BOVESPA EM ALTA
DÓLAR EM QUEDA

Máxima
No dia do aniversário do colapso do Lehman Brothers, a Bovespa começou a semana com alta de 0,86%, renovando a máxima pontuação de 2009. Além de fechar aos 58.867,55 pontos - maior patamar desde o final de julho do ano passado -, o Ibovespa ainda superou os 100% de ganhos em dólar em 2009. O ingresso de recursos estrangeiros, principalmente nas blue chips Vale e Petrobras, deu gás aos negócios nesta sessão e os ganhos aumentaram à tarde, depois que as bolsas norte-americanas também passaram a subir. O resultado de ontem elevou os ganhos em setembro a 4,21% e os do ano, a 56,77%. O giro financeiro totalizou R$ 3,996 bilhões.

Ganhos
Ontem, pela primeira vez, os ganhos atingiram 101,90% (a conta leva em consideração o dólar comercial e não a ptax). Se for considerado o período de um ano, ou seja, desde o fatídico pregão de 15 de setembro passado, um dia após o colapso do banco norte-americano, os ganhos são bem mais modestos: 21,58% em reais e 21,65% em dólares.

Recuperação
Fato é que mesmo que a Bolsa, em pontos, tenha recuperado o patamar anterior ao agravamento da crise e o cenário esteja muito melhor, a situação ainda é delicada. O presidente dos EUA, Barack Obama, falou sobre ela ontem ao declarar que ''estamos começando a voltar à normalidade''. Para ele, no entanto, a recuperação total do sistema financeiro ainda levará tempo e que passará por novas regulações para o setor.

Turbulência
Porém, os Estados Unidos protagonizaram ontem, dia de ''agenda vazia'' uma turbulência nos mercados financeiros por causa de um embate comercial com a China. No final de semana, o governo Obama decidiu elevar as taxas de importação dos pneus produzidos na China e obteve uma reação enérgica de Pequim, que anunciou que vai abrir uma investigação sobre as compras de carros e frango norte-americanos. O clima no mercado acabou azedando, já que o temor de protecionismo se amplifica em meio a economias que ainda engatinham para um consolidação pós-crise.

Indicadores
O Dow Jones acabou terminando a segunda-feira em alta de 0,22%, o S&P 500 avançou 0,63% e o Nasdaq subiu 0,52%. Na Bovespa, os analistas registraram fluxo de estrangeiros na compra e também justificaram parte da movimentação de alta ao vencimento de opções sobre ações na próxima segunda-feira. Apesar da queda das commodities metálicas e do petróleo, Vale ON subiu 1,30%, enquanto Petrobras ON subiu 0,28%. Na Nymex, o contrato do petróleo para outubro recuou 0,62%, para US$ 68,86 o barril.

Negativo
Depois de abrir o pregão em alta, acompanhando o mau humor do mercado internacional, o segmento doméstico de câmbio passou ao campo negativo assim que o panorama externo se acomodou. Contribuiu para isso o fluxo positivo da moeda advindo do desmanche de operações dos investidores estrangeiros assim como a falta de um noticiário mais forte tanto no cenário internacional como interno.

Cotação
No mercado à vista, o dólar pronto fechou em baixa de 0,79% na BM&F, a R$ 1,8125, enquanto no balcão a moeda teve recuo de 0,77%, para R$ 1,8130. Entre os contratos futuros indexados ao dólar e negociados na BM&F, os negócios para outubro - os mais líquidos - caíram 1,17% para R$ 1,8145. Ontem, o Banco Central fez novo leilão de compra de dólares e fixou a taxa de corte em R$ 1,8175.

Juros
Os juros futuros fecharam a negociação normal da BM&F próximos da estabilidade. Ontem, o dia foi marcado pela liquidez reduzida e pelo noticiário esvaziado, sobretudo no front doméstico, cuja agenda esteve limitada aos resultados da pesquisa Focus do Banco Central. O DI janeiro de 2011 (83.125 contratos) projetou 9,65%, de 9,64% na sexta-feira. O DI julho de 2010 (28.280 contratos) marcou 8,87%, de 8,85% anteriormente. O DI janeiro de 2012 (40.870 contratos) ficou com taxa de 10,96%, estável ante o fechamento e perto do ajuste (10,97%) de sexta-feira.



Entenda o Economês
Liquidez: Disponibilidade em moeda corrente, meios de pagamento, ou posse de títulos, ou valores conversíveis rapidamente em dinheiro. Dependendo do tipo de aplicação financeira, a liquidez pode ser maior ou menor, sendo inversamente proporcional aos prazos em que as aplicações financeiras forem feitas: por exemplo, aplicações de longo prazo têm menor liquidez do que aplicações de curto prazo. A liquidez absoluta, no entanto, só é possuída pelo papel-moeda e a moeda metálica numa economia. Entre títulos ou aplicações com o mesmo prazo de vencimento, terão maior liquidez aqueles títulos que possam ser vendidos mais facilmente no mercado, como acontece, no mercado acionário, com as ações consideradas blue chips. Para uma empresa, a liquidez é representada pelo disponível (dinheiro em caixa mais títulos de mercado) e pelo realizável a curto prazo (mercadorias vendidas a prazos inferiores a seis meses, duplicatas e promissórias).

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