MERCADO FINANCEIRO
BOVESPA EM ALTA
DÓLAR EM QUEDA
Marco histórico
O dia de ontem foi marcado por dois fatos relevantes. Pela primeira vez em 2009, a Bovespa atingiu a marca dos 59 mil pontos. Já o dólar comercial caiu ao menor patamar desde 15 de setembro do ano passado. Dados vindos dos Estados Unidos e o anúncio da alta no comércio varejista doméstico, divulgado pelo IBGE, causaram um clima de retorno ao risco. A Bovespa continuou a trajetória de alta predominante em setembro, ontem de 0,67%, fechando aos 59.263,86 pontos. Na mínima do dia, registrou 58.691 pontos (-0,30%) e, na máxima, os 59.401 pontos (+0,91%). O giro financeiro somou R$ 4,906 bilhões. No mês, acumula ganhos de 4,91%.
Trajetória
Já o resultado de 2009 até ontem da Bovespa está positivo em 57,83%, superior a todos os fechamentos anuais dos últimos cinco anos. Ou seja, antes mesmo de 2009 apagar a luz, a Bovespa já superou os ganhos dos anos anteriores até 2004. E como a trajetória segue positiva para os ativos, pode chegar bem perto de 2003, quando subiu 97,3%.
Indicadores
Os dados de vendas no varejo divulgados ontem foram mais um no sentido de reforçar as melhores condições da economia doméstica. Segundo o IBGE, as vendas do comércio varejista subiram 0,5% em julho ante junho e 5,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Embora abaixo das medianas das previsões, as vendas no varejo consolidaram uma trajetória positiva da economia, já revelada pelos números do PIB do segundo trimestre (+1,9% na margem).
Recuperação
A alta da Bovespa foi também influenciada por três indicadores melhores do que as previsões nos Estados Unidos e também pela declaração do presidente do Fed, Ben Bernanke, de que a recessão no país ''provavelmente acabou''. Ele advertiu, no entanto, que mesmo que a recuperação esteja em curso, ela não será rápida, já que o crédito segue restrito e qualquer aumento do emprego deverá ser gradual.
Positivo
O Dow Jones terminou o dia em elevação de 0,59%, aos 9.683,41 pontos, o maior nível desde 6 de outubro de 2008. O S&P 500 avançou 0,31%, aos 1.052,63 pontos, e o Nasdaq subiu 0,52%, aos 2.102,64 pontos, ambos os maiores fechamentos do ano. Vieram bons os dados de vendas no varejo (+2,7% em agosto ante julho ante previsão de +2%, enquanto, sem automóveis, as cresceram 1,1%, acima das estimativas de aumento 0,4%.); o PPI (+1,7% em agosto ante julho, acima da alta de 1% prevista, enquanto o núcleo avançou 0,2%, mais que o ganho de 0,1% estimado por analistas); e o índice de atividade Empire State, do Federal Reserve Bank de Nova York (subiu de 12,08 em agosto para 18,88 em setembro, o nível mais alto desde o fim de 2007).
Oscilações
Ainda nos Estados Unidos os estoques das empresas caíram 1,0% em julho ante junho, em linha com as estimativas. A alta das ações influenciou o fechamento do petróleo na Nymex, que subiu 3,01%, a US$ 70,93 o contrato para outubro. No Brasil, Vale foi um dos destaques da sessão, ao lado de papéis voltados ao mercado doméstico, como varejo e construção civil. A mineradora subiu 1,49% na ação ON e 1,01% na PNA. As siderúrgicas não tiveram fechamento uniforme: Gerdau PN subiu 0,09%, Metalúrgica Gerdau PN, recuou 0,03%, Usiminas PNA, teve ganho de 0,67%. CSN ON (+2,34%) confirmou ontem, em comunicado ao mercado, emissão de US$ 750 milhões em bônus, a uma taxa de 6,875% ao ano e vencimento em setembro de 2019.
Câmbio
Os números das vendas (alta de 2,7% em agosto) dos Estados Unidos no varejo e as palavras de otimismo de Ben Bernanke serviram ontem para dar a certeza que o mercado tanto buscava de que a curva da economia global agora é do chão para cima. Por isso, o dólar sentiu na pele hoje a corrida dos investidores por ativos de risco, porém mais rentáveis. Isso foi visto tanto na alta do euro como na relação entre a moeda americana e o real.
Mercado
No mercado à vista, o dólar balcão fechou a sessão em queda de 0,39%, a R$ 1,8060 - menor cotação desde 15 de setembro de 2008, exatamente um ano atrás -, depois de oscilar na mínima de R$ 1,8020 e a máxima de R$ 1,8190. Já o pronto da BM&F teve retração de 0,29%, a R$ 1,8073. No mercado futuro, o contrato para outubro - o mais líquido - caiu 0,22%, a R$ 1,810. A libra esterlina chegou a cair mais de 1% ante o dólar, mas terminou com recuo de 0,71%, a US$ 1,6502.
Juros
Os indicadores econômicos positivos divulgados nos EUA e a disparada das commodities, em especial as agrícolas, impuseram pressão aos juros futuros, sobrepondo-se aos números considerados ''tranquilos'' das vendas do varejo brasileiras em julho. Ao término da negociação normal da BM&F, alguns dos principais contratos estavam nas máximas do dia. O DI janeiro de 2011 (131.425 contratos) apontou 9,72% (máxima), de 9,65% e 9,68%, no ajuste e fechamento segunda. O DI julho de 2010 (94.645 contratos) subiu a 8,90%, de 8,88% no fechamento e 8,87% no ajuste segunda. O DI janeiro de 2012 (57.560 contratos) também na máxima, estava em 11,04%, de 10,96% no fechamento e 10,97% no ajuste.
(Agência Estado)





