MERCADO FINANCEIRO
DÓLAR EM ALTA
EURO EM QUEDA
Dúvidas
As dúvidas dos investidores acerca das regras do pré-sal ainda não foram totalmente dissipadas, mas isso não impediu que eles voltassem às compras de papéis da Petrobras - optaram, no entanto, pelos preferenciais (sem direito a voto), os mais líquidos. Isso contribuiu para reduzir a queda do Ibovespa, que trabalhou ontem colada ao mercado externo. E o primeiro pregão de setembro foi marcado pela volatilidade nas bolsas, mas o sinal vermelho predominou, puxado pelas ações do setor financeiro.
Movimentação
A Bovespa terminou a sessão em baixa de 1,19%, aos 55.814,96 pontos - menor nível desde 18 de agosto (55.750,97 pontos). No ano, acumula ganho de 48,64%. O giro financeiro totalizou R$ 5,352 bilhões. Já o dólar teve a sétima alta consecutiva e voltou a superar a barreira de R$ 1,90, fechando em alta de 0,85%, a R$ 1,9050. Ontem, nos EUA, o Dow Jones recuou 1,96%, aos 9.310,60 pontos, o S&P terminou em baixa de 2,21%, aos 998,04 pontos, e o Nasdaq caiu 2%, aos 1.968,89 pontos. BofA caiu 6,42%, JPMorgan, 4,12%, e AmEx, 5,44%.
Indicadores
Na sexta-feira, haverá divulgação dos dados do mercado de trabalho (''payroll''), o que causa expectativa nos mercados. Foram divulgados ontem os gastos com construção (queda de 0,2% em julho ante junho e previsão de +0,2%); o índice de atividade industrial norte-americana do Instituto para Gestão de Oferta (ISM) (subiu para 52,9 em agosto, o maior nível desde junho de 2007 e acima das expectativas, de 50,9); e o índice de vendas pendentes de imóveis residenciais da Associação Nacional dos Corretores de Imóveis dos EUA (+3,2% em julho ante junho, para 97,6, o maior nível desde junho de 2007; analistas esperavam +2,0%).
Discussões
No Brasil, as discussões em torno do marco regulatório do pré-sal adentraram o dia de ontem. As regras não agradaram os especialistas, sobretudo no que se refere à mudança no regime de concessão para o modelo de partilha de produção e no fato de a Petrobras deter participação em todos os blocos não licitados, o que poderia reduzir a atratividade do setor para as petrolíferas privadas. Petrobras ON caiu 0,53% ontem, mas a ação PN subiu 0,70%. Na Nymex, o contrato do petróleo para outubro perdeu 2,73%, para US$ 68,05 o barril.
Ações
Vale fechou em baixa, na esteira da queda dos metais. Ontem, o UBS elevou o preço-alvo das ações da Vale e a reafirmou como preferida no setor de metais na América Latina. Credit Suisse divulgou ainda relatório elevando a recomendação para os papéis de neutra para outperform. As ações ON perderam 0,33% e as PNA, 0,97%. Os bancos seguiram o sinal do setor no exterior e recuaram: Bradesco PN, 1,14%, Itaú Unibanco PN, 2,85%, e BB ON, 1,57%.
Risco
Um estresse tomou conta do mercado cambial ontem depois da divulgação de que o CIT Group não pagará os juros da dívida que vencem no dia 15 de setembro. O temor de que outros bancos estejam em dificuldades se alastrou e aprofundou a aversão ao risco. Com isso, o dólar frente o real marcou a sétima sessão consecutiva de altas, voltando ao patamar de R$ 1,90 - o ganho acumulado nesse período já é de 4,04%. No mercado à vista, o dólar no balcão fechou em alta de 0,85%, a R$ 1,905, enquanto na roda de pronto da BM&F a divisa teve elevação de 0,74%, a R$ 1,904.
Moedas
O giro em D+2 na Clearing de Câmbio foi de R$ 2,5 bilhões, bem próximo ao giro de segunda-feira (R$ 2,4 bilhões). No segmento futuro, o contrato de dólar negociado para outubro teve alta de 1,61%, a R$ 1,920. No segmento de moedas, ''o euro foi amassado pelo dólar'', segundo um operador, e perdeu 1,04% para a divisa americana, a US$ 1,420. Frente ao iene, o dólar caiu 0,31%, a 92,83 ienes. A libra perdeu 0,88%, a US$ 1,615.
Juros
No primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os juros futuros deram continuidade ao movimento verificado na véspera e encerraram o dia em queda. Na sessão regular na BM&F, o contrato de janeiro de 2011 projetou taxa de 9,67% (170.375 contratos negociados) ante 9,74% do fechamento e 9,72% do ajuste de segunda. A taxa projetada pelo DI de janeiro de 2010 caiu a 8,59% (138.670 contratos) de 8,63% no fechamento e 8,62% no ajuste. O contrato de janeiro de 2012 projetou taxa de 11,05% (42.900 contratos) de 11,08% no fechamento e 11,07% no ajuste da véspera.
Entenda o Economês
D Zero (D0): Denominação dada no mercado financeiro àquelas operações liquidadas no mesmo dia em que se realizam. Da mesma forma D + 1, D + 2 etc. são aquelas operações liquidadas no dia seguinte ou depois de dois dias de sua realização respectivamente.
Fonte: Dicionário de Economia do Século XXI - Paulo Sandroni





