BOLSAS AMERICANAS EM ALTA
JUROS FUTUROS EM QUEDA

Bolsas
O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) subiu ontem 1,41%, aos 64.815,72 pontos, e o dólar fechou em queda de 0,35%, cotado aos R$ 1,7220, como resultado de mais um dia em que os investidores se decidiram por aplicações mais arriscadas. Dow Jones e Nasdaq também subiram forte ontem: 2,08% e 2,42%, respectivamente.

Papéis
Além da alta das ações americanas, o mercado brasileiro foi movido pelo crescimento de 154% do lucro líquido da Vivo no terceiro trimestre, que subiu de R$ 133,9 milhões no mesmo período do ano passado, para R$ 340 milhões. Em relação ao segundo trimestre, a alta foi de 97,2%. Com isso, as ações preferenciais (PN) subiram 5,19%, na maior alta do Ibovespa.

Petrobras
As ações da Petrobras também subiram ontem, embora o preço do petróleo para dezembro recuou 0,97%, a US$ 79,62 o barril em Nova York. Mas a alta pode ter sido motivada pelo anúncio de quarta-feira da Petrobras, sobre o acordo para aquisição da Chevron Chile, que produz lubrificantes, por cerca de US$ 12 milhões.

Vale
A Vale ON teve ganho de 0,43% e PN, de 0,77%. A Vale esteve no noticiário ontem com a informação de que o grupo siderúrgico ArcellorMittal vai investir US$ 5 bilhões para construir, em parceria com a mineradora brasileira, a Companhia Siderúrgica de Ubu, no Espírito Santo. O grupo indiano vai substituir a chinesa BaoSteel, que desistiu do projeto durante a crise financeira.

EUA
Nos Estados Unidos, as bolsas subiram com os dados sobre os pedidos de auxílios-desemprego, que caíram muito mais do que era previsto. Na semana passada, a queda foi de 20 mil, ante previsão de queda de 5 mil. Além disso, a produtividade da mão de obra subiu 9,5% no terceiro trimestre, ante previsão de 7%. Este último dado, no entanto, foi lido com alguma ressalva, já que pode ser um sinal de que os empresários estão demitindo para economizar dinheiro.

Colaboração
Além dos índices, o balanço da Cisco Systems também colaborou com o clima positivo do mercado. A empresa anunciou lucro acima do esperado no primeiro trimestre fiscal, de US$ 1,8 bilhão (US$ 0,30 por ação). A Research In Motion - fabricante do Blackberry - também deu sua contribuição, depois de afirmar que vai recomprar até US$ 1,2 bilhão em ações próprias.

Juros
A divulgação ontem, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), de que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria no mês passado ficou em 79,8%, de 80,2% em agosto, reforçou no mercado a aposta de que o crescimento econômico não provocará inflação, evitando que os juros possam subir já no início de 2010.

Futuros
Com essa expectativa, os juros futuros se mantiveram em queda. Ao término da negociação normal da BM&F, o DI janeiro de 2011 (298.990 contratos) estava em 10,13%, de 10,22% ontem. O DI julho de 2010, perto de romper a marca de 9%, projetava 9,02%, de 9,07% de quarta, com 58.780 contratos. O DI janeiro de 2012 (57.560 contratos) recuava de 11,55% no ajuste e 11,58% no fechamento de quarta para 11,52%.

Dívida
O governo pode flexibilizar o prazo permitido para a compra antecipada de dólares destinada ao pagamento de dívida externa privada e pública. Essa é uma das propostas que circulam no governo dentro da estratégia de liberalizar o mercado de câmbio e conter a valorização do real em relação ao dólar. Atualmente, só podem ser adquiridos dólares para se pagar dívida externa a vencer em até 12 meses (360 dias), mas já se discute no governo tanto a possibilidade de ampliação do prazo, ou simplesmente o fim da existência de um prazo. Até o momento, não há qualquer decisão tomada sobre a flexibilização dos prazos.


Entenda o Economês
Dívida interna: Total dos débitos assumidos pelo governo junto às pessoas físicas e jurídicas residentes no próprio país. Sempre que as despesas do governo superam a receita, há necessidade de dinheiro para cobrir o déficit. Para isso, as autoridades econômicas podem optar por três soluções: emissão de papel-moeda, aumento da carga tributária e lançamento de títulos. A emissão de papel-moeda nem sempre é inflacionária, mas, em muitos países, há necessidade de autorização do legislativo. O aumento da carga tributária, além de ser uma medida politicamente antipática, pode trazer consequências recessivas, pela diminuição do meio circulante. Finalmente, a colocação de títulos junto ao público pode gerar altas violentas nas taxas de juros, provocando um aumento da própria dívida interna (agora acrescida de juros). Dessa forma, dependendo do nível do déficit, podem ser combinadas as três soluções, com maior ou menor ênfase em cada uma das alternativas, de tal maneira que sejam evitados os males de cada uma delas.

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