MERCADO FINANCEIRO
BOVESPA EM QUEDA
DÓLAR EM ALTA
'Desastre'
A apresentação do marco regulatório do pré-sal encontrou um ambiente externo adverso ontem e o resultado sobre as ações da Petrobras foi desastroso. Os papéis despencaram influenciados pelo tombo do petróleo no exterior e com o receio dos investidores em relação às regras do novo marco, ainda sendo digeridas. Ontem, poucas ações subiram, em razão do desempenho das bolsas externas. A China capitaneou as perdas deste último pregão de agosto.
'Tombo'
O Ibovespa terminou o dia em baixa de 2,10%, aos 56.488,98 pontos. No mês, registrou ganho de 3,15% - excetuando-se os dois meses em que a Bovespa recuou (fevereiro, -2,8%, e junho, -3,2%) - foi a menor alta de 2009. O giro financeiro totalizou R$ 5,667 bilhões. O tombo de 6,7% no índice Xangai sinalizou o comportamento da Bovespa. A onda se arrastou pela Europa, onde as bolsas também caíram, e pelos Estados Unidos, onde foi conhecido ontem o índice dos gerentes de compras de Chicago.
Influências
As bolsas americanas recuaram, influenciadas pelo comportamento das commodities - o petróleo voltou a fechar abaixo de US$ 70 o barril e os metais negociados nos EUA também recuaram. O Dow Jones terminou a sessão em baixa de 0,50%, aos 9.496,28 pontos, o S&P500 recuou 0,81%, aos 1.020,62 pontos e o Nasdaq terminou com variação negativa de 0,97%, aos 2.009,06 pontos.
Commodities
No Brasil, todas as atenções estavam voltadas para as ações da Petrobras, que despencaram. As ON recuaram 4,48% e as PN, 3,59%. Além do tombo do petróleo - o contrato para outubro negociado na Nymex fechou em baixa de 3,82%, para US$ 69,96 o barril - o anúncio do marco regulatório do pré-sal influenciou as decisões de venda dos investidores. Com a queda das commodities, Vale também terminou em baixa firme, também com a influência da China. As ações ON perderam 3,19% e as PNA, 2,08%. Nas siderúrgicas, Gerdau PN, -2,99%, Metalúrgica Gerdau PN, -2,51%, Usiminas PNA, -2,68%, e CSN ON, -2,78%.
'Surpresa'
Para setembro, a previsão é de cautela nos mercados, diante do histórico do mês - atentado nas Torres Gêmeas e quebra do Lehman Brothers. O dado positivo no Brasil foi a divulgação pelo IBGE da produção industrial, que surpreendeu positivamente ao subir 2,2%, em julho ante junho - o teto das previsões era de 2%.
Câmbio
A volatilidade marcou a sessão do mercado de câmbio no último dia de agosto, dia de formação da Ptax que liquida, hoje, os contratos futuros do dólar para setembro. A divisa abriu o dia com forte alta. Perto da marca d'água de R$ 1,90, entretanto, começou o movimento de venda da moeda. À tarde, por sua vez, o fluxo visto pela manhã, que segundo operadores incluiu exportadores, diminuiu e o dólar voltou a subir. Por causa da formação da Ptax, o jogo de interesse nas pontas compradoras e vendedoras teve maior peso do que o noticiário, afirmou um operador.
Câmbio
No mercado à vista, o dólar no balcão fechou a R$ 1,889, com alta de 0,37%, depois de bater na máxima de R$ 1,903 e na mínima de R$ 1,870. Na roda de pronto da BM&F, a moeda teve alta de 0,45%, encerrando a sessão a R$ 1,890. O dólar futuro para setembro subiu 0,16%, negociado a R$ 1,886; e o dólar outubro/09 avançava 0,13%, a R$ 1,894.
Intervenção
Na pesquisa Focus semanal realizada pelo Banco Central, a mediana das previsões para o nível da moeda norte-americana no fim deste ano seguiu em R$ 1,85. Há quatro semanas, essa previsão era de R$ 1,90. O Banco Central decidiu fazer pela manhã o tradicional leilão de compra no mercado à vista. A autoridade monetária comprou dólar à taxa de corte de R$ 1,8750, quando a moeda norte-americana era vendida a R$ 1,8720 no balcão, em baixa de 0,53%, e por R$ 1,871 na BM&F, em queda de 0,56%.
Juros
Os juros futuros devolveram à tarde a alta registrada mais cedo e fecharam em baixa. Na sessão regular na BM&F, o DI de janeiro de 2011 caiu a 9,72% (123.055 contratos) de 9,76% no ajuste e 9,77% no fechamento de sexta-feira. O contrato de janeiro de 2012 projetou 11,07% (59.590 contratos), ante 11,07% do ajuste e 11,08% do fechamento anterior. A mínima e a máxima do dia foram: 9,71% e 11,05%, respectivamente. O DI de outubro de 2010 projetou taxa de 8,62% (34.755 contrato) ante 8,61% do ajuste e 8,63% do fechamento.
(Agência Estado)
Entenda o Economês
Ptax: Denominação dada à cotação oficial da moeda nacional definida por uma média ponderada das negociações feitas com o dólar dos Estados Unidos durante o dia. O Banco Central divulga Ptax parciais em intervalos de meia hora e, no final das operações, divulga o Ptax do dia. É essa cotação a ser utilizada nos contratos que utilizam a variação do dólar como um dos seus indexadores.
Fonte: Dicionário de Economia do Século XXI - Paulo Sandroni





