DÓLAR EM ALTA
BOVESPA EM QUEDA

Alerta
Uma inesperada queda de 2,7% nas vendas de casas nos EUA em agosto acendeu um sinal de alerta na disposição dos investidores em migrarem seus recursos para ativos mais arriscados, derrubando Dow Jones (-0,42%), Nasdaq (-1,12%)e a Bovespa (-0,74). Por isso, o dólar passou a subir em relação à divisas como real, euro, iene e libra. Os investidores também esperam algum sinal sobre uma possível regulação do mercado financeiro da reunião do G20 que termina hoje, em Pittsburgh (EUA), o que também inspirou certa cautela ontem.

Ibovespa
A Bovespa quase perdeu o patamar dos 60 mil pontos, o mais alto em 14 meses. Notícias um pouco mais desfavoráveis dos EUA deram a senha para um novo dia de realização de lucros (vendas). O Ibovespa, termômetro dos negócios da Bolsa, cedeu 0,74% no fechamento, aos 60.046 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,034 bilhões.

Dólar
No mercado doméstico, a constatação de que o fluxo continua negativo impulsionou um movimento de realização de lucros, depois de dois dias consecutivos de quedas recordes que levaram, inclusive, a moeda americana na quarta-feira ao seu menor patamar desde 12 de setembro do ano passado. No mercado à vista, a moeda voltou ao patamar de R$ 1,80. O pronto na BM&F teve alta de 1,43%, a R$ 1,8085, enquanto no balcão a elevação foi de 0,95%, para R$ 1,8040.

Futuro
A alta, entretanto, foi menos acentuada no mercado futuro de câmbio. O contrato para outubro indexados ao dólar e negociados na BM&F - os mais líquidos - teve elevação de 0,39%, para R$ 1,807.

Emprego
A decepção com a queda nas vendas de casas eclipsou, inclusive, o dado de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que foi melhor que o esperado. O número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego caiu 21 mil, após ajustes sazonais, para 530 mil na semana até 19 de setembro, segundo o Departamento de Trabalho. Economistas esperavam alta de 5 mil.

Fluxo
A confirmação de que o fluxo é negativo no País veio do chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes. Ele informou ontem que o fluxo cambial neste mês até o dia 22 era negativo em US$ 991 milhões. O resultado é consequência de um saldo comercial negativo em US$ 2,438 bilhões e um fluxo financeiro positivo em US$ 1,447 bilhão. No fluxo comercial, as exportações somaram US$ 6,432 bilhões e as importações, US$ 8,869 bilhões. O fluxo financeiro registrou ingressos de US$ 19,994 bilhões e saídas de US$ 18,547 bilhões.

Compras
O BC voltou a comprar dólares no mercado à vista ontem à tarde, como tem feito diariamente desde 8 de maio. A autoridade monetária fixou a taxa de corte em R$ 1,8084, enquanto ela era negociada na máxima do dia, a R$ 1,8110 no balcão e R$ 1,8105 na BM&F.

Desmonte
Como apontou Mariana Costa, economista da Link Investimentos, depois das fortes quedas dos dois últimos dias, quarta-feira o que se viu foi um desmonte de operações ''importante'', segundo ela, e ontem o mercado aproveitou para embolsar alguns lucros. Mas a tendência para o dólar ante o real continua de depreciação, tanto em função do mercado externo como pelos IPOs esperados para o Brasil. ''A convicção de subida é muito tênue'', avaliou.

Petróleo
Os preços do petróleo caíram mais de 4% ontem em Nova York, com o barril perdendo 3,08 dólares, a 65,89 dólares, no dia seguinte a uma queda semelhante, afetados pela recuperação da moeda norte-americana, em um mercado cético sobre a recuperação da economia. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do West Texas Intermediate (designação do ''light sweet crude'' negociado nos EUA) para entrega em novembro fechou a 65,89 dólares, em queda de 3,08 dólares em relação ao fechamento de quarta-feira. Na InterContinentalExchange de Londres, o barril de Brent do Mar do Norte com vencimento no mesmo período caiu 3,17 dólares, a 64,82 dólares. Nas duas últimas sessões acumulou uma queda de 5,87 dólares, mais de 8%.



Entenda o Economês
Indexação: Mecanismo de política econômica pelo qual as obrigações monetárias têm seus valores em dinheiro corrigidos com base em índices oficiais do governo. No Brasil, por exemplo, os salários, pensões e aluguéis residenciais eram corrigidos em função da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Depois de 1986, com o Plano Cruzado, o Plano Bresser (1987) e o Plano Verão (1989), as regras de indexação sofreram várias alterações, sendo até suspensas durante algum tempo. Desde a aplicação do Plano Collor 2, a indexação como medida de correção monetária foi oficialmente abolida. No entanto, com a aceleração da inflação entre 1991 e 1994, ela voltou a ser admitida, para ser outra vez eliminada (pelo menos parcialmente) com o advento do Plano Real.

mockup