MERCADO FINANCEIRO
DÓLAR EM ALTA
PETRÓLEO EM BAIXA
Desvalorização
A desvalorização do dólar no Brasil entre abril e junho foi a maior da história para um trimestre. Segundo dados da consultoria Economatica, a moeda norte-americana caiu 15,7% nos últimos três meses. Até então, a maior desvalorização havia ocorrido no segundo trimestre de 2003, com queda de 14,35%, informa a Economatica.
Dólar
Ontem, a cotação do dólar comercial caiu 1,68% e fechou em R$ 1,93. Com isso, a moeda americana acumula uma queda de 17,27% no ano. O otimismo no mercado internacional, após a divulgação de dados melhores que o esperado na indústria dos Estados Unidos, Europa e China, e a entrada de recursos no país contribuíram para a baixa do câmbio, segundo analistas.
Fluxo Cambial
O fluxo cambial (entradas menos saídas de dólares) do país atingiu a casa dos US$ 363 milhões no período de janeiro a junho (até o dia 26), segundo divulgou ontem o Banco Central. No mês passado as saídas de moeda superaram as entrada em US$ 1,227 bilhão (considerando um período de 19 dias úteis). Em junho, tanto a conta comercial quanto a conta financeira apresentaram saldos negativos: na primeira, o déficit foi de US$ 88 milhões, enquanto na segunda, de US$ 1,14 bilhão.
Superávit
Ontem, o Ministério do Desenvolvimento revelou que a balança comercial do mês foi superavitária em US$ 4,625 bilhões, principalmente com o incremento no volume exportado, o melhor desde novembro do ano passado. No semestre, a conta comercial ainda tem um resultado mais robusto - de US$ 12,888 bilhões - enquanto a conta financeira está negativa em US$ 12,525 bilhões. Em junho de 2008, o fluxo cambial também estava negativo, com movimento de US$ 1,581 bilhão nos mesmos termos de comparação. O saldo do semestre foi de US$ 14,231 bilhões, principalmente por conta do saldo comercial de US$ 28,308 bilhões do período.
Alimentos
A alta menor dos preços do grupo alimentação no primeiro semestre de 2009 foi considerado o fator principal para que o indicador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) registrasse uma taxa de inflação mais baixa no período, na comparação com o resultado acumulado dos primeiros seis meses do ano passado. Entre janeiro e junho de 2009, o IPC-S variou 2,66%, ante 3,84% no mesmo período de 2008. A alta do segmento, por sua vez, foi de 2,60%, contra variação acumulada anterior de 8,48%.
Comportamento
Entre janeiro e junho de 2008, a elevação do grupo alimentação foi de 1,85%. Já nos primeiros meses de 2009 foi de 8,13%. Nos demais grupos pesquisados pela FGV, as variações do primeiro semestre de 2008 e do mesmo período de 2009 foram pouco diferentes. A alta do grupo habitação passou de 1,55% para 2,13%; a do grupo transportes, de 1,33% para 1,06%; a do grupo saúde e cuidados pessoais, de 3,31% para 3,71%; a do grupo educação, leitura e recreação, de 4,22% para 3,93%; e a de vestuário, de 1,08% para 0,80%.
Construção
Os gastos em construção nos Estados Unidos sofreram uma queda de 0,9% em maio, após um crescimento de 0,6% em abril (dado revisado). O resultado frustrou as expectativas dos analistas, que previam uma queda menor, de 0,5%. Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento do Comércio. A leitura original de abril mostrava uma alta maior, de 0,8%. O dado de março também foi revisto, de uma alta de 0,4% para uma queda de 0,4%. Após essas revisões, abril foi o único mês a registrar alta nos últimos oito meses.
Petróleo
Os preços do petróleo retrocederam ontem após a divulgação do aumento dos estoques de gasolina nos Estados Unidos, reforçando os temores sobre a demanda fraca. Na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), o barril de petróleo fechou em queda de 0,83%, aos US$ 69,31, em relação ao fechamento anterior. Na ICE (Bolsa Intercontinental de Futuros, na sigla em inglês), o preço do barril do petróleo brent caiu hoje 0,73% e fechou a US$ 68,79.
Ganhos
Ainda que os preços tenham subido durante a sessão até os US$ 71,32 em Londres e aos US$ 71,85 em Nova York, cederam os ganhos ante os números das reservas de petróleo dos EUA. O Departamento de Energia (DoE) decepcionou os operadores ao divulgar que as reservas do petróleo caíram em 3,7 milhões de barris, apesar de um estudo do Instituto Americano de Petróleo informar uma queda de 6,9 milhões de barris. Essa foi a quarta queda semanal seguida, segundo o DoE.
Gasolina
Mais incômodo, no entanto, foi o dado sobre os estoques de gasolina, que aumentaram em 2,3 milhões de barris, para 211,2 milhões de barris. A previsão dos analistas era de um avanço um pouco menor, de 1,9 milhão de barris. Já as de produtos destilados avançaram 2,9 milhões de barris, para 155 milhões de barris, contra previsão de alta de 1,6 milhão de barris. O API esperava que as reservas se mantivessem estáveis. Em relação ao ritmo de produção, as refinarias americanas mantiveram índices praticamente estáveis, passando de 87,1% da capacidade instalada na semana retrasada para 87% na semana passada.
(das agências)





