DÓLAR EM ALTA
BOVESPA EM QUEDA

''Surpresas''
Da mesma forma que em maio, o relatório do mercado de trabalho norte-americano também surpreendeu. Só que desta vez negativamente: foi fechado um número maior do que o previsto de vagas de trabalho e isso teve um único sentido às bolsas: o de baixa. Esse efeito foi ainda mais forte na Europa, já que os dados de emprego na região também não agradaram. A Bovespa, embora também tenha sentido, perdeu bem menos, já que os investidores estão um pouco ''paralisados'', à procura de rumo depois do bom primeiro semestre.

Queda
O Ibovespa terminou a sessão em queda de 1,01%, aos 51.024,94 pontos. Na mínima pontuação do dia, atingiu os 50.608 pontos (-1,82%) e, na máxima, os 51.538 pontos (-0,01%). Nas duas sessões de julho, acumula -0,86% e, no ano, +35,89%. O giro financeiro totalizou R$ 4,090 bilhões.

Impedimento
Os números dos mercados de trabalho norte-americano e europeus impediram as bolsas de operarem em elevação nesta sessão - ainda mais pelo fato de hoje ser feriado nos EUA, o que deixa o investidor, já calejado, ainda mais na retranca. Essa também foi uma das razões para a Bovespa ter trabalhado, principalmente à tarde, de lado, com pouquíssima oscilação.

Desemprego
Os números mais aguardados ontem eram os do payroll, que mostraram corte de 467 mil vagas em junho, bem mais que as 350 mil estimadas. Nem mesmo a revisão do número anterior, para melhor, ajudou - o número passou de -345 mil para -322 mil. Também foi ruim a taxa de desemprego que, embora tenha se situado abaixo do previsto - 9,5% ante 9,6% , de 9,4% em maio - foi a maior desde agosto de 1983. Na Europa, também foi a taxa de desemprego a amargar o paladar, já que o índice subiu de 9,3% em abril para 9,5% em maio, o maior nível em dez anos.

Giro financeiro
Em Wall Street, o Dow Jones terminou com baixa de 2,63%, aos 8.280,74 pontos, o S&P recuou 2,90%, aos 896,55 pontos, e o Nasdaq perdeu 2,67%, aos 1.796,52 pontos. Na Europa, as perdas foram ainda maiores. O índice FTSE-100 da Bolsa de Londres recuou 2,45%; em Frankfurt, o índice Xetra-DAX caiu 3,81%; na Bolsa de Paris, o CAC-40 teve queda de 3,13%. Para hoje, a expectativa é de um pregão fraco, já que não haverá mercado nos Estados Unidos. E, como os estrangeiros estão naturalmente mais ausentes neste mês por causa das férias no Hemisfério Norte, o giro financeiro doméstico deve ser bem restrito.

Aversão
A aversão ao risco no mercado externo ditou as regras dos negócios locais de câmbio e o dólar à vista subiu. Os dados de desemprego norte-americano e da zona do euro piores do que o esperado, reacenderam os temores com o processo de recuperação da demanda e da economia dos países desenvolvidos, justificou o gerente de mesa de câmbio de uma corretora em São Paulo. Tanto que na Europa, o Banco Central Europeu foi cauteloso e manteve a taxa de juros no piso histórico de 1% ao ano, reforçando a avaliação no mercado de que os juros seguirão baixos na região por um período prolongado.

Dólar
Por precaução, os investidores reduziram posições em ações e commodities e migraram para o dólar e os títulos do Tesouro americano. No mercado de moedas, o dólar só perdeu valor para o iene. No fechamento do mercado à vista, o dólar avançou 1,19%, cotado a R$ 1,952 no balcão, e ganhou 1,14%, a R$ 1,951 na BM&F. No leilão vespertino, o Banco Central comprou dólar com taxa de corte de R$ 1,9525 - preço acima da taxa do pronto naquele momento, de R$ 1,951 no balcão e na BM&F (+1,41%).

Juros futuros
A fraqueza do mercado de trabalho nas principais economias, traduzida por indicadores da zona do euro e EUA, pesou sobre os ativos financeiros. No caso dos juros futuros, os dados colaboraram para o recuo das taxas, enquanto a melhora da produção industrial brasileira em maio mostrada pelo IBGE foi considerada tímida, sendo insuficiente para desviar os DIs da trajetória de baixa.

Fechamento
Ao término da negociação normal na BM&F, no entanto, o fôlego de queda se dissipava nos contratos longos, a partir de 2012. O DI janeiro de 2011 (175.240 contratos) projetava 9,92%, de 9,97% e 9,96% no fechamento e ajuste de ontem. O DI janeiro de 2010 (50.110 contratos) estava na mínima de 8,78%, mesmo nível de ontem. O DI janeiro de 2012 (43.110 contratos) exibia 10,97%, de 10,93% e 10,96% no fechamento e ajuste anteriores.

Petróleo
Os preços do petróleo no mercado futuro caíram ontem, refletindo a preocupação dos investidores com a demanda por combustíveis após o governo dos EUA divulgar que a taxa de desemprego. O contrato do petróleo para agosto negociado na New York Mercantile Exchange caiu US$ 2,58, ou 3,72%, para US$ 66,73 o barril. Na plataforma ICE, o contrato do petróleo tipo Brent para agosto recuou US$ 2,14, ou 3,1%, para US$ 66,65 o barril.

(das agências)

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