MERCADO FINANCEIRO
DÓLAR EM ALTA
BOVESPA EM BAIXA
Fragilidade
Após a indicação de que os Estados Unidos estão saindo de uma recessão técnica, com a alta de 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre anunciada na quinta-feira, o mercado financeiro está mais calmo. Certo? Não é o que o mercado demonstrou ontem, quando dados econômicos ruins divulgados naquele país suscitaram a fragilidade da retomada da economia.
Sinais
A falta de sinais claros sobre o caminho da economia americana tumultuou o mercado. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou ontem em queda de 3,41%, aos 61.545,50 pontos, depois de ter subido quinta 5,91%. Por muito pouco o Ibovespa não fechou o mês no negativo, conseguindo fechar em pequena alta de 0,05%. O dólar disparou 1,44%, cotado a R$ 1,7560, com investidores vendendo ações e comprando dólares para enviá-los ao exterior, segundo um operador do mercado financeiro.
Pressão
Nos Estados Unidos não foi diferente. Pressionados pelos papéis de empresas ligadas às matérias-primas e do setor financeiro e pelos indicadores mistos sobre a economia norte-americana, o Dow Jones caiu 2,51%, e o Nasdaq, 2,50%. Na quinta-feira haviam subido 2,05% e 1,84%, respectivamente. Os dados que foram mal digeridos pelo mercado, apesar de estarem dentro da previsão, foram, em primeiro lugar, os gastos pessoais dos norte-americanos, que apresentaram queda de 0,5% em setembro em relação a agosto, no declínio mais acentuado desde dezembro do ano passado.
Aversão
O índice de sentimento nos EUA, medido pela Reuters e Universidade de Michigan, também caiu de 73,5 em setembro para 70,6 ao final de outubro, mas ficou acima da previsão de analistas, que era de queda para 69,8. Também pesaram os comentários desfavoráveis do investidor bilionário Wilbur Ross. Segundo operadores, os comentários do investidor sobre o início de uma ''grande quebra'' no setor de imóveis comerciais dos EUA contribuiu para alimentar a aversão ao risco. Ross, que preside a W.L. Ross & Co., disse que as taxas de ocupação e de aluguel desses imóveis estão caindo, enquanto as taxas de retorno buscadas pelos investidores estão crescendo.
Europa
As bolsas europeias fecharam em baixa, devolvendo ganhos quando as ações dos setores ligados às commodities se enfraqueceram e depois ampliaram as perdas perto do fechamento, com os investidores mostrando um renovado receio em correr riscos. O FTSE 100 de Londres perdeu 1,81%; o CAC-40 da Bolsa de Paris caiu 2,86%; o índice DAX da Bolsa de Frankfurt perdeu 3,09%; e o IBEX35 da Bolsa de Madri caiu 2,30%. Em Nova York, o petróleo para dezembro caiu 3,59%, a US$ 77. A queda da commodity puxou as ações da Petrobras, que perderam 2,83%, a R$ 35,04 nas PN e 3,11%, a R$ 40,50 nas ON.
Papéis
As commodities metálicas também fecharam em baixa, o que pesou nos papéis da Vale. A ação PNA cedeu 4,01%, a R$ 39,45 e as ON, -3,66%, a R$ 44,80. Na quinta-feira, as ações da mineradora subiram mais de 8%. Entre as siderúrgicas, Usiminas PNA caiu 2,25%, a R$ 46; CSN ON, -2,67%, a R$ 58,30; e Gerdau PN, -4,36%, a R$ 26,30. Embraer ON despencou 10,60%, a R$ 8,94, figurando entre as maiores quedas do índice paulista. A empresa informou lucro líquido de US$ 57,7 milhões no terceiro trimestre, pelo padrão contábil norte-americano US Gaap. O resultado ficou 5,9% abaixo da média de US$ 61,37 milhões calculada por três instituições financeiras.
Leilão
O ambiente externo também deverá ter maior impacto no dólar. Para o economista Miguel Daoud, sócio-diretor da Global Financial Advisor, o Banco Central mudou ao longo deste mês sua forma de atuação nos leilões de compra diários, ao deixar de adquirir moeda à vista além do fluxo cambial registrado, o que representa um sinal de que não aceitará uma apreciação exagerada do real.
Reação
''Diante dessa mudança de postura do BC e do início da cobrança de IOF de 2% sobre o ingresso de investimentos estrangeiros para renda fixa e variável, a tendência é que o dólar passe a reagir mais focado no cenário externo. Quando lá fora o ambiente for positivo, o dólar deve cair e quando o ambiente externo for negativo, a cotação da moeda tende a subir'', previu.
Instabilidade
Se o mês de outubro foi de grande instabilidade, o mesmo pode se esperar de novembro. Isso porque já na próxima semana serão divulgados dados importantes nos Estados Unidos, como o payroll de outubro. Além disso, haverá também a reunião de política monetária do Comitê do Mercado Aberto (Federal Open Market Committee, FOMC).
Aja coração!
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará a produção industrial de setembro. Além disso, o mercado doméstico estará fechado na segunda-feira, em razão do feriado de Finados, enquanto os mercados mundiais irão operar normalmente. ''Esse feriado vai trazer mais volatilidade aos negócios aqui. Na terça-feira quando a bolsa abrir vai refletir o que aconteceu na segunda-feira e também os indicadores do dia. Aja coração'', brincou a fonte.
(Agência Estado)





