MERCADO FINANCEIRO
FLUXO CAMBIAL EM ALTA
DÓLAR EM QUEDA
Dólar
A cotação do dólar comercial encerrou o dia de ontem em queda de 1,17%, a R$ 1,773 na venda, fechando o mês de setembro com perda acumulada de 6,14%. Um dos fatores que ajudou a empurrar a moeda para baixo foi a contração econômica dos Estados Unidos no segundo trimestre, que foi mais branda do que se calculava anteriormente. O recuo do PIB norte-americano foi de 0,7%. A sessão marcou também o vencimento de derivativos, com um aumento da volatilidade por conta da tradicional disputa entre comprados (que apostam na alta do dólar) e vendidos (que apostam na queda) em torno da taxa de referência para a liquidação dos contratos.
Fluxo cambial
O fluxo de dólares para o país em setembro está positivo em US$ 1,06 bilhão, segundo levantamento até o último dia 25, divulgado pelo Banco Central. Até o dia 18 de setembro, o movimento era contrário (saída de moeda maior que entrada) e o fluxo cambial estava negativo em US$ 978 milhões. O setor financeiro - que inclui aplicações, investimentos, gastos e remessas de lucros - registrou fluxo positivo (maior entrada de dólares do que saída) em US$ 3,613 bilhões, o que compensou o resultado negativo na área comercial de US$ 2,553 bilhões.
Acumulado
No acumulado do ano, o fluxo cambial está positivo US$ 7,953 bilhões. No mesmo período do ano passado, o saldo era positivo em US$ 17,393 bilhões. No ano, o fluxo das operações financeiras é negativo em US$ 828 milhões, compensado pelo saldo positivo de US$ 8,781 bilhões no comércio exterior.
Reservas
O Banco Central divulgou também dados relativos às intervenções da autoridade monetária no mercado de dólar. Em setembro, o Banco Central comprou US$ 3,24 bilhões no mercado de dólar à vista, valor que afeta os níveis das reservas internacionais, que até o dia 28 estavam em US$ 223,653 bilhões. Desde maio, o BC já comprou US$ 14,024 bilhões no mercado.
Superavit
As contas do setor público apresentaram, em agosto, um superávit primário (economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública) de R$ 5,042 bilhões, segundo dados do Banco Central. O valor é praticamente a metade do observado em igual mês de 2008, quando o esforço fiscal somou R$ 10,084 bilhões, mas é superior ao registrado em julho, quando atingiu R$ 3,180 bilhões.
Resultado
De acordo com o BC, o resultado do mês passado teve a contribuição positiva de R$ 3,899 bilhões do governo central e saldo, também positivo, de R$ 1,103 bilhão dos governos regionais, sendo que os Estados tiveram superavit de R$ 813 milhões. Em agosto, houve ainda superávit primário de R$ 41 milhões das empresas estatais, sendo que as companhias federais encerraram o mês com déficit primário de R$ 131 milhões.
Revisão
O Congresso aprovou ontem, em caráter definitivo, a revisão do superavit primário de 3,8% do Produto Interno Bruto para 2,5% neste ano. O texto aprovado faz modificações à Lei de Diretrizes Orçamentárias, excluindo do cômputo geral os investimentos da Petrobras. Também foi aprovada uma emenda que limita os chamados ''restos a pagar'' em R$ 15,5 bilhões neste ano. Trata-se de recursos já previstos nos anos anteriores mas que o governo não conseguiu executar. O governo havia reduzido a meta já considerando uma redução no total arrecadado da ordem de R$ 50 bilhões em relação à proposta original para o Orçamento deste ano.
Europa
As Bolsas europeias tiveram uma sessão de perdas ontem, após dados econômicos desfavoráveis nos Estados Unidos. O índice referencial FTSEurofirst 300, que reúne papéis das 300 maiores empresas da Europa em valor de mercado, encerrou o terceiro trimestre com o melhor resultado em quase dez anos. A Bolsa de Londres teve queda de 0,50%; a Bolsa de Paris caiu 0,49% no índice CAC 40; a Bolsa de Frankfurt perdeu 0,67% no índice DAX; a Bolsa de Madri fechou em baixa de 0,78%, no índice Madrid General; e a Bolsa de Amsterdã fechou em baixa de 0,25%, no índice AEX General.
(Das agências)
Entenda o Economês
Derivativos: Operações financeiras cujo valor de negociação deriva (daí o nome derivativos) de outros ativos, denominados ativos-objeto, com a finalidade de assumir, limitar ou transferir riscos. Abrangem um amplo leque de operações: a termo, futuros, opções e swaps, tanto de commodities quanto de ativos financeiros, como taxas de juros, cotações futuras de índices, etc. A utilização ampliada de derivativos no mundo todo tem gerado uma preocupação crescente por parte dos bancos centrais, autoridades monetárias e de supervisão bancária e de técnicos, dada a dificuldade de avaliação de sua dimensão e suas consequências em termos de riscos, já que as atividades financeiras se tornam cada vez mais globalizadas.





