Bovespa em baixa
Dólar em alta



Dois momentos

O mercado acionário viveu dois momentos ontem, relacionados aos dados do relatório do mercado de trabalho norte-americano (''payroll'') do mês de maio. No início, a Bovespa reagiu positivamente aos números, que surpreenderam ao mostrar um corte de vagas menor do que as previsões. Mas esses dados, por sinalizarem que a economia norte-americana está dando indícios de melhora, garantiram força ao dólar, que se tornou um dos ativos mais procurados nesta sessão. Na contramão, as commodities passaram a ser alvo de ordens de vendas, e isso pesou sobre a Bovespa. O dólar à vista subiu e fechou com ganho de 0,77%, a R$ 1,957 no balcão

Bolsa

O Ibovespa terminou a sexta-feira em baixa de 0,23%, aos 53.341,01 pontos. Na mínima do dia, registrou 53.050 pontos (-0,77%) e, na máxima, os 54.627 pontos (+2,17%). Na semana e no mês, a Bolsa acumula alta de 0,27%. No ano, o Ibovespa sobe 42,05%. O giro financeiro terminou o dia em R$ 4,86 bilhões.
O Departamento do Trabalho anunciou o corte de 345 mil vagas no mês passado, número bem inferior às estimativas dos analistas, de -525 mil postos de trabalho. O corte é o menor desde setembro de 2008. O governo também revisou em baixa os dados dos dois meses anteriores: em abril, o corte foi revisado de 539 mil para perda de 504 mil e, em março, de -699 mil para 652 mil.

Reação imediata

A reação imediata ao anúncio foi de alta nas ações. Mas, na segunda leitura, as ações passaram a cair, por uma boa razão. Os dados sinalizaram que o pior parece mesmo ter ficado para trás nos Estados Unidos e isso chamou investidores de volta ao dólar, com consequente venda de commodities, onde o ganho ontem havia sido significativo. Na Bovespa, o sinal passou de alta para queda, principalmente por causa do comportamento da Petrobras, que fechou em baixa de 0,33% na ação ON e de 0,32% na PNA. Na Nymex, o contrato do petróleo para julho recuou 0,54%, para US$ 68,44, depois de ter superado os US$ 69 no início do dia.

Siderúrgicas

Vale subiu - assim como siderúrgicas - estimulada pelo noticiário internacional que trouxe a joint venture entre a Rio Tinto e BHP para a produção de minério de ferro. Vale ON, +1,06%, Vale PNA, +0,25%. Gerdau PN, +0,67%, Metalúrgica Gerdau PN, +0,64%, CSN ON, +1,57%. Usiminas PNA terminou em +1,64%. Bradesco PN recuou 0,77%. A instituição confirmou ontem a compra do Banco ibi, ligado à rede varejista C&A. Nos EUA, o Dow Jones avançou 0,15%, aos 8.763,13 pontos, o S&P caiu 0,25%, aos 940,09 pontos, e o Nasdaq teve baixa de 0,03%, a 1.849,42 pontos.


EUA

O mercado oscilou de forma moderada durante todo o dia, mas pela manhã, parecia que ainda poderia encerrar a semana em tom positivo. Tudo porque o Departamento do Trabalho dos EUA revelou a ''boa notícia'' do dia: de que a economia do país perdeu 345 mil empregos em maio, mesmo mês em que a taxa de desemprego atingiu 9,4%. O órgão também revisou para baixo o número divulgado para abril: de 539 mil empregos perdidos para 504 mil. O noticiário doméstico foi movimentado no setor corporativo. O Bradesco anunciou hoje que deve adquirir o banco Ibi, braço financeiro do grupo de varejo C&A por R$ 1,4 bilhão, com o objetivo de incrementar sua base de cartões de crédito.

Câmbio

O dólar à vista subiu durante a sessão e fechou com ganho de 0,77%, a R$ 1,957 no balcão, e de 0,82%, a R$ 1,958 na BM&F. Nesta primeira semana de junho, as cotações da moeda permaneceram abaixo de R$ 2,00 e apuraram queda de 0,66% no balcão e de 0,61% na BM&F. No ano, as perdas acumuladas estão em 16,19% e 15,35%. No mercado futuro às 17h03, o dólar com vencimento em julho/09 subia 0,98%, a R$ 1,966, após oscilar de R$ 1,918 (-1,49%) a R$ 1,979 (+1,64%). No mercado à vista, o Banco Central comprou dólar mais cedo, ontem, e fixou a taxa de corte em R$ 1,9613.

Moedas

No mercado internacional de moedas, no primeiro momento após o relatório do mercado de trabalho dos EUA, o euro reverteu momentaneamente as perdas ante o dólar e subiu, mas logo voltou a cair. O dólar, por sua vez, acelerou a alta frente ao iene e atingiu o maior nível em três semanas. Às 17h38, o euro caía 1,65%, para US$ 1,3966, após subir mais cedo até US$ 1,4268; enquanto o dólar ganhava 2,07%, a 98,74 ienes, sendo que a máxima até o momento esse horário foi de 98,90 ienes.

Juros

O cenário externo ontem pesou e as taxas de juros dispararam, especialmente as de longo prazo, acompanhando a abertura dos Treasuries. O que detonou o movimento foi o resultado do payroll nos EUA. Também contribuiu para o avanço dos DIs a volta da discussão sobre a meta de inflação para 2011, que pode ser mantida inalterada em 4,5%. Esses fatores acabaram deixando em segundo plano as apostas para a reunião do Copom, da próxima semana, que definirá o rumo da taxa Selic.No final da sessão normal, a taxa projetada no contrato janeiro 2012 subia para 10,79%, de 10,58% no ajuste e no fechamento de ontem (119.300 contratos).

Das Agências

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