). A previsão para o crescimento do PIB deste ano foi levemente rebaixada, de 0,21% para 0,20%, enquanto a estimativa para 2010 foi mantida em 5%.
Empresas
A OGX, braço petrolífero do conglomerado EBX, do empresário Eike Batista, anunciou ontem a descoberta de hidrocarbonetos no bloco BM-C-41, na Bacia de Campos. A ação ordinária teve ganho de 3,84% no pregão de ontem, sendo um papéis mais negociados (R$ 377 milhões).
Refis
O caixa do governo federal já teve um reforço extra de cerca de R$ 1 bilhão em novembro por conta do chamado Refis da Crise. Desde seu início, em 17 de agosto, até a quinta-feira da semana passada, o programa de renegociação de dívidas dos contribuintes com a Receita e com a Procuradoria-Geral da Fazenda
Nacional arrecadou R$ 1,8 bilhão.
Arrecadação
Em outubro, a receita de R$ 776 milhões gerada pelo Refis da Crise ajudou, junto com os depósitos judiciais originados da Caixa Econômica Federal, o governo a ter arrecadação recorde para o mês de outubro. Como os dados das contas públicas mostram que o governo está com dificuldades para cumprir a meta fiscal de 2009, a arrecadação do programa de recuperação fiscal em novembro representará uma importante contribuição para esse esforço. De acordo com os dados da Receita Federal, o programa já teve 1,17 milhão de adesões de contribuintes. Dessas, 514,7 mil já estão validadas - o que é garantido com o pagamento da primeira parcela da renegociação.





