BOLSA DE LONDRES EM ALTA
JUROS FUTUROS EM QUEDA

Efeito IOF
O efeito ''IOF'' foi praticamente dissipado no mercado de câmbio na jornada de ontem. A expectativa de que o fluxo de recursos externo prossiga, apesar da nova taxação, derrubou as cotações apesar de nova intervenção do Banco Central (leilão de compra). E nas últimas operações de ontem, o dólar comercial foi vendido por R$ 1,713, em um declínio de 0,69% sobre a cotação final de quinta. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,721 e R$ 1,709. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,820, em baixa de 0,54%.

Investimentos I
Os investimentos estrangeiros no mercado financeiro subiram em setembro, fechando o mês em US$ 6,553 bilhões. Em agosto, os investimentos em carteira somaram US$ 6,141 bilhões. Houve aumento também em relação a setembro de 2008, quando, no ápice da crise financeira, houve saída de US$ 1,8 bilhão de investimentos estrangeiros em carteira do Brasil. No ano, essas aplicações somam US$ 21,72 bilhões, contra US$ 17,08 bilhões no mesmo período do ano passado.

Investimentos II
Já os investimentos de estrangeiros no setor produtivo caíram em relação ao mês anterior, fechando setembro em US$ 1,816 bilhão. Em agosto, haviam sido de US$ 1,9 bilhão. No ano, esses investimentos somam US$ 17,69 bilhões, contra US$ 45,05 bilhões no mesmo período em 2008.

No vermelho
A Bovespa fechou ontem em queda de 1,63%, aos 65.058,84 pontos. A perda acumulada na semana foi de 1,72%, mas no mês o ganho ainda é de quase 6%. Entre as principais notícias do dia, um dos destaques foi que a confiança do consumidor brasileiro subiu 2,2% em outubro para 113,6 pontos, o maior patamar desde maio de 2008, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas. O IPCA-15, prévia da inflação oficial, teve alta de 0,18% em outubro, depois de ter marcado 0,19% em setembro. Nos últimos doze meses, a taxa está acumulada em 4,14%. No ano, está em 3,34%.

Taxação
Por conta da taxação do investimento externo, a Bovespa informou que registrou saída líquida de estrangeiros de R$ 1,3 bilhão na última terça-feira, primeiro dia de vigência do IOF.

Juros futuros
O mercado de juros futuros, que regula o custo do dinheiro nos bancos, projetou taxas menores para operações de prazo mais longo. Entre as principais notícias do dia, o IBGE apontou inflação de 0,18% em outubro ante 0,19% em setembro, pela leitura do IPCA-15, prévia da inflação oficial. Analistas esperavam variação em torno de 0,28%. No contrato que aponta as taxas para janeiro de 2010, a taxa prevista caiu de 8,66% ao ano para 8,65%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada passou de 10,28% para 10,24%. Essas taxas são preliminares e ainda podem sofrer ajustes.

Chuva de dólares
O diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, o chileno Nicolás Eyzaguirre, disse ontem que o Brasil está correto em buscar conter a ''chuva de dólares'' e defendeu a retirada dos estímulos fiscais concedidos à indústria para superar a crise. Ele participou da divulgação do estudo ''Panorama Econômico Regional'', em São Paulo. O estudo trouxe poucas novidades em relação ao que Fundo já divulgara, mas veio carregado de boas declarações do ex-presidente do BC do Chile.

Já passou
Segundo o estudo, o pior da crise mundial já passou, a economia brasileira está entre as com melhor recuperação na América Latina, junto com Chile, Peru e Colômbia, especialmente por causa das exportações de commodities. Eyzaguirre disse que a taxação da entrada de capital externo no Brasil pode dar uma margem de manobra para evitar uma sobrevalorização da moeda, mas é insuficiente para impedir a vinda de um fluxo de dólares para o Brasil tendo em vista a atratividade do País em relação ao restante do mundo.

Flutuação
Além da taxação de IOF e da retirada de medidas fiscais adotadas durante a crise, Eyzaguirre defendeu o câmbio flutuante e a melhoria da competitividade das empresas. ''No caso da taxação, a aplicação tem de ser o mais geral possível e com um bom controle para evitar que ela não tenha validade'', afirmou Eyzaguirre.

Europa
A maior parte das Bolsas europeias concluíram os negócios de ontem com perdas, acompanhando o desempenho negativo dos mercados americanos. A alta do euro contra o dólar, superando a marca de US$ 1,50, também afetou as Bolsas do velho continente, com a advertência da União Europeia sobre o riscos do enfraquecimento da moeda americana para a economia local. A Bolsa de Londres contrastou com a maioria dos mercados europeus e teve alta de 0,68%; a Bolsa de Frankfurt caiu 0,39%; a bolsa de Paris registrou baixa de 0,33%; e a Bolsa de Amsterdã fechou com perdas de 0,17%.

(Das agências)

Entenda o Economês

Câmbio Flutuante: Regime cambial no qual a moeda de um país flutua no mercado de acordo com a oferta e a demanda de moedas fortes como o dólar ou o euro. É o regime adotado na maior parte dos países, embora o mercado de câmbio não seja livre no sentido de ausência de intervenções dos bancos centrais sempre que a taxa de câmbio atravessa um período de forte volatilidade.

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