BOVESPA EM ALTA
DÓLAR EM QUEDA

Cenário
A maioria das taxas de juros encerrou o dia em alta pelo terceiro dia consecutivo. Os sinais de recuperação da economia global continuam sustentado o debate sobre o timing do início do aperto monetária no Brasil. Hoje a alta nos preços das commodities e os dados bons divulgados nos EUA e na Austrália vieram inflar essa discussão, que foi intensificada terça-feira após o BC australiano elevar o juro do país. As boas expectativas elevaram o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) em 1,79%, que fechou acima dos 63 mil pontos, acompanhando Dow Jones (+0,63%) e Nasdaq (+0,64%). O dólar comercial fechou em queda de 0,97%, a R$ 1,7390.

Juros
A alta dos juros se deram apesar de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter acelerado pouco, de alta de 0,15% em agosto para alta de 0,24% em setembro, o que estava nas previsões dos economistas. O DI de janeiro de 2010, que na quarta foi o mais líquido durante a sessão regular, ontem figurou como o segundo mais negociado, com 219.310 contratos. Esse vencimento projetou taxa de 8,70%, a mesma do ajuste e do fechamento da véspera.

Contratos
O DI de Janeiro 2011 foi o mais líquido (364.555 contratos) e projetou 10,45% de 10,37% no ajuste e 10,39% no fechamento de quarta-feira. Janeiro 2011 (65.290 contratos) teve taxa de 11,49% de 11,39% no fechamento e 11,38% no ajuste anteriores. O DI de julho de 2010 subiu de 9,31% no fechamento e 9,30% no ajuste para 9,35% hoje (69.240 contratos).

Mercado
Segundo uma fonte, desde terça-feira o mercado começou a refazer suas posições no mercado de juro. ''Tinha muito gente apostando que a alta da Selic iria acontecer a partir de março e uma grande parte que esse movimento só teria início no segundo semestre de 2010. Mas aí veio a Austrália e mudou esse cenário e o mercado já começa a projetar que a Selic pode subir ainda este ano, em dezembro'', disse a fonte, ressaltando que não compartilha deste sentimento. ''Eu não acho que o BC vai elevar a Selic em dezembro, mas o mercado está indicando que sim. Na dúvida, é melhor se reposicionar, senão as perdas podem ser grandes.''

Suporte
Ontem a alta das commodities, o resultado da Alcoa nos EUA e os números de desemprego na Austrália deram suporte à discussão. Os preços dos contratos futuros dos metais básicos negociados na London Metal Exchange (LME) fecharam em alta - com destaque para o zinco, que tocou o maior nível dos últimos 14 meses ao longo da sessão -, impulsionados por indicadores econômicos positivos e pela cobertura de posições vendidas.

Metais
Em Nova York, o cobre e o ouro também fecharam em forte alta, reagindo à fraqueza do dólar. A confiança dos investidores foi reforçada pela queda no número de norte-americanos que solicitaram auxílio-desemprego na semana passada e por um declínio de 1,3% nos estoques do atacado dos EUA em agosto. O fato de a Alcoa no terceiro trimestre ter voltado a registrar lucro também contribuiu para impulsionar os preços. A gigante de alumínio anunciou lucro líquido de US$ 77 milhões no terceiro trimestre e encerrou uma série de três prejuízos trimestrais.

Acerto
Na Austrália, a taxa de desemprego caiu para 5,7% em setembro, de 5,8% em agosto, mostrando que a decisão do BC local de elevar a taxa de juros na terça-feira e sinalizar novos apertos monetários não foi precipitada. O mercado de trabalho norte-americano também revelou ontem um número melhor do que as previsões: os pedidos de auxílio-desemprego feitos no país na semana passada caíram 33 mil, ante expectativa de queda de 11 mil.

Blue chips
No Brasil, as blue chips Vale e Petrobras acompanharam o comportamento das commodities. No caso da mineradora, além do balanço da Alcoa, os papéis foram sustentados pelos recordes sucessivos do ouro, que no mercado spot chegou a US$ 1.060,25 a onça-troy e, no mercado futuro, atingiu US$ 1.061,40 a onça-troy. Vale ON terminou com ganho de 1,42% e PNA, em 1,61%.

Papéis
Petrobras avançou 2,59% na ON e 2,28% na PN, depois que o contrato do petróleo para novembro subiu nada menos que 3,05% na Nymex, para US$ 71,69 o barril. O setor bancário doméstico, que ontem foi destaque negativo em meio à estreia das units do Santander, ontem corrigiu parte das perdas da véspera e subiu. Bradesco PN avançou 2,54%, Itaú Unibanco PN, 1,71%, BB ON, 1,85%, Santander unit, +0,13%.

Ativos
Aracruz ON subiu 0,57% e PNA desabou 14,10%. A empresa anunciou ontem a conclusão do contrato de venda das instalações industriais, terras e florestas que formam a unidade Guaiba (RS) com o grupo chileno CMPC, estimado em US$ 1,43 bilhão. Segundo a Fibria, empresa resultante da união da Aracruz com a VCP, a conclusão da venda desses ativos será o ponto de largada do projeto de expansão da empresa.

(Agência Estado)

mockup