MERCADO FINANCEIRO
PETRÓLEO EM ALTA
BOVESPA EM QUEDA
Cenário
Um possível estudo do governo de voltar a cobrar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de investidores estrangeiros e a queda das ações em meio à notícias corporativas negativas nos Estados Unidos fez ontem o dólar fechar em alta de 0,65%, cotado a R$ 1,71, após ter fechado ontem na menor cotação em mais de um ano, a R$ 1,69.
Indicadores
A cotação da moeda abriu nas máximas do dia em meio a ajustes de posições compradas que refletiram a reação de investidores à informação divulgada na quinta-feira à noite de que o governo estaria estudando taxar o capital externo com IOF nas aplicações em renda fixa e em títulos públicos. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou em queda de 0,75%, aos 66.200,49 pontos, sob influência da série de balanços negativos de empresas americanas. O índice Dow Jones caiu 0,67%, aos 9.995 pontos, enquanto o S&P 500 teve queda de 0,81%, para 1.087 pontos, e o Nasdaq recuou 0,76%, aos 2.156 pontos.
Opções
A realização de lucros no Brasil, no entanto, foi menor do que alguns operadores esperavam, já que predomina o sentimento de que ''o Brasil é o País da vez'' - na fala de um analista - e não há muitas opções de investimento para toda a liquidez existente no mercado global neste momento. Essa piora do cenário nas bolsas ajudou também ajudou a induzir a correção da moeda. Contudo, houve fluxo cambial positivo na sessão, que contribuiu para a desaceleração dos ganhos do dólar no final e parte dos ingressos financeiros contabilizados podem ter sido de players interessados em se antecipar a uma eventual taxação do capital externo, disse um operador de câmbio consultado.
Fechamento
De todo modo, o sinal positivo da moeda prevaleceu no fechamento, uma vez que as declarações no início da tarde de ontem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sobre eventual taxação do capital externo, não foram consideradas contundentes pelo mercado, afirmou uma fonte de um banco estrangeiro.
Boas ou más notícias?
O mercado acionário sentiu o impacto de uma série de indicadores ruins nos Estados Unidos. Primeiro, o índice preliminar de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan caiu para 69,4 em outubro, de 73,5 em setembro. Além disso, o Bank of America anunciou que saiu de lucro para prejuízo no terceiro trimestre, refletindo US$ 2,6 bilhões em baixas contábeis, apesar da receita ter crescido em consequência da aquisição do Merrill Lynch. O banco teve prejuízo líquido de US$ 1 bilhão no terceiro trimestre, resultado pior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando obteve lucro de US$ 1,18 bilhão.
Dinheiro de sobra
Nem mesmo a possibilidade de que o governo estude alguma taxação à entrada do capital externo chega a assustar o investidor, na opinião de Márcio Macedo, sócio fundador da Humaitá Investimentos. Segundo ele, ''está sobrando muito dinheiro no mundo'' e essa possível taxação é algo que ''o investidor vai acabar relevando''.
Longo prazo
Ele lembra que boa parte do capital estrangeiro que tem vindo ao Brasil recentemente é de fundos soberanos, que envolve ''investidores de longo prazo, que têm muitos recursos e poucas opções hoje para aplicar''. Segundo ele, caso alguma medida desse tipo seja realmente tomada - como a volta da cobrança de IOF - deve afetar mais o investidor de curto prazo, de caráter especulativo.
Ativos
Ainda que admita que os preços dos ativos ''subiram muito e muito rapidamente'', Macedo afirma que a bolsa brasileira ''ainda tem muitas oportunidades'' de ganhos, como na área de carnes, por exemplo, e de cartões de crédito. No campo interno, a blue chip Vale, cujos papéis chegaram a apresentar quedas de mais de 1,50% pela manhã, reduziu as perdas à tarde depois que o presidente Lula negou que o governo tenha planos de taxar exportações de minérios de ferro.
Vale
No final do pregão, Vale ON caiu 0,09%, a R$ 45,25, e o papel PNA recuou 0,10%, para R$ 40,15. A companhia continua, entretanto, no noticiário. O presidente Lula informou que terá um encontro nesta segunda-feira com o presidente da Vale, Roger Agnelli, em São Paulo, para discutir projetos de investimentos da empresa.
Petrobras
Petrobras, por sua vez, chegou a ensaiar uma realização, no rastro da tentativa de ajuste nas cotações futuras do petróleo, mas este voltou a fechar em alta, reduzindo as perdas no papel da estatal. O contrato futuro do WTI para novembro fechou aos US$ 78,53, com alta de 1,22%, amparado na fraqueza do dólar e nos sinais de recuperação da economia. Desde março, os preços ganharam 60%. No fechamento do pregão normal, Petrobras ON recuou 0,58%, a R$ 42,80, enquanto a ação preferencial perdeu 0,55%, para R$ 36,40.
(Agência Estado)





