BOVESPA EM ALTA
DOW JONES EM BAIXA

Máxima pontuação
Enquanto os investidores esperam pelas notícias corporativas para balizar decisões de investimento no mercado acionário no exterior, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) subiu ontem 0,90%, fechando aos 64.645,59 pontos, na máxima pontuação. O dólar caiu 0,58%, a R$ 1,7270. Já as bolsas internacionais tiveram um dia de realização de lucros, depois das altas recordes de segunda-feira. O índice Dow Jones caiu 0,15%, a 9.871 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 0,28%, para 1.073 pontos. Só a bolsa eletrônica Nasdaq subiu (0,04%), a 2.139 pontos, depois do anúncio da compra da Starent Networks pela Cisco, em uma transação de US$ 2,9 bilhões.

Previsões
Os investidores, especialmente os estrangeiros, adiaram a realização de lucros aproveitando novas expectativas para as companhias listadas no Brasil frente à melhoria constante nas expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto do País (PIB) em 2009 e 2010. Na pesquisa Focus divulgada ontem pelo Banco Central (BC), por exemplo, a mediana das previsões para a expansão do PIB no próximo ano aumentou de 4,50% para 4,80%, em nível superior à observada há um mês, quando a previsão era de 4%. Para 2009, a estimativa também foi ajustada para cima e o mercado elevou a previsão de um leve crescimento de 0,01% para a expansão de 0,10%. Um mês atrás, a expectativa era de contração de 0,15%.

Estrangeiros
A Bovespa registrou forte atuação de estrangeiros na ponta compradora. ''Dos dez maiores compradores, oito foram estrangeiros'' nas negociações de ontem, disse um profissional. Na avaliação de Raffi Dokuzian, superintendente da Banif Corretora, sobram motivos para adiar a realização de lucros: o Brasil ainda tem uma taxa de juros atrativa perto de mercados como o americano e o europeu, há uma avalanche de recursos de estrangeiros prevista para os próximos meses - perto de US$ 20 bilhões até o final do ano, calcula - e as previsões pessimistas para o PIB do País parecem ter ficado para trás.

Câmbio
O dólar no mercado doméstico oscilou na volta do feriado atrelado ao movimento externo de desvalorização da moeda norte-americana que amparou os preços de commodities. Enquanto a divisa dos EUA perdeu valor no mundo todo, ontem, o ouro spot, por exemplo, atingiu novo recorde durante a sessão e o petróleo WTI, negociado na Nymex, ultrapassou US$ 74,00 o barril. Internamente, as cotações também foram pressionadas por um leve fluxo financeiro positivo, decorrente de operações residuais de entrada de recursos de players estrangeiros, que participaram da oferta pública de ações (IPO) no Brasil do Banco Santander e cuja liquidação ocorreu ontem, disse um operador de Tesouraria de um banco estrangeiro.

Surpresa
Apesar da persistente desvalorização da divisa na sessão vespertina - as cotações à vista renovaram as mínimas na última hora de negociação -, o Banco Central só anunciou depois das 16 horas que faria o leilão de compra entre 16h06 às 16h16, o que causou certa surpresa nas mesas de operação. Um operador chegou a comentar, pouco antes de o BC chamar o leilão, que, se o BC não entrasse ontem, poderia estar dando um sinal ao mercado, embora tenha ponderado que a autoridade monetária já realizou leilões de compra após às 16 horas. ''Poderia ser uma maneira de criar expectativas sobre eventual mudança na forma de atuação do BC no câmbio. Contudo, essa desconfiança se dissipou com a realização do leilão'', comentou a mesma fonte pouco depois.

Petróleo
A alta nas cotações dos contratos futuros de petróleo, impulsionada pela elevação da estimativa de demanda por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), também contribuiu para elevar os papéis da Petrobras, uma das blue chips da Bovespa.

Demanda
A Opep revisou sua previsão para a demanda mundial de petróleo para este ano e o próximo, por causa dos sinais de recuperação da economia global. Para este ano, a previsão da Opep é de contração de 1,4 milhão de barris por dia em relação ao ano passado, para 84,2 milhões de barris por dia. A estimativa anterior era de queda de 1,6 milhão de barris.

Em alta
Para 2010, a previsão de crescimento da demanda é de 700 mil barris por dia em relação a 2009, para 84,9 milhões de barris por dia, enquanto a estimativa anterior era de aumento de 500 mil barris por dia. Com isso, o contrato de novembro para o petróleo WTI fechou em alta de 1,20% na Nymex, para US$ 74,15. Segunda-feira, ele já havia fechado acima de US$ 73 pela primeira vez desde 24 de agosto. Com isso, as ações ON da Petrobras tiveram alta de 0,55%, para R$ 41,83, enquanto as preferenciais subiram 0,51%, cotadas a R$ 35,82.

Construção
Já as ações da Vale tiveram queda, no rastro do recuo das cotações dos metais em Londres. Há muita expectativa também sobre o anúncio de investimentos que a companhia fará hoje em Minas Gerais. O papel com direito a voto da Vale caiu 0,96%, a R$ 43,30, enquanto a ação preferencial perdeu 0,34%, a R$ 38,63.

(Agência Estado)

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