Bovespa

Depois de ter saltado em apenas três sessões do nível de 58 mil pontos para o de 60 mil, a Bovespa deu sinais de cansaço na sessão de ontem, em boa parte por causa dos indicadores sem uniformidade divulgados nos Estados Unidos. A tão falada realização de lucros ensaiou vingar em vários momentos desta quinta-feira, mas quando ela surgia, abria uma brecha para compras, rapidamente preenchida pelos investidores. Bem no finalzinho da sessão, no entanto, as vendas conseguiram, enfim, se sobrepor.

Giro

A Bovespa acabou o pregão em baixa de 0,29%, aos 60.236,03 pontos. Na mínima do dia, registrou 60.116 pontos (-0,49%) e, na máxima, de 61.027 pontos (+1,02%). No mês, acumula alta de 6,64% e, no ano, de 60,42%. O giro financeiro novamente é testemunha da atratividade da Bolsa doméstica sobre os investidores estrangeiros. O movimento do dia somou R$ 6,685 bilhões, acima da média diária de R$ 5,193 bilhões registrada em setembro até anteontem, de acordo com dados da Bolsa.

Indicadores

Além dos indicadores internos que mostram resistência da economia doméstica à crise, os investidores também estariam trazendo dinheiro para o país, segundo uma fonte de uma corretora paulista, na expectativa do upgrade pela Moody's, a única das três grandes agências de rating que ainda não nos elevou a investment grade. A oscilação das ações ontem teve como componente, além dos ganhos das últimas sessões, também o vencimento de opções sobre ações na próxima segunda-feira, com muitos investidores atuando principalmente nas ações da Vale e Petrobras. Vale ON perdeu 1,24% e PNA, 0,99%.

Em alta

BB ON subiu 1,20%. Bradesco PN terminou em +0,36%. O banco planeja captar pelo menos US$ 500 milhões com sua próxima emissão de bônus no exterior, disse uma fonte ligada à transação à agência Dow Jones. O HSBC e o Bradesco BBI estão coordenando a emissão, que não deve ser precificada até a próxima terça-feira, segundo fontes. Redecard ON registrou +3,94% e VisaNet ON, +4,67%. Os papéis ainda reagem à decisão do Cade, ontem, de suspender a medida preventiva da SDE que havia determinado o fim da exclusividade da VisaNet no credenciamento da bandeira dos cartões de crédito Visa.

Câmbio

A baixa cotação alcançada pelo dólar ante o real depois de três dias consecutivos de quedas - e de uma depreciação que já soma mais de 22% no ano - estimulou empresas que têm compromissos no exterior ao movimento de compra. Por isso, a reação ontem, já esperada pelos operadores, foi a alta da divisa americana, em uma realização ''leve, moderada'', segundo eles. Afinal, todos os sinais apontam para o fortalecimento do real e o enfraquecimento do dólar.

À vista

No mercado à vista, o pronto da BM&F encerrou a R$ 1,8085, com alta de 0,49%, enquanto no balcão a moeda teve elevação de 0,39%, a R$ 1,8070. O giro em D+2 na Clearing de Câmbio era de R$ 2,35 bilhões, um pouco abaixo dos R$ 2,7 bilhões de ontem no mesmo horário. Já entre os contratos futuros indexados ao dólar e negociados na BM&F, o vencimento de outubro - o mais líquido - tinha avanço de 0,50%, a R$ 1,8135 perto das 17 horas. No leilão de compra de dólares do BC no mercado à vista, a taxa de corte ficou em R$ 1,8046 e, logo após a intervenção, o dólar à vista era negociado a R$ 1,805, com alta de 0,29% na BM&F e a R$ 1,803, com aumento de 0,17%, no balcão.

Juros

Embora sem o movimento considerado irracional de ontem, o mercado de juros continuou nervoso na quinta-feira, operando com taxas predominantemente em alta ao longo da sessão. O prêmio acumulado nos contratos até atraiu algumas ordens de vendas, mas há um nítido desconforto dos investidores em ficar exposto ao risco prefixado, sob a percepção de que os indicadores econômicos sinalizam que o reaquecimento da economia está chegando mais cedo do que o esperado, tanto aqui como no exterior. Ao término da negociação normal da BM&F, o volume de contratos negociados seguia robusto. O DI janeiro de 2011, com 248.030 contratos, projetava 9,91%, de 9,88% no fechamento e 9,90% no ajuste. O DI julho de 2010 (40.160 contratos) subia a 9,00%, de 8,96% no fechamento e 8,99% no ajuste anteriores. O DI janeiro de 2012 (101.550 contratos) tinha taxa de 11,28%, de 11,25% e 11,22% ajuste e fechamento ontem.

Tesouro

Pela manhã, o Tesouro Nacional realizou leilão de papéis prefixados, em que vendeu integralmente as ofertas, mas os lotes foram menores do que na semana passada, provavelmente diante da pressão vista no mercado. No leilão de NTN-F, foram vendidos 300.000 papéis para 1/1/2013 e 150.000 NTN-F 1/1/2017. No leilão de LTN, o Tesouro Nacional vendeu 300.000 títulos para 1/10/2010 e 1.500.000 de LTN 1/7/2011.


Entenda o Economês

Tesouro Nacional - Secretaria do Ministério da Fazenda que centraliza a administração dos negócios financeiros da União, especialmente no que se refere às receitas e despesas públicas. Tem jurisdição em todo o território nacional e é representado, em cada Estado, por uma delegacia fiscal que executa os serviços fazendários.

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