MERCADO FINANCEIRO
BOVESPA EM ALTA
DOW JONES EM QUEDA
Resistência
A Bovespa deu ontem mais uma prova de resistência: abriu em baixa, acompanhando o desempenho das bolsas internacionais, mas, passado o exercício de vencimento de opções sobre ações, no início da tarde, foi devolvendo paulatinamente as perdas, até firmar-se em alta. A melhora das ações em Wall Street favoreceu a manutenção das compras, mas a virada foi patrocinada pelas ações do setor de siderurgia, embora o fôlego do setor tenha diminuído no final.
Ganhos
O Ibovespa subiu 0,37%, aos 60.928,02 pontos, maior nível desde 16 de julho de 2008 (62.056,50 pontos). Na mínima do dia, registrou 60.014 pontos (-1,13%) e, na máxima, 61.066 pontos (+0,60%). No mês, acumula ganhos de 7,86% e, no ano, de 62,26%. O giro financeiro totalizou R$ 8,650 bilhões, dos quais R$ 3,31 bilhões foram do exercício de contratos de opções sobre ações. No exercício anterior, o resultado havia sido de R$ 2,75 bilhões.
Espaço
A elevação do dólar ao redor do globo e a queda dos preços das commodities puxaram para baixo as ações no exterior, influenciando a Bolsa doméstica em boa parte da sessão. Mas, no meio da tarde, os índices em Wall Street diminuíram as perdas e abriram espaço para a recuperação no Brasil. Contribuiu a notícia de que a CSN promoveu aumento de cerca de 10% no aço vendido para o setor de distribuição.
Equilíbrio
Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo poderá voltar atrás da decisão tomada pela Camex, em junho deste ano, que elevou as alíquotas de importação de oito tipos de aço para 15% depois de três anos em que as taxas estavam zeradas. A medida foi adotada justamente para equilibrar o mercado e estabilizar os preços, mas agora pode ser revista diante do anúncio de reajustes.
Inlfuências
Nos EUA, o Dow Jones fechou em queda de 0,42%, aos 9.778,86 pontos, o S&P 500 recuou 0,34%, aos 1.064,66 pontos, influenciados por realização de lucros e queda das empresas ligadas ao setor de matérias-primas. Nasdaq, ao contrário, subiu 0,24%, para 2.138,04 pontos, com a notícia de que a Dell vai comprar a Perot Systems por US$ 3,9 bilhões, em um acordo que oferece prêmio de 68% sobre o valor das ações da Perot de sexta-feira.
Câmbio
O mercado doméstico de câmbio viveu ontem o dilema entre acompanhar a apreciação da divisa americana frente às demais moedas ou precificar o fluxo que o Brasil está para receber com o retorno das captações externas e ofertas públicas de ações. No mercado à vista, o dólar pronto na BM&F fechou em alta de 0,56%, a R$ 1,8160, mesma cotação do dólar no balcão, onde a alta foi de 0,39%. O giro das operações com liquidação em dois dias (D+2) era de US$ 1,1 bilhão, bem próximo ao patamar de giro da sexta-feira no mesmo horário.
Previsões
No estudo divulgado pelo Banco Central, a mediana das previsões para o nível da moeda norte-americana no fim deste ano caiu de R$ 1,81 para R$ 1,80. Há quatro semanas, essa previsão era de R$ 1,85. Para o fim de 2010, a estimativa cedeu de R$ 1,85 para R$ 1,80, abaixo da previsão feita há um mês, quando estava em R$ 1,85. A mediana das previsões para o câmbio médio no decorrer de 2009 manteve-se em R$ 2,01 pela quinta pesquisa consecutiva. Para 2010, a projeção de dólar médio seguiu em R$ 1,85, ante R$ 1,87 de quatro semanas atrás.
Intervenção
O Banco Central decidiu fazer ainda mais cedo sua intervenção diária no mercado à vista e comprou dólares hoje antes das 12 horas. A autoridade monetária fixou a taxa de corte em R$ 1,818 e às 11h49 a moeda norte-americana subia 0,50%, a R$ 1,818 no balcão e a R$ 1,8160 na BM&F. No mercado internacional, o dólar também ganhou das principais moedas, em um misto de realização de lucros e cautela. O euro teve queda de 0,22%, a US$ 1,4679, enquanto a libra recuou 0,37%, a US$ 1,6210, e o dólar avançava 0,84% ante a divisa japonesa, a 92,07 ienes.
Juros
A curva de juros começou a semana ainda mais empinada, reflexo de uma nova rodada de stop loss de posições vendidas na BM&F. A despeito da fragilidade das ações e da queda das commodities no exterior, as taxas voltaram a disparar em reação ao noticiário relacionado à questão fiscal - o governo aliviou na sexta-feira o superávit primário de 2,5% -, ao resultado da pesquisa Focus, em meio aos sinais de vigor da economia doméstica.
Volume
O comportamento da curva reflete a antecipação do mercado do timing para o aperto na Selic, de apostas antes concentradas no segundo semestre de 2010 e que agora estão sendo deslocadas para o segundo trimestre do próximo ano. Em uma segunda-feira atípica de volume robusto, o DI janeiro de 2011 (372.990 contratos) avançou a 10,14%, de 9,95% e 9,93% no fechamento e ajuste na sexta-feira. O DI janeiro de 2012 (98.300 contratos) estava na máxima de 11,48%, ante 11,27% no ajuste e 11,30% no fechamento anterior.
(Agência Estado)





