PETRÓLEO EM ALTA
DÓLAR EM BAIXA

Reflexos
A queda no índice de confiança nos Estados Unidos para um dos mais baixos níveis desde o início da década de 80 e a queda no nível de atividade incentivaram a realização de lucros dos investimentos do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), que fechou em queda de 2,96%, reduzindo a pontuação para 63.161,04. O dólar fechou em queda de 0,06%, em R$ 1,7390, num dia de grande instabilidade das cotações.

Vale
A ampliação da queda do Ibovespa à tarde foi puxada pelos papéis da Vale. A companhia divulga seu balanço do terceiro trimestre hoje e a expectativa é de que o resultado seja inferior ao obtido no mesmo período em 2008. O operador de uma corretora disse que as ações da Vale foram responsáveis, em grande parte, pela alta da bolsa neste ano. ''Como o momento está propício para a realização de lucro nada mais natural do que a Vale liderar o movimento, ainda mais em véspera de balanço e com expectativa de resultado menor'', disse a fonte.

Papéis
Ontem as ações PNA da empresa caíram 4,48%, a R$ 39,65 e as ON, -3,77%, a R$ 44,65. De janeiro a ontem, os papéis PNA da companhia apuram ganhos de 70,95% e os ON 65,42%, enquanto o Ibovespa sobe 68,21%. A combinação de preços mais baixos do minério de ferro e menores volumes de vendas devem levar o lucro líquido da companhia para US$ 1,8 bilhão, queda de 62% ante os US$ 4,8 bilhões obtidos no terceiro trimestre de 2008, segundo estimativas de sete instituições financeiras.

Ajustes
O economista da Legan Asset Management, Fausto Gouveia, ressaltou que a temporada de balanços de empresas domésticas vai forçar o movimento de ajuste na bolsa. ''Há espaço para a bolsa realizar, os balanços podem forçar esse ajuste'', afirmou, ressaltando que ontem o movimento teve início após a divulgação do índice de confiança nos EUA. ''A confiança do consumidor muito baixa foi a faísca que inibiu a alta lá fora e puxou a queda aqui dentro'', afirmou.

EUA
Nos EUA, a preocupação com as condições no mercado de trabalho derrubou a confiança do consumidor norte-americano em outubro, contrariando as expectativas de melhora. O índice do Conference Board caiu para 47,7 em outubro, de 53,4 em setembro e previsão de analistas de 53,2. Mas o dado abateu apenas parcialmente os negócios em Wall Street, onde os investidores também aguardam o PIB amanhã.

Indicadores
O índice de atividade do Federal Reserve de Richmond, também divulgado pela manhã, ajudou ainda a minar o humor dos investidores. O índice de atividade de Richmond caiu de 14 em setembro para 7 em outubro e reforçou o sentimento de cautela. Ainda assim, as ações do setor de energia ajudaram o Dow Jones a fechar em alta de 0,14%, amparadas no avanço dos preços do petróleo. O mesmo não aconteceu com o S&P 500 (-0,33%) e o Nasdaq (-1,20%).

Europa
Na Europa, as bolsas fecharam em direções divergentes, mas próximas à estabilidade, à medida que dados negativos sobre a confiança do consumidor nos Estados Unidos contrastaram com resultados melhores que os esperados da gigante petrolífera BP do Reino Unido. O FTSE 100 da Bolsa de Londres em alta de 0,18%. O CAC-40 da Bolsa de Paris fechou em leve queda de 0,01%, enquanto o índice DAX de Frankfurt perdeu 0,13%. O Ibex35 de Madri teve alta de 0,10%.

Petróleo
Em Nova York, o petróleo para dezembro encerrou em alta de 1,11%, a US$ 79,55. As ações da Petrobras não acompanharam a commodity e encerraram no vermelho. O papel PN cedeu 2,04%, a R$ 35,95, e o ON -2,51%, a R$ 41,53. Se nos últimos dois dias o petróleo ajudou a Gol e a TAM, ontem isso não aconteceu. A ação PN da Gol caiu 4,01%, a R$ 18,90. Já o papel PN da TAM conseguiu reverter a queda nos minutos finais e encerrar com ganho de 0,96%, a R$ 27,28.

Efeito psicológico
Profissionais de mercado avaliam que o ''efeito psicológico'' das medidas do governo para impedir uma queda ainda maior das taxas cambiais continua a fazer efeito sobre o mercado de moeda. Analistas também afirmam que realização de lucros (venda de ações mais caras) na Bolsa de Valores têm afetado a formação dos preços, com alguma saída de capital estrangeiro e a compra de dólar. Nas últimas operações do dia, o dólar comercial foi vendido por R$ 1,739, estável sobre a cotação final de segunda-feira. Os preços da moeda americana variaram entre R$ 1,745 e R$ 1,727. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,840, estável.

Nervosismo
A taxa de câmbio tem refletido o nervosismo da bolsa, acompanhando a sinalização externa, onde o dólar também recuperou parte do seu valor frente ao euro, que chegou a bater a taxa histórica de US$ 1,50 na jornada de segunda, voltando para US$ 1,48 ontem. Analistas de mercado destacam que a taxação de capital estrangeiro contribuiu para essa trajetória muito mais por ''medo'' do que pelo efeito real da medida, qualificado como ''marginal, ou na na melhor das hipóteses, transitório'', pela Moody's, em relatório assinado por Mauro Leos, analista-chefe para o Brasil dessa agência.

(Das agências)

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