MERCADO FINANCEIRO
Fluxo cambial
O fluxo cambial, que mede a entrada e saída de dólares no país, está positivo em US$ 380 milhões, segundo dados do Banco Central até a última sexta-feira. Nesse período, houve mais dólares entrando do que saindo do Brasil. A entrada de dólares no país é um dos principais motivos que vem pressionando a cotação da moeda norte-americana para baixo nas últimas semanas.
Positivo
O fluxo é dividido em duas partes. Na área comercial, o fluxo ficou positivo US$ 1,007 bilhão, diferença entre os dólares das exportações e importações. O BC considera também nessa conta os dólares que entram por meio de operações financeiras, como aplicações, investimentos, gastos e remessas. Nesse caso, o fluxo ficou negativo em US$ 627 milhões.
Intervenções
O Banco Central informou já ter comprado US$ 1,597 bilhão em junho no mercado de dólar à vista. Essas compras são aquelas que afetam o nível das reservas internacionais, que estão hoje em cerca de US$ 205 bilhões. O valor comprado no começo do mês equivale a cerca de metade das compras feitas em maio, que somaram US$ 2,748 bilhões. O BC também registrou o retorno para as reservas de mais US$ 2,892 bilhões de operações empréstimos que venceram (US$ 1,98 bilhão sem direcionamento e US$ 912 milhões com direcionamento).
Dólar
Depois de operar em queda durante todo o dia, a cotação do dólar comercial virou perto do fechamento e encerrou quase estável, com leve alta de 0,05%, a R$ 1,982 na venda. No mês, a moeda tem valorização de 0,35%; no ano, ainda acumula queda de 15,05%. O Banco Central voltou a comprar dólares para aumentar as reservas internacionais do país. A taxa aceita ficou em R$ 1,9635.
EUA
O índice Dow Jones Industrial, o mais importante das bolsas de Nova York, fechou ontem em baixa de 23,05 pontos (0,28%), até 8.299,86, e recebeu com frieza a notícia de que o Federal Reserve acredita que a economia americana melhorará. O índice da bolsa tecnológica Nasdaq terminou com alta de 1,55%, enquanto o indicador seletivo S&P 500 subiu 0,65%.
Juros zero
O Fed (Federal Reserve, o BC americano) manteve ontem sua taxa de juros no patamar em que se encontra desde dezembro de 2008: uma margem de variação entre zero e 0,25%. Trata-se da quarta reunião consecutiva em que o BC americano mantém os juros no menor nível da história. O banco novamente destacou a desaceleração no ritmo de contração da economia americana, mas ressaltou que o cenário continua ruim. Hoje, o governo deve apresentar a revisão final do PIB. A expectativa entre os analistas é de que o resultado mostre uma contração ainda menor, de 5,3% -0,8 ponto percentual melhor que a leitura inicial.
Fracas
No ''Livro Bege'' (o documento com dados econômicos coletados nas 12 divisões regionais do Fed), divulgado no último 10, a avaliação foi de que as condições da economia do país continuaram fracas ou pioraram entre abril e maio, mas alguns distritos dos EUA já mostram sinais de moderação. Outras avaliações da economia americana apontam para alguma recuperação, como a da Associação de Banqueiros Americanos. O economista-chefe do JPMorgan Chase e presidente do comitê assessor da ABA, Bruce Kasman, disse neste mês que a economia voltará ao crescimento, ainda que não suficiente para reverter os danos causados ao mercado de trabalho e às finanças públicas.
Injeção
As Bolsas europeias fecharam em alta ontem. As ações do setor financeiro, em particular dos bancos, encerraram o dia com ganhos após a injeção de recursos feita pelo BCE (Banco Central Europeu). Além disso, a expectativa pela decisão do Fed (Federal Reserve, o BC americano) sobre sua taxa de juros também trouxe algum ânimo ao pregão. A Bolsa de Londres fechou em alta de 1,18%; a Bolsa de Paris subiu 2,18%; a Bolsa de Amsterdã teve alta de 2,39%. O BCE anunciou ontem ter concedido um recorde de 442,24 bilhões de euros (US$ 622,67 bilhões) em empréstimos com prazo de um ano a bancos europeus, em uma medida para reativar o crédito.
Transações correntes
As transações correntes do Brasil com o exterior registraram em maio um déficit de US$ 1,738 bilhão, depois do superávit registrado em abril, segundo dados do Banco Central. No mesmo período do ano passado, houve um déficit de US$ 786 milhões. Nessa comparação, houve queda no saldo do comércio exterior e nas remessas de lucros para o exterior. Entram nessa conta o resultado da balança comercial (+US$ 2,651 bilhão), os gastos do país com serviços e rendas (-US$ 4,596 bilhões) e as transferências unilaterais (+US$ 208 milhões).
Energia
Pelo sexto mês consecutivo, o consumo de energia caiu no país em maio, num reflexo ainda dos impactos da crise sobre a economia brasileira, que atingiu especialmente a indústria. Mais uma vez, o setor industrial, maior consumidor do país, puxou para baixo a demanda por energia e houve uma retração de 4,4% ante maio de 2008. Os dados são da estatal Empresa Pesquisa Energética. De janeiro a maio deste ano, o consumo de energia registra queda de 2,7% frente igual período de 2008 - o setor industrial, sozinho, caiu 12,4%.
(Das Agências)





