MERCADO FINANCEIRO
DÓLAR EM ALTA
DOW JONES EM QUEDA
Dólar
O dólar subiu ontem 1,58%, fechando a R$ 1,7400, com a queda das bolsas nos Estados Unidos e com uma falha na Rede de Comunicação da Comunidade Financeira da BM&FBovespa, o que provocou a interrupção das negociações por 53 minutos nos sistemas da BM&F e da Mega Bolsa, da Bovespa. O problema levou o investidor a operar com American Depositary Receipts (ADRs), ações de companhias brasileiras negociadas em Nova York.
Compras
Quando a Bolsa voltou a funcionar, os investidores venderam ações e compraram dólares para enviar ao exterior. ''A Bolsa ficou parada por uma hora, o investidor não cruzou os braços, correu para operar ADRs lá fora. Isso se refletiu em investidor saindo da Bolsa para comprar dólar e operar ADRs lá fora'', disse um operador de uma corretora.
Parceria
Os problemas aconteceram justamente após a BM&FBovespa anunciar parcerias com a Nasdaq que preveem, entre outros, o desenvolvimento de um sistema de roteamento de ordens integrado. A ação da BM&FBovespa, que subia desde a abertura, virou na reabertura após a pane e fechou com perda de 1,63%, a R$ 12,05. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou praticamente estável, com alta de 0,04%, aos 65.085,55 pontos.
Força
O dólar se fortaleceu ontem no mercado de moedas com a queda das bolsas, que caíram por causa das ações de empresas financeiras e de energia. Dow Jones e Nasdaq caíram 1,05% e 0,59%. Nos EUA, as Bolsas fecharam em queda refletindo o declínio dos papéis do setor financeiro, que sofriam o impacto da notícia de que o número de bancos falidos no país chegou a 106 neste ano - patamar anual mais alto desde 1992. Também pesava sobre as bolsas o declínio nos preços do petróleo, que puxou para baixo as ações de empresas do setor de energia.
Indicadores
O dólar, por sua vez, ganhou força, principalmente em relação ao euro, com a divulgação do índice de atividade industrial do Fed de Dallas. O índice geral passou de -6,4 em setembro para -3,3 em outubro, mas o índice de produção caiu de -0,5 em setembro para -8,0 em outubro, e o de novas encomendas piorou de 8,0 para -2,8. Investidores, preocupados com o vigor da recuperação global, passaram a vender ativos de risco. Em Nova York, o petróleo para dezembro encerrou em baixa de 2,26%, a US$ 78,68 o barril.
Atípico
Já a Bovespa teve um dia atípico ontem. Ficou parada por cerca de uma hora em razão da pane nos sistemas. O problema levou o investidor a operar ADRs em Nova York. Desta forma, quando a Bolsa voltou a funcionar normalmente os investidores venderam ações e compraram dólares para enviar ao exterior. Os negócios na Bovespa essa semana prometem ser voláteis, em razão da divulgação de importantes indicadores domésticos e externos e da intensa safra de balanços de companhias norte-americanas.
Blue chips
A expectativa positiva em relação ao balanço da Vale está livrando as ações da mineradora do noticiário desfavorável, o que ajudou o Ibovespa a não fechar a sessão no vermelho. Os papéis PNA subiram 1,24%, a R$ 41,51 e os ON, +0,63%, a R$ 46,40.
Interferência
Os investidores não gostaram da ideia de criação de uma Agência Nacional de Mineração e de um Conselho Nacional de Política Mineral, que permitirá ao governo maior ingerência sobre as prospecções minerais no País. A avaliação é de que se trata de uma interferência do governo na mineradora, que abre o precedente para intervenções em outros setores.
Petróleo
A ação ON da Petrobras acompanhou a queda do petróleo na maior parte do dia, mas no final fechou com ganho de 0,45%, a R$ 42,60. A ação PN subiu 0,55%, a R$ 36,70. Notícia vinda de Tóquio contribuiu positivamente sobre os papéis. O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, disse que a companhia poderá processar petróleo bruto mais leve do que o originalmente planejado em sua refinaria em Okinawa, no Japão, e por isso poderá ajustar seu plano de reforma para a refinaria.
Aviação
O recuo no preço do petróleo também ajudou as ações PN da Gol a figurarem entre os destaques de alta do Ibovespa (+4,85%, a R$ 19,69). No entanto, TAM PN não acompanhou a performance e perdeu 1,75%, a R$ 27,02. Segundo uma fonte, no mês o ganho da TAM (+17,48%) é superior ao da Gol (+7,24%), o que ''motivou a realização com as ações da TAM'', disse.
Parceria
A parceria entre a BM&FBovespa e a norte-americana Nasdaq OMX Group provavelmente será bem mais favorável à bolsa brasileira, ajudando a aumentar sua receita com taxas de listagem, segundo analistas. No entanto, a planejada parceria também poderá dar à Nasdaq a chance de vender sua tecnologia de mercado para a BM&FBovespa e representa um estímulo para o fechamento de acordos similares em todo o mundo. Na sexta-feira, a BM&FBovespa e a Nasdaq assinaram um memorando de entendimento e de cooperação tecnológica.
(Das agências)





