MERCADO FINANCEIRO
DÓLAR EM ALTA
BOLSAS EUROPEIAS EM BAIXA
Nervosismo
O mercado atravessa um momento de nervosismo e maior aversão ao risco, como sinalizam as Bolsas de Valores, em derrocada mundial na jornada de ontem. E hoje o otimismo dos investidores com o ritmo de recuperação da economia global passará por um ''teste de fogo''' com a divulgação do PIB dos EUA, relativo ao terceiro trimestre. O dólar comercial foi vendido por R$ 1,755, em um acréscimo de 0,92% sobre a cotação final de terça-feira.
Cotações
Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,760 e R$ 1,733. Nas casas de câmbio paulista, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,860, em alta de 1,08%. E por conta da valorização recente da taxa cambial, profissionais de mercado já avaliam a possibilidade dos preços da moeda baterem a casa dos R$ 1,80 no curto prazo, nível ''perdido'' desde 24 de setembro.
Fluxo cambial
O fluxo cambial do país (saldo entre entradas e saídas de dólares) está positivo em US$ 12,84 bilhões no mês de outubro (até o dia 23), informou o Banco Central. No acumulado de janeiro até o dia 23 deste mês, o fluxo é positivo em US$ 21,099 bilhões. Em 2008, o fluxo cambial estava negativo em US$ 3,177 bilhões, considerando o mesmo período de outubro (16 dias úteis). E considerando o período de janeiro a outubro desse ano, o resultado estava positivo em US$ 14,011 bilhões.
Saldo
Pela conta comercial (operações de comércio exterior), o saldo está positivo em US$ 820 milhões neste mês de outubro. Pelo lado financeiro, o resultado é positivo em US$ 12,022 bilhões. Trata-se do primeiro registro após a decisão do governo de cobrar 2% de IOF do capital externo que entra no país para investir em ações ou títulos, medida vigente desde o último dia 17. No acumulado de janeiro a outubro, a conta comercial acumula saldo positivo de US$ 8,929 bilhões, enquanto a conta financeira tem saldo também positivo, de US$ 12,022 bilhões.
Santander
O grupo financeiro espanhol Santander informou ontem que obteve um lucro líquido de 2,22 bilhões de euros (US$ 3,28 bilhões) no terceiro trimestre deste ano, contra 2,20 bilhões de euros (US$ 3,26 bilhões) um ano antes, um avanço de 0,72%. Entre janeiro e setembro deste ano, o lucro da instituição foi de 6,740 bilhões de euros (US$ 9,975 bilhões), resultado 2,8% menor que no mesmo período de 2008. O grupo informou que destinou 2,247 bilhões de euros (US$ 3,330 bilhões) procedentes de acréscimos líquidos para provisões genéricas e para sanear os imóveis adquiridos.
Europa
As Bolsas europeias fecharam em queda ontem. Os resultados da companhia alemã de software SAP e do grupo siderúrgico ArcelorMittal desapontaram os investidores, além dos indicadores desfavoráveis divulgados nos Estados Unidos entre ontem. A Bolsa de Londres caiu 2,32%; a Bolsa de Frankfurt caiu 2,46%; a Bolsa de Zurique teve queda de 1,38%; a Bolsa de Amsterdã fechou com perdas de 2,52%; e a Bolsa de Madri fechou em baixa de 1,80%. A SAP informou que seu lucro no terceiro trimestre foi de 435 milhões de euros (US$ 641,1 milhões), com vendas de 2,5 bilhões de euros (US$ 3,7 bilhões), números que frustraram as estimativas do mercado. As ações da empresa caíram mais de 7%.
Juros futuros
Os contratos de juros futuros abandonaram o viés de baixa do período da manhã para encerrar o dia sem direção definida na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Os curtos ficaram próximos da estabilidade, enquanto os longos apontaram para cima, acompanhando a deterioração de cena externa. Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,01 ponto percentual, a 10,22%. Já o vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,01 ponto, a 11,45%. E janeiro de 2013 projetava 12,24%, alta de 0,05 ponto. Janeiro de 2014 e janeiro de 2015 também acumularam prêmios.
Vencimentos
Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 cedeu 0,01 ponto, a 8,65%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, também perdeu 0,01 ponto, a 9,07%. E novembro de 2009 fechou estável a 8,63%.
Crise
A crise econômica ainda não ficou para trás, apesar dos sinais de melhora no mundo todo. A avaliação é do investidor americano James Rogers, ou Jim Rogers como é mais conhecido. ''É claro que devemos falar de recuperação global, uns estão indo melhor do que outros e alguns países vão sofrer mais quando outra desaceleração vier'', afirmou, em entrevista por telefone, de Cingapura, onde mora atualmente.
Perspectivas
Segundo Rogers, o mundo deve voltar a desacelerar em 2010 ou 2011, dependendo de cada país. O Brasil, segundo ele, deverá sofrer bem menos, mas não deixará de ser afetado. Rogers foi co-fundador do fundo de investimentos Quantum Fund, nos anos 70, juntamente com George Soros. Em 10 anos, o portfólio do fundo ganhou ao redor de 4.000%, enquanto o S&P 500 valorizou 50% no período.
(Das agências)





