Dólar subiu
Bolsas caiu



Queda

O Oriente Médio causou ontem a queda das bolsas de valores no Brasil e na Europa em um dia em que o mercado financeiro americano estava fechado devido ao feriado de Ação de Graças. Mas, desta vez, o princípio da crise não teve relação direta com petróleo ou instabilidade política. Desde ontem, já era conhecido que a empresa estatal de investimentos Dubai World, dos Emirados Árabes, com passivos de quase US$ 60 bilhões, pedirá uma ''paralisação'' por seis meses no pagamento de sua dívida. Mas hoje cresceram os temores sobre qual o impacto de um possível calote nas praças financeiras da Ásia e da Europa.

Ibovespa

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou em queda de 2,25%, aos 66.391,80 pontos. Em Londres, o índice FT-100 caiu 3,18%; em Paris, o índice CAC-40 perdeu 3,41%; em Frankfurt, o Dax-30 caiu 3,25%; em Madri, o Ibex-35 caiu 2,58%. O dólar disparou 1,39%, cotado a R$ 1,7500. Na avaliação do economista José Góes, da Win Trade, a notícia é desagradável e a memória da crise está recente. Há, segundo ele, possibilidade de a coisa virar uma bola de neve, embora ele não acredite nisso. Hoje, a seu ver, a notícia abriu espaço para a Bovespa devolver parte dos mais de 80% de ganhos acumulados em 2009 até ontem. Ele acredita que a Bovespa até pode continuar realizando lucros, mas nada com muita severidade. ''Vai dar uma boa chance de compra e dar um gás para o final do ano'', disse.

Commodities

A aversão a risco desencadeada no exterior puxou o preço das commodities para baixo e levou a Bovespa a uma queda praticamente generalizada. Petrobras ON caiu 2,79%, PN, 2,53%, Vale ON, 2,98%, Vale PNA, 2,05%. No setor financeiro, Bradesco PN recuou 2,23%, Itaú Unibanco PN, 3,27%, BB ON, 2,08%. Panamericano PN caiu 6,45%. Ontem, o banco confirmou que está em negociação com a Caixa Econômica Federal para a venda de 49% do capital social votante e 20% do capital não votante - resultando em uma participação total de aproximadamente 35% do capital social.

Câmbio

Além do clima externo adverso, o mercado de câmbio sofreu pressão por causa da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). O mercado temia que saísse dessa reunião alguma medida para conter a valorização do real. Mas, de acordo com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o CMN não colou em pauta nenhum voto relacionado ao câmbio. ''O BC não trouxe nenhum voto relacionado a isso, quem sabe na próxima reunião'', disse o ministro. Para o economista Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio, o mercado aproveitou o cenário externo de ajuste do dólar ontem e o estresse gerado pela incerteza sobre as decisões do CMN para corrigir a taxa do dólar de forma mais consistente a fim de criar oportunidades para a zeragem de posições vendidas em dólar futuro.

Dólar

A cotação da moeda americana teve a sua maior disparada do mês, em meio ao nervosismo global com a notícia de uma possível moratória em Dubai (Emirados Árabes Unidos). O giro de negócios também foi afetado pelo feriado nos EUA (Dia de Ação de Graças). Dessa forma, o dólar comercial foi negociado por R$ 1,750, alta de 1,39%, nas últimas operações de ontem. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,756 e R$ 1,731. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi vendido por R$ 1,860, um aumento de 1,63%.

Juros futuros

O mercado de juros futuros, que sinaliza o custo do dinheiro nos bancos, ajustou para cima as taxas projetadas nos contratos de mais longo prazo.
Entre as principais notícias do dia, a inflação medida pelo IPCA-15 foi de alta de 0,44% em novembro, pouco acima das apostas em 0,37% e bem acima da variação medida em outubro (0,18%). No acumulado do ano, o índice registra alta de 3,79%, acima dos 3,34% observados de janeiro a outubro de 2008. No contrato que aponta os juros para outubro de 2010, a taxa prevista passou de 9,69% ao ano para 9,75%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada avançou de 10,20% para 10,28%. Essas taxas são preliminares e podem sofrer ajustes.


Entenda o Economês

Moratória - No direito comercial, termo que designa a prorrogação do prazo concedido pelo credor a seu devedor para pagamento de uma dívida. Há um acordo entre ambas as partes, distinguindo-se da concordata pelo seu caráter não judicial. No caso das relações econômicas internacionais, a moratória é uma declaração unilateral do devedor declarando que não pagará uma dívida nos prazos e demais condições estipulados no contrato. Trata-se de medida extrema que em geral bloqueia o declarante em relação às fontes de crédito internacional. Ou melhor, os fluxos financeiros internacionais se reduzem drasticamente em relação ao país que declarar a moratória.

mockup