MERCADO FINANCEIRO
DOW JONES EM ALTA
BOVESPA EM QUEDA
Volatilidade
A Bovespa tinha todos os argumentos para se manter em alta durante toda a sessão de ontem: as commodities subiram, os indicadores nos EUA favoreciam, as bolsas norte-americanas avançaram e a ata do Copom reforçou a análise de que haverá pelo menos mais um corte de juros - embora em menor intensidade do que o 1 ponto registrado no encontro deste mês. Mas a despeito disso tudo, o principal índice à vista oscilou muito e o sinal negativo predominou, em razão de movimentos técnicos, decorrentes do vencimento de ontem do Ibovespa.
Desempenho
Assim, a sessão terminou em baixa de 0,28%, pela primeira vez abaixo de 51 mil pontos no mês, aos 50.903,02 pontos. Esta é a menor pontuação desde os 50.816,24 pontos de 25 de maio. Na mínima do dia, registrou os 50.510 pontos (-1,05%) e, na máxima, os 51.275 pontos (+0,45%). Com o desempenho de ontem, no mês a Bolsa tem perdas de 4,31% e, no ano, ganho de 35,56%. O giro financeiro no pregão regular totalizou R$ 3,448 bilhões.
Benefícios
O evento de ontem foi a divulgação da ata da última reunião do Copom. O documento sinalizou que o processo de desaperto monetário não terminou no encontro deste mês. O problema é que os analistas ainda não obtiveram um consenso sobre o que virá pela frente: alguns falam em 0,25 ponto na reunião de julho, outros, em 0,50 ponto. Fato é que qualquer que seja o tamanho do corte - e para ele há consenso - a Bovespa é beneficiada, já que a atratividade da renda fixa diminui com taxas de juros menores.
Ressaca
Apesar disso, ontem um movimento técnico conduziu a Bovespa. Segundo Fausto Gouveia, da Legan Asset, ontem pode ter sido um dia de ressaca dos vencimentos. ''Muitos investidores que não foram exercidos ficaram com o papel e, como avaliam que o momento não é ficar comprado, saem da posição à espera de algum indício sobre a trajetória''. Esse movimento, segundo ele, pode ser verificado nas blue chips: Vale e Petrobras caíram, apesar de as commodities metálicas e o petróleo terem fechado em alta no exterior.
Estados Unidos
Já as bolsas norte-americanas trabalharam majoritariamente em alta em reação aos bons indicadores conhecidos ontem. O Dow Jones terminou com elevação de 0,69%, aos 8.555,60 pontos, o S&P avançou 0,84%, aos 918,37 pontos, e o Nasdaq terminou com variação negativa de 0,02%, aos 1.807,72 pontos. O setor financeiro foi destaque de elevação, sobretudo depois das declarações do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, no Congresso dos EUA, onde falou sobre as propostas do governo para modernizar o sistema de regulamentação do setor financeiro.
Atividade industrial
Os outros dados divulgados ontem foram o índice de atividade industrial regional do Federal Reserve da Filadélfia (subiu para -2,2 em junho, de -22,6 em maio, superando as expectativas de economistas de um dado de -18,0) e o índice de indicadores antecedentes do Conference Board (+1,2% em maio, superando as expectativas que previam um aumento de 1%. O dado de abril também foi revisado, para avanço de 1,1%, ante previsão original de alta de 1,0%).
Dólar
Os interesses relacionados à rolagem de contratos de swap cambial determinaram o comportamento das cotações na sessão. O dólar no balcão abriu na máxima intraday de R$ 1,975, em alta de 0,66%, devolveu os ganhos e chegou a cair até R$ 1,958 (-0,20%) pela manhã e iniciou a tarde estável, em R$ 1,962. Foi após o anúncio do resultado do leilão de swap cambial, em que o BC vendeu 63,87% da oferta de US$ 1,755 bilhão (o vencimento total de swap em 1º/7 é de US$ 2,121 bilhões). Na BM&F, o pronto também encerrou na cotação máxima do dia, a R$ 1,971, em alta de 0,18%.
Juros
A incerteza sobre o rumo da política monetária levou os DIs longos a subirem na BM&F. Já os contratos de curto prazo operaram com volatilidade. Na sessão regular, o janeiro 2010 (294.180 contratos) cedeu a 8,86%, de 8,89% do ajuste e 8,87% no fechamento de quarta-feira. Janeiro 2011 (300.335 contratos) subiu a 10,12%, de 9,91% do ajuste e 9,86% no fechamento da véspera. Janeiro 2012 (77.995 contratos) avançou a 11,16%, de 11% do ajuste e 10,97% no fechamento de quarta-feira.
Petróleo
Os preços dos contratos futuros do petróleo subiram ontem, acompanhando o movimento de alta dos índices do mercado de ações e impulsionados por sinais positivos para a perspectiva de recuperação da demanda pela commodity. ''O mercado recebeu suporte do mercado de ações e consolidou os ganhos obtidos recentemente'', disse Peter Donovan, vice-presidente da Vantage Trading. O contrato do petróleo para julho negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) subiu US$ 0,34, ou 0,48%, para US$ 71,37 o barril. Na plataforma ICE, o contrato do petróleo tipo Brent para agosto avançou US$ 0,21, ou 0,3%, para US$ 71,06 o barril.
(Agência Estado)





